Festival F 2026: Faro voltou a transformar-se num grande palco de música e cultura

09-09-2026

Milhares de pessoas passaram pela 11.ª edição do Festival F, que decorreu entre 3 e 5 de setembro, na Vila Adentro, em Faro. Com 67 concertos distribuídos por sete palcos, o festival voltou a ocupar ruas, praças e largos do centro histórico, transformando a cidade num grande palco ao ar livre e celebrando a diversidade da música portuguesa e lusófona.

Durante três dias, Faro foi ponto de encontro para diferentes gerações, estilos e geografias musicais. O cartaz do Festival F 2026 reuniu alguns dos nomes mais marcantes da música portuguesa, artistas em plena afirmação e projetos que se estrearam no festival, num programa que atravessou a pop, o hip hop, o fado, o rock, a eletrónica e o jazz.

Slow J, Carminho e Orquestra do Algarve, Bárbara Tinoco, Wet Bed Gang, The Gift, Clã, Moonspell, Nelson Freitas, Tz da Coronel, Papillon, HMB, D.A.M.A, Branko, Chico da Tina, ÁTOA, Ricardo Ribeiro e Orquestra de Jazz do Algarve, Maninho, Mind da Gap e Danni Gato foram alguns dos grandes nomes que marcaram esta edição.

Mais do que concentrar a programação num único recinto, o Festival F voltou a assumir a própria cidade como parte essencial da experiência. Entre muralhas, ruas históricas, praças e edifícios emblemáticos, o público foi convidado a percorrer Faro ao ritmo da música, descobrindo diferentes propostas ao longo do caminho.

Dois encontros especiais com o fado

Entre os momentos mais aguardados estiveram dois concertos concebidos especialmente para esta edição e para a cidade de Faro.

A 4 de setembro, Ricardo Ribeiro subiu ao palco acompanhado pela Orquestra de Jazz do Algarve, num encontro que cruzou a tradição do fado com a linguagem do jazz e colocou em diálogo uma das grandes vozes do género com uma formação profundamente ligada à região.

No dia seguinte, foi a vez de Carminho apresentar um concerto com a Orquestra do Algarve. Dois momentos distintos, mas unidos pela mesma ideia: aproximar grandes intérpretes do fado de formações musicais com uma forte ligação ao Algarve.

Portugal, Brasil, Cabo Verde e a força da lusofonia

A diversidade geográfica foi também uma das marcas desta edição.

A presença de Tz da Coronel, a 4 de setembro, voltou a reforçar a histórica ligação musical entre Portugal e o Brasil, enquanto Nelson Freitas, na mesma noite, trouxe a Faro a sonoridade e a identidade de um dos nomes de referência da música cabo-verdiana contemporânea.

A aposta na lusofonia ganhou, assim, uma expressão particularmente forte no Festival F 2026, antecipando também uma das linhas de orientação para a próxima edição.

Ao mesmo tempo, o festival manteve uma forte aposta na criação algarvia. Cerca de 30% do cartaz foi composto por artistas da região, numa representação que refletiu a vitalidade e a diversidade da música que continua a nascer no Algarve.

Da descoberta à madrugada

O regresso do Palco Fábrica reforçou a vertente de descoberta do Festival F, juntando-se aos palcos Museu, Arco e Músicos.

Por estes espaços passaram nomes como Lana Gasparøtti, Femme Falafel, Mães Solteiras, SOTTO, Pelados, INHUMAN, Mirage People, Daniel Kemish, Latte, akur, Espama Trincana, IBSXJAUR, Puntzchick e Untitled.

A programação incluiu ainda PAUS, Irina Barros, ALCOOL CLUB, Lucas Ortet, ARAGÃO, Bizarra Locomotiva, Camaleão Azul e King Bigs, entre muitos outros projetos.

Com propostas muito diferentes entre si, estes palcos deram ao público a possibilidade de descobrir novos sons e acompanhar artistas que representam diferentes momentos e linguagens da música contemporânea. E, noite dentro, a música continuou a ecoar pelas ruas da Vila Adentro.

Música, conversa e arte fora dos palcos

O Festival F não se fez apenas de concertos.

Ao longo dos três dias, as ruas da Vila Adentro receberam também três tertúlias dedicadas à música e à reflexão sobre o setor. A primeira, a 3 de setembro, teve como tema "Música no Feminino".

No dia seguinte, Manuela Azevedo, Fernando Ribeiro e Martim Sousa Tavares juntaram-se numa conversa que colocou lado a lado universos tão distintos como o pop, o metal e a música erudita.

A 5 de setembro, foi a vez do Hip Hop Nacional estar no centro da discussão.

A programação paralela estendeu-se ainda ao Artists & Fleas, na Rua Galp, ao Fagar Kids F, no Largo de São Francisco, e às exposições no Museu Municipal de Faro e na Galeria Municipal Trem "Manuel Baptista".

A arte esteve igualmente representada através da exposição da ALFA e da mostra da fotógrafa Kathryn Barnard, na Galeria Arco. No Palco Fábrica, o videomapping apresentado pela Fuse – design lab acrescentou uma dimensão visual à experiência do festival.

Entre concertos, o público encontrou ainda street food no Largo Afonso III, arruadas, dança, poesia e a atuação do Grupo Coral Ossónoba, que levaram diferentes expressões artísticas para as ruas.

Faro como parte do espetáculo

É precisamente nesta relação entre música, cidade e património que reside uma das características mais fortes do Festival F.

Durante três dias, a Vila Adentro deixou de ser apenas o cenário para os concertos e passou a fazer parte do próprio espetáculo. As ruas históricas, as muralhas e os edifícios emblemáticos de Faro transformaram-se em pontos de encontro, enquanto artistas e público partilharam uma proximidade difícil de reproduzir num festival convencional.

A cidade foi, simultaneamente, palco, cenário e protagonista.

E, ao fundo, a Ria Formosa, que abraça Faro, completou uma experiência que procurou mostrar a cidade para lá da música, valorizando também o seu património, a sua história e a sua riqueza natural.

Um festival com os olhos postos em 2027

Organizado pela Câmara Municipal de Faro, Ambifaro e Teatro das Figuras, o Festival F 2026 reforçou a identidade que tem vindo a construir ao longo de mais de uma década: valorizar a criação artística, dar espaço a novos talentos e contribuir para o desenvolvimento cultural e social de Faro, do Algarve e do país.

Depois de uma 11.ª edição marcada pela diversidade musical, pela forte presença de artistas algarvios e por uma aproximação cada vez maior à lusofonia, o festival já tem encontro marcado para 2027.

A 12.ª edição do Festival F realiza-se nos dias 2, 3 e 4 de setembro de 2027, mantendo o compromisso com a música portuguesa e reforçando a aposta na lusofonia.

A resposta muito positiva do público à aproximação feita nesta edição deverá contribuir para consolidar o diálogo do festival com as diferentes geografias da língua portuguesa.

Faro prepara-se, assim, para voltar a abrir as portas da Vila Adentro à música. E, mais uma vez, durante três dias, a cidade deverá voltar a ser muito mais do que o lugar onde acontece um festival: será parte integrante do espetáculo.

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