Festival da Sardinha bate recorde com mais de 145 mil entradas

A 30.ª edição do Festival da Sardinha, que decorreu de 4 a 9 de agosto na Zona Ribeirinha de Portimão, bateu o recorde de visitas do evento, com 145.729 entradas registadas nos pórticos ao longo dos seis dias. O último dia foi também o de maior afluência, com 36.331 entradas.
Portimão despediu-se, no domingo, 9 de agosto, da 30.ª edição do Festival da Sardinha com números históricos. Ao longo dos seis dias do evento, os pórticos contabilizaram 145.729 entradas, ultrapassando o anterior máximo de 133 mil, registado em 2024, e ficando igualmente muito acima das cerca de 110 mil entradas contabilizadas em 2022.
O domingo foi o dia de maior afluência, com 36.331 entradas. O pico de permanência no recinto aconteceu pelas 23h15, quando estavam contabilizadas 20.095 pessoas, muitas das quais se concentraram para assistir ao concerto dos Xutos & Pontapés, que encerrou a programação musical do palco principal.
Mais do que um festival gastronómico, a iniciativa voltou a afirmar-se como um dos grandes acontecimentos culturais e de animação do verão algarvio, mantendo a entrada livre e reunindo música, gastronomia, tradição, artesanato e atividades para toda a família.
Uma edição marcada pela memória de Portimão
A 30.ª edição arrancou a 4 de agosto com a tradicional Recriação da Descarga da Sardinha, no Cais Gil Eanes, numa iniciativa promovida pela Câmara Municipal de Portimão, através do Museu de Portimão.
A recriação voltou a transportar o público para a época em que a pesca e a indústria conserveira tinham um papel fundamental na economia e na vida social da cidade.
Este ano, a iniciativa envolveu cerca de 70 figurantes, embarcações de pesca, trajes e equipamentos da época e 600 quilos de sardinha fresca. No final, cumpriu-se ainda o tradicional alar da rede, acompanhado pelo canto de trabalho "Arribalé".
O trabalho desenvolvido pelo Município e pelo Museu de Portimão nesta recriação já tinha sido distinguido em 2020 com uma menção honrosa da APOM – Associação Portuguesa de Museologia, na categoria de "Inovação e Criatividade".
A iniciativa contou com a parceria da Docapesca – Portos e Lotas, S.A., que disponibilizou 500 quilos de sardinha fresca para a recriação.
Foram também distribuídas 3.000 senhas gratuitas, cada uma dando direito a duas sardinhas no pão e uma bebida, para utilização nos espaços de restauração do festival.
2,5 toneladas de sardinha consumidas
A gastronomia voltou a ser uma das principais razões para a visita ao festival.
Durante os seis dias, foram consumidos 2.515 quilos de sardinha, confecionados pelas cinco coletividades do concelho presentes no recinto.
A tradicional sardinha assada, servida no prato ou no pão, voltou a ser a grande protagonista, acompanhada por outros petiscos e propostas gastronómicas das associações locais e dos expositores.
A oferta incluiu ainda doces e produtos do setor agroalimentar regional.
A gastronomia ganhou também uma vertente de criatividade através do showcooking, onde chefs apresentaram diferentes interpretações da sardinha, entre elas Consommé de Sardinha, Salada de Sardinha, Pudim de Sardinha e Sardinha Hot Dog.
Os números relativos às entradas nos pórticos não incluem, contudo, os milhares de pessoas que frequentaram os restaurantes aderentes e os diversos espaços de animação espalhados pela zona ribeirinha da cidade, como o Petinga Park e o palco "Música no Jardim".
Música para milhares de pessoas
A música voltou a ocupar um lugar central na programação.
No palco principal passaram nomes como Matias Damásio, Némanus, Átoa, Cuca Roseta, Fernando Daniel e Xutos & Pontapés, enquanto os artistas da região asseguraram diariamente a primeira parte dos concertos.
Antes da programação no recinto, o "Música no Jardim" levou atuações ao Jardim 1.º de Dezembro, em frente ao Teatro Municipal de Portimão, entre as 18h30 e as 19h30.
A Alvor FM voltou a assumir o papel de rádio oficial do Festival, assegurando a animação musical, entrevistas e a transmissão em direto de grande parte dos concertos.
Um festival para toda a família
A programação estendeu-se ainda ao artesanato, aos produtos regionais e às atividades para crianças e famílias.
O Petinga Park disponibilizou uma pista de arborismo, pista de obstáculos, insufláveis, ateliers, incluindo o "Algarve – Arte e Memória", e outras atividades artísticas relacionadas com o festival.
A zona de expositores reuniu igualmente propostas de artesanato, produtos não alimentares e produtos agroalimentares regionais.
Mais de metade dos resíduos encaminhados para reciclagem
A sustentabilidade foi outro dos eixos da 30.ª edição.
Desde 2022 que o Festival da Sardinha assume práticas mais sustentáveis, através de um compromisso entre a Câmara Municipal de Portimão e a EMARP – Empresa Municipal de Água e Resíduos de Portimão.
Segundo os dados apurados pela EMARP, nesta edição foram produzidos 19.560 quilos de resíduos. Deste total, 10.740 quilos foram encaminhados para valorização e reciclagem, o equivalente a uma taxa de 55%.
Para aterro foram encaminhados 8.820 quilos de resíduos indiferenciados.
O resultado mereceu destaque por parte do Município, que considera demonstrada a possibilidade de conciliar o crescimento do evento com uma maior preocupação ambiental.
"O melhor resultado de sempre"
Em balanço da 30.ª edição, o presidente da Câmara Municipal de Portimão, Álvaro Bila, destacou o caráter coletivo dos resultados alcançados.
"Chegámos à 30.ª edição com o melhor resultado de sempre. Estes números são das coletividades, dos expositores e de todos os que trabalharam no Festival", afirmou o autarca, sublinhando ainda a ligação do evento à população local.
"Após trinta anos, o Festival continua a ser feito pelas pessoas de Portimão", acrescentou.
Álvaro Bila destacou também os resultados ambientais alcançados nesta edição: "Foi também a edição em que mais resíduos encaminhámos para reciclagem, mais de metade do total. Crescer e ser sustentável não são coisas incompatíveis. É assim que queremos continuar."
Trinta anos depois, a tradição continua
As origens do Festival da Sardinha remontam a 1985, ano em que o evento se estreou em Portimão. Apesar de alguns interregnos, a iniciativa manteve ao longo das décadas uma forte ligação à identidade local, tendo a sardinha como símbolo de uma cidade profundamente marcada pela pesca e pela indústria conserveira.
Na sua 30.ª edição, essa memória voltou a cruzar-se com a cultura contemporânea, a música, a gastronomia, o turismo e a preocupação ambiental.
Com 145.729 entradas, mais de duas toneladas e meia de sardinha consumidas e mais de metade dos resíduos encaminhados para valorização e reciclagem, a edição comemorativa terminou com números recorde.
O Festival da Sardinha regressa à Zona Ribeirinha de Portimão em 2027, estando a próxima edição marcada para 3 a 8 de agosto.
A organização esteve a cargo da Câmara Municipal de Portimão, em parceria com a EMARP – Empresa Municipal de Água e Resíduos de Portimão e a Docapesca – Portos e Lotas, S.A., contando ainda com o apoio da Região de Turismo do Algarve, Delta Cafés e Socialgar Seguros.
