Rocim x Emersivo celebrou a cultura emergente no Baixo Alentejo

A Herdade do Rocim abriu portas, no passado dia 15 de agosto, para receber a segunda paragem da segunda edição do Festival Emersivo, em 2026. O Rocim x Emersivo reuniu cerca de 300 visitantes numa jornada que cruzou música, literatura, vinho e gastronomia, celebrando a criatividade e a cultura emergente num dos espaços vínicos mais emblemáticos do Baixo Alentejo.
A programação arrancou durante a tarde com Letras a Tinto, um encontro dedicado à escrita e à partilha de dez novas vozes da literatura: Armando Correia, Cátia Guerreiro, Edson Kiala, Goretti Pina, Luís Ene, Maria Seixas Correia, Sara Martins, Simone Martins, Stefanie Santos e Tiago Marcos. O encontro começou com um almoço literário, prosseguiu com uma oficina criativa e terminou numa conversa pública sobre os desafios de ser autor, perante uma sala cheia.
A música entrou depois em cena pela mão de Marta Lima, que regressou ao Festival Emersivo depois de ter integrado a programação da passagem por Faro, em 2025. Num formato intimista, a artista abriu a componente musical do evento, dando o mote para uma noite marcada pela diversidade de linguagens e sonoridades.
Seguiu-se David Garcez, com um concerto emotivo onde a sua identidade artística se revelou através do cruzamento entre as raízes da música portuguesa e influências da pop contemporânea.
A palavra voltou a assumir o protagonismo com Vértebra, projeto de spoken word formado por Tiago Marcos e Kijota. Entre poesia, interpretação e música, o duo apresentou uma performance construída em torno do ritmo, da expressão e da força das palavras.
O grande momento da noite chegou com os Recante, acompanhados pelo grupo coral Raízes do Cante, de Cuba. A atuação colocou em diálogo o cante alentejano e a música eletrónica, juntando as vozes tradicionais do grupo coral à abordagem contemporânea que caracteriza o projeto Recante. O resultado foi um dos momentos mais marcantes de uma noite dedicada ao encontro entre tradição e inovação.
A programação prosseguiu com Mirage People, projeto que se estreou em palco precisamente no Festival Emersivo, em Vila Ruiva, no ano anterior. A formação levou à Herdade do Rocim uma proposta eletrónica e experimental, marcada por texturas sonoras e ambientes cinematográficos, dando continuidade ao percurso iniciado com o lançamento do EP de estreia, Beyond The River.
O encerramento ficou entregue a João Melgueira, responsável por um DJ set que manteve a energia do público até ao final do evento.
Mais do que a música e a literatura, o Rocim x Emersivo procurou proporcionar uma verdadeira experiência de identidade alentejana. Os vinhos da Herdade do Rocim e a gastronomia regional, apresentada pelo chef João Mourato, assumiram também um papel de destaque, aproximando os visitantes dos sabores e tradições da região.
Depois de ter arrancado em Louro, Vila Nova de Famalicão, a segunda edição do Festival Emersivo regressou ao concelho de Cuba, onde já tinha marcado presença em 2025. A passagem pela Herdade do Rocim reforçou assim a natureza itinerante do festival e a sua missão de levar novas propostas artísticas a diferentes territórios do país.
Com uma programação que cruza música, literatura, palavra, gastronomia e património, o Emersivo continua a afirmar-se como um espaço de descoberta e encontro para artistas e públicos, apostando na divulgação da cultura emergente e na criação de experiências fora dos circuitos convencionais.
Para 2026 estão ainda previstas pelo menos mais duas paragens, que serão anunciadas brevemente.
Fotos: Mafalda Castro
