Matias Damásio lança, a 13 de novembro, «O Romântico», um novo álbum que assinala duas décadas de carreira e reúne 20 canções inéditas. O disco inclui seis duetos com Cuca Roseta, Pedro Abrunhosa, Toy, Puto Português, Gustavo Mioto e Laton, prometendo cruzar diferentes vozes e sensibilidades musicais.
Entrevista com Iran Costa

Com mais de 30 anos de carreira e uma ligação especial a Portugal, Iran Costa continua a levar alegria aos palcos. Depois do problema de saúde que o obrigou a parar em 2025, o cantor regressou às atuações com uma energia renovada e com a gratidão ainda mais presente. Em entrevista, fala sobre a vida entre Portugal e o Brasil, recorda a explosão de «O Bicho», explica a mensagem de força de «Bicho é Forte» e apresenta «Eu Vou Pegar Você», o novo tema que promete continuar a pôr o público a dançar. Sem perder o humor e a proximidade que o caracterizam, Iran Costa garante que ainda tem muitos sonhos para concretizar.
Quem é o Iran Costa fora dos palcos? A música ocupa praticamente toda a tua vida?
Vivo praticamente 24 horas para a música. É o meu trabalho e dedico-me a ele há muitos anos. Fora dos palcos, considero-me uma pessoa simples e humilde, e atenção, porque há quem confunda humildade com ser humilhado! Quem me conhece no dia a dia costuma dizer que sou muito diferente da pessoa que vê na televisão ou em palco, sempre a saltar e a dançar. Venho de uma família muito simples, do interior do norte do Brasil, e isso fez-me dar muito valor às pessoas e ao ser humano.
Depois de tantos anos em Portugal, já te sentes mais português do que brasileiro?
Hoje sinto-me muito ligado a Portugal. Aliás, já vivi mais anos da minha vida aqui do que no Brasil. A minha carreira teve uma grande explosão logo no terceiro ano depois de chegar e, desde então, tenho tido o privilégio de manter uma ligação profissional duradoura com as editoras. Portugal é casa para mim, tal como o Brasil, onde tenho a minha família e os meus amigos. O coração acaba por ficar dividido entre os dois países.
Quando estás em Portugal, de que sentes mais saudades do Brasil? E quando estás no Brasil, o que te faz falta daqui?
Quando estou em Portugal, tenho saudades da família, dos amigos de infância, de conviver, sair, rir e divertir-me. Tenho também saudades do contacto com a natureza, tão presente na minha região, no interior do Maranhão. Costumo ficar nas fazendas dos meus tios e sinto-me muito acarinhado por eles. Talvez por passar tanto tempo fora, quando chego, o carinho é ainda mais intenso. Por outro lado, quando estou no Brasil, sinto falta do ritmo de Portugal, das digressões, do estúdio, da televisão e dos fãs. As redes sociais ajudam a aproximar-nos, mas, se passo muito tempo no Brasil, começo a ter vontade de regressar e estar perto do público português.
O sucesso de «O Bicho» fez com que ficasses conhecido como «o Bicho dos portugueses». Sentes que a canção se tornou quase inseparável da tua imagem?
As pessoas tratam-me com um carinho enorme. Senti isso de forma muito especial na digressão deste ano, que era muito aguardada depois do susto de saúde que vivi. Muitas pessoas queriam abraçar-me e demonstrar esse cuidado, como se eu fosse alguém da família. Acho que não existe uma separação muito grande entre o Iran enquanto pessoa e o Iran enquanto artista. A música faz parte de mim, e quero continuar a dedicar-me a ela durante muitos anos.
Celebraste 30 anos de carreira com o álbum «Best Of». Quando olhas para trás, qual é o primeiro sentimento que surge?
Sinto realização. Olho para a história que construí e penso que consegui concretizar um sonho. Recordo momentos muito bons, mas também as dificuldades do início. Nada acontece de um dia para o outro: em qualquer profissão, quando fazemos aquilo de que gostamos, é preciso trabalhar e conquistar o nosso espaço até sermos reconhecidos. No meu caso, a chegada a Portugal aconteceu em 1992 e, em 1995, deu-se a explosão de «O Bicho». Olho para todo esse percurso como uma grande aprendizagem, que me transformou na pessoa e no artista que sou hoje.
