Entrevista com Xana Carvalho

A cantora portuguesa vive uma nova fase da carreira com entusiasmo, confiança e uma enorme vontade de continuar a conquistar o público. Depois da participação no programa Dilema, em 2024, Xana Carvalho assume estar mais segura de si e apresenta agora "Eu Adoro Assim", um single alegre e dançável que celebra a leveza do amor e a importância dos pequenos gestos. Em entrevista, fala sobre mais de duas décadas de carreira, os desafios que enfrentou, a relação com o público, a vida em família e os sonhos que ainda quer concretizar.
Xana, como estás a viver esta nova fase da tua carreira?
Estou a viver a minha carreira de uma forma muito intensa. Estou a conseguir alcançar todos os meus objetivos. Tem sido o concretizar de um sonho e está a correr tudo muito, muito bem.
Cresceste num ambiente muito ligado à música. Lembras-te de um momento em que percebeste que cantar era mesmo o teu caminho?
Estou ligada à música desde muito cedo, mas senti que foi depois da minha participação no Chuva de Estrelas, em 1998, que fiquei mesmo com a certeza de que a música era o caminho certo para mim.
Desde então, tem sido um trabalhar e um batalhar muito firmes. Tenho conseguido alcançar tudo aquilo que tenho desejado.
O público conheceu-te muito jovem no Cantigas da Rua e, mais tarde, no Chuva de Estrelas. Que recordações guardas dessa altura?
Era tudo muito novo. Participar no Cantigas da Rua e no Chuva de Estrelas, naqueles tempos, era o auge. Lembro-me perfeitamente de sentir um orgulho enorme quando soube que tinha sido selecionada