Mais de 25 mil vozes, uma só celebração: Os Quatro e Meia fazem história na MEO Arena

Os Os Quatro e Meia regressaram à MEO Arena nos dias 13 e 14 de fevereiro para dois concertos esgotados que confirmaram o momento sólido que o sexteto de Coimbra atravessa. Perante mais de 25 mil pessoas, a banda transformou o Dia dos Namorados numa celebração coletiva de romantismo, humor e cumplicidade.
Uma história viva em palco
Longe de se limitarem a um alinhamento de sucessos, os espetáculos foram pensados como uma narrativa contínua. Numa divertida premissa cénica, o manager "enviava" a banda para a fictícia Escola do Romantismo, numa missão para provar que eram dignos de atuar na maior sala do país na noite mais romântica do ano. Curtas-metragens exibidas entre canções reforçaram o tom cinematográfico do concerto, criando uma experiência imersiva onde cada detalhe da luz ao texto serviu a história.
O palco em formato 360º, montado no centro da arena, aproximou músicos e público como raramente se vê naquele espaço. Em "A Terra Gira", as luzes apagaram-se e a sala iluminou-se apenas com as lanternas dos telemóveis, num momento de comunhão que fundiu vozes e instrumentos numa energia contagiante. A meio do concerto, uma inesperada ovação de pé sublinhou o impacto emocional da atuação.
Houve ainda espaço para homenagens às mães e aos pais, canções que atravessam gerações e um final em modo de celebração, com toda a arena de pé a dançar ao som de "Baile de São Simão" e "Sentir o Sol". O carácter profundamente humano da banda ficou evidente em cada instante.
Convidado especial e tributo a Florbela
Um dos momentos altos foi a entrada em palco de Luís Represas, convidado especial para interpretar, ao lado d'Os Quatro e Meia, a versão de "Perdidamente", recentemente editada no álbum Florbela, disco de homenagem à poetisa Florbela Espanca. A colaboração acrescentou ainda mais simbolismo a um concerto já carregado de emoção.
Mais do que duas atuações, o que se viveu na MEO Arena foi um sentimento de pertença. Durante duas horas, o público fez parte de algo maior, uma celebração coletiva onde música, narrativa e proximidade se fundiram.
Depois da arena, o regresso às raízes
Se os concertos em Lisboa já marcaram um momento histórico na carreira da banda dez anos após o lançamento de Pontos nos Is, álbum de estreia, e no ano em que celebram 13 anos de percurso, o próximo capítulo aponta noutra direção.
Após conquistarem a maior sala do país em dose dupla, Os Quatro e Meia anunciam a digressão "Interior", um regresso às origens em formato acústico e intimista. A tour vai percorrer dez cidades de norte a sul, reforçando a proximidade com o público que sempre definiu a identidade do grupo.
DIGRESSÃO
"INTERIOR"
06 de novembro de 2026 — Europarque, Santa Maria da Feira
13 de novembro de 2026 — Centro Cultural de Viana do Castelo
14 de novembro de 2026 — Multiusos de Guimarães
18 de dezembro de 2026 — Centro Cultural Olga Cadaval, Sintra
19 de dezembro de 2026 — Coliseu de Elvas
16 de janeiro de 2027 — Coliseu Micaelense, Açores
23 de janeiro de 2027 — Centro Cultural de Caldas da Rainha
30 de janeiro de 2027 — Convento de São Francisco, Coimbra
06 de fevereiro de 2027 — Teatro das Figuras, Faro
13 de fevereiro de 2027 — Arena de Póvoa de Varzim
Em salas mais pequenas e num ambiente despido de artifícios, o sexteto promete espetáculos pensados para serem sentidos e partilhados de forma ainda mais próxima. Mas as duas noites na MEO Arena já ficaram gravadas como um dos capítulos mais marcantes da sua trajetória, duas datas que provaram que Os Quatro e Meia conseguem transformar qualquer palco num verdadeiro ponto de encontro humano e genuíno.
Think Out Loud | Fotos: Sebas Ferreira