Se pudesses voltar atrás e falar com o Iran Costa que chegou a Portugal nos anos 90, que conselho lhe darias?
Dir-lhe-ia para fazer tudo exatamente como fez. Houve muita dedicação, fé, vontade e confiança. Sempre acreditei que um dia ia conseguir, por isso não mudaria nada. Repetiria tudo, porque resultou. Acredito que voltaria a dar certo.
Qual é o maior desafio de manter uma carreira durante tantos anos: inovar ou continuar a surpreender quem já te conhece tão bem?
Temos de surpreender. Costumo dizer que não gosto de ir até aos 100%; prefiro chegar aos 99% e deixar uma margem para o público ainda se poder surpreender com aquilo que preparo. Nem sempre é fácil, mas quero continuar a fazê-lo. Ainda tenho muitas coisas que gostaria de criar para o meu público.
Em 2025, um problema de saúde obrigou-te a parar para recuperar. Como viveste o regresso ao palco?
Antes do primeiro espetáculo estava muito ansioso e com medo. Depois de uma situação destas, é natural ficarmos com receios. Segundo a equipa médica, não havia uma patologia conhecida que fizesse prever o enfarte; foi algo inesperado. As doenças vasculares podem ser silenciosas e é importante estarmos atentos. Ao mesmo tempo, senti uma enorme onda de carinho e força por parte das pessoas. Percebi que o público tinha sido verdadeiro comigo ao longo de todos estes anos e que estava à minha espera.
Chegaste a perguntar ao médico se podias voltar a dançar em palco?
Claro! A minha carreira foi construída com música, dança e coreografias. Perguntei ao médico se podia dançar, porque não me imaginava em palco durante uma hora, parado, sem me mexer. Ele tranquilizou-me e disse que estava preparado para regressar. O primeiro espetáculo foi no Carnaval, em Portugal, mais de seis meses depois do problema de saúde. Até houve um médico disfarçado, a acompanhar-me durante o espetáculo e a fazer-me sinal de que estava tudo bem. Foi muito bonito. O carinho do público foi indescritível.
Lançaste «Bicho é Forte», uma canção cujo título parece resumir muito do que viveste. Quiseste transmitir uma mensagem de superação?
Sim. Quis transmitir uma mensagem às pessoas que passam por problemas e precisam de incentivo, força e confiança para acreditar que são capazes de os ultrapassar. A canção fala também da minha experiência. O ser humano tem uma força interior enorme. Às vezes sentimo-nos em baixo ou abalados, mas temos de ter fé e procurar forças para seguir em frente. Não podemos baixar os braços.
A recuperação mudou a forma como aproveitas cada concerto e cada abraço do público?
Sem dúvida. No final do ano vou de férias para estar com a família e procurar inspiração. Quero dar espaço à criatividade e regressar em 2027 com um novo espetáculo, novas ideias e novas músicas. Ainda temos muitos momentos felizes para partilhar com o público.
O teu novo tema chama-se «Eu Vou Pegar Você» e recupera a energia dançável que o público associa a ti. É esse o espírito que queres manter nesta fase?
Sim, vou continuar a ser o Iran que toda a gente conhece. Isso não significa que não queira experimentar outras coisas: tenho ideias para fazer um trabalho diferente, mas tudo a seu tempo. Para já, quero continuar a levar alegria às pessoas. Gostava que, enquanto ouvem a minha música ou assistem a um espetáculo, dançassem, se divertissem e saíssem de lá felizes, mesmo que saiam tão suadas como eu em cima do palco!
«Eu Vou Pegar Você» foi criado em parceria com Daniel Duarte e mistura dance music, funk e electrofunk. Gostas de experimentar sonoridades diferentes sem perder a tua identidade?
Gosto de procurar influências que acrescentem algo e me ajudem a inovar. Ao longo destes mais de 30 anos, gravei mais de 300 músicas e fui buscar inspiração à música latina, ao reggaeton, ao funk e à música eletrónica, entre outros estilos. Trabalho com o Daniel há muitos anos e ele, tal como o nosso diretor, Paquito, sempre esteve aberto a experimentar. «Eu Vou Pegar Você» tem essas influências, mas mantém a marca do Iran Costa: quando as pessoas ouvem os primeiros acordes, sabem que sou eu. Já há ideias novas para o próximo ano, mas ainda não posso revelar muito.
