xxMia encontra a sua própria voz em ''Moonlogue''

Entre a vulnerabilidade e a força, o passado e o futuro, xxMia apresenta "Moonlogue", o seu primeiro álbum a solo. Um disco de identidade, liberdade e afirmação, criado sem inteligência artificial e profundamente ligado à experiência humana.
Há momentos na vida de um artista em que já não é possível continuar a dividir a narrativa. É preciso parar, olhar para dentro e assumir a própria voz. É precisamente desse lugar que nasce Moonlogue, o primeiro álbum a solo de xxMia, nome artístico de Ana Margarida, artista independente natural de Santo Tirso, que chegou às plataformas digitais no passado dia 28 de agosto.
Aos 25 anos, xxMia inicia uma nova fase do seu percurso com um trabalho que é, acima de tudo, uma declaração de identidade. Depois de experiências em duos e projetos de banda, a artista assume agora o centro da sua própria história, sem a necessidade de se adaptar às expectativas de quem está à sua volta.
Moonlogue nasce dessa vontade de liberdade: a liberdade de experimentar, de mudar, de ser vulnerável, de ser confiante e, sobretudo, de existir em todas as suas diferentes versões.
Entre o monólogo e a lua
O título do álbum encerra em si mesmo todo o conceito do projeto. Moonlogue é um jogo de palavras entre "monologue" — monólogo — e "moon" — lua.
O monólogo representa a voz de alguém que decide, finalmente, contar a sua própria história. Depois de anos a partilhar projetos e narrativas musicais, xxMia assume agora o controlo total daquilo que quer dizer.
A lua representa uma ligação igualmente profunda. Símbolo de transformação, feminilidade, vulnerabilidade e força, a lua acompanha a artista como uma metáfora para as diferentes fases da vida.
A lua não pede autorização para mudar de fase. xxMia também não.
É nessa ideia de transformação e liberdade que o álbum encontra uma das suas principais forças.
Um disco profundamente humano
Mais do que uma estreia a solo, Moonlogue é também um manifesto de autenticidade.
Num momento em que a Inteligência Artificial começa a ocupar cada vez mais espaço na criação artística, xxMia decidiu fazer precisamente o contrário: não utilizar IA em nenhuma parte do processo de criação do álbum.
A escolha é consciente e está intimamente ligada àquilo que pretende transmitir. Moonlogue quer ser humano, com todas as suas imperfeições, emoções e fragilidades. Quer nascer de experiências reais e de sentimentos que não podem ser reproduzidos por uma máquina.
É uma obra onde a identidade da artista não está apenas nas letras ou nas melodias, mas também na própria forma como decidiu construir o projeto.
Uma comunidade dentro do álbum
A dimensão pessoal de Moonlogue cruza-se ainda com uma forte componente de comunidade e representação.
Enquanto mulher trans, xxMia procurou envolver no projeto artistas independentes e queer com quem partilha não apenas uma ligação criativa, mas também experiências, valores e formas de olhar para o mundo.
Essa colaboração torna-se parte integrante da identidade do álbum, que procura criar um espaço onde diferentes pessoas possam existir, criar e expressar-se livremente.
Num contexto em que essa liberdade nem sempre é garantida, Moonlogue assume também uma dimensão de resistência através da própria existência e da criação artística.
Oito faixas, muitas versões de xxMia
Musicalmente, o álbum recusa ficar preso a uma única fórmula.
As oito faixas, seis temas originais, um interlúdio e um cover, percorrem diferentes territórios sonoros e emocionais, permitindo descobrir várias versões da artista.
"Let You Go" e "Ain't Stopping" mostram um lado mais arrojado e afastado de alguns dos registos anteriormente associados a xxMia. Já "Ficar" recupera uma música apresentada anteriormente noutros projetos, agora revisitada dentro desta nova identidade.
Há também espaço para a intimidade e para a memória. "Father", "Interlude: Afonso" e "Glory Days (Maki's Version)" destacam-se pela sua dimensão mais pessoal, funcionando como momentos de homenagem, reflexão e ligação ao passado.
O resultado é um álbum que não pretende contar apenas uma história. Pretende mostrar várias.
A mulher vulnerável. A mulher confiante. A artista que olha para trás. A artista que quer avançar. A pessoa que ainda está a descobrir quem é e aquela que já sabe que não precisa de caber numa única definição.
O início de uma nova era
Antes de chegar ao digital, Moonlogue teve apresentação física em julho de 2026, preparando o caminho para o lançamento digital de 28 de agosto.
Agora, o álbum chega a um público mais vasto como o retrato de uma artista que decidiu deixar de pedir espaço e simplesmente ocupá-lo.
xxMia não procura apresentar uma versão perfeita de si mesma. Pelo contrário: abraça as mudanças, as contradições e as diferentes fases que fazem parte de qualquer percurso humano.
E talvez seja precisamente essa a essência de Moonlogue: não escolher entre as várias versões de si própria, mas permitir-se ser todas elas.
Uma estreia a solo que é simultaneamente álbum, descoberta e afirmação. Um primeiro grande monólogo de xxMia, sob a luz da lua.
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