Achas que «Eu Vou Pegar Você» pode fazer frente ao sucesso de «O Bicho»?
«O Bicho» vai ficar para sempre. Todos os grandes artistas têm uma canção especial, um grande sucesso. «O Bicho» é intocável. Fico muito feliz por ver que as crianças também gostam e que a música continua a passar de geração em geração. Sinto que deixei ao meu público essa alegria como uma espécie de herança.
Quando não estás a trabalhar, consegues descansar em casa ou gostas de estar sempre rodeado de pessoas? E que música ouves em privado?
Passo pouco tempo em casa. Durante as digressões, vivemos entre hotéis, aviões e estradas. Nos tempos livres, gosto de ir ao cinema e de estar com os amigos, porque gosto de estar rodeado de pessoas. Como trabalhei muitos anos na rádio, aprendi a gostar de vários estilos musicais. Ouço música clássica, Céline Dion, música italiana e Andrea Bocelli, por exemplo. Ultimamente, tenho ouvido muitas baladas dos anos 70 e 80, que me fazem recordar a época em que trabalhava na rádio.
O público português acompanha-te há décadas. O que gostarias de lhe agradecer?
Agradeço tudo o que tenho, tudo o que sou e tudo o que consegui. Cheguei a Portugal ainda muito novo e, quando olho para trás, sinto sobretudo gratidão. Tudo aquilo que conquistei foi também construído aqui. Portugal está no meu coração para sempre e tenho muito orgulho na forma como fui recebido. Quando vou ao Brasil, falo muitas vezes sobre isso nas rádios e nas entrevistas. Fui ficando, trabalhando e construindo a minha vida, sem estabelecer uma data para regressar definitivamente.
Ainda tens sonhos profissionais por concretizar? E continuas a sentir nervos antes de entrar em palco?
A vida faz-se de sonhos: concretizamos um e aparece logo outro pelo qual lutar. Quero continuar muitos anos na música e a subir ao palco. E sim, continuo a sentir aquele nervoso miudinho, como se fosse a primeira vez. Nunca sabemos como o público vai reagir. Há quem goste de assistir e aplaudir no final, e há quem queira saltar, dançar e participar. Só percebemos a energia da sala quando entramos em palco. É preciso estratégia e jogo de cintura para manter o espetáculo vivo durante uma ou duas horas, mas, felizmente, tenho conseguido.
Se pudesses preparar um concerto especial com convidados, que artistas portugueses gostarias de ter contigo?
Já tive a honra de gravar com a Rosinha o tema «Meu Bicho Teu Pacote». Gostava de fazer outras colaborações com artistas portugueses e, quem sabe, um dia preparar um concerto com alguns deles. Talvez possamos surpreender o público num futuro próximo. Vamos torcer!
Para terminar, o que podemos esperar de Iran Costa nos próximos meses?
Ainda temos alguns concertos até dezembro. Depois vou ao Brasil, para estar com a família, descansar e preparar novas ideias. «Eu Vou Pegar Você» acabou de sair e vamos trabalhar para que chegue ao maior número de pessoas possível, através das rádios, da televisão e das redes sociais. O videoclipe é feito em animação e inclui vários bichinhos; as crianças estão a gostar muito e já há pessoas a partilhar vídeos a dançar a música no TikTok, o que é um excelente sinal. Quando regressar para o verão, espero apresentar mais uma grande novidade.
Ao longo de mais de três décadas de carreira, Iran Costa conquistou o público português com a sua energia contagiante e sucessos intemporais, como «O Bicho». Depois de ultrapassar um problema de saúde, o cantor regressou aos palcos com uma vontade renovada de continuar a fazer aquilo que mais gosta: música. Com o novo tema «Eu Vou Pegar Você» e novos projetos já em preparação para 2027, Iran Costa promete continuar a surpreender, sem perder a alegria e a identidade que o tornaram tão especial para várias gerações. Uma carreira marcada pela dedicação, pela gratidão a Portugal e pela certeza de que ainda há muitos sonhos por concretizar.
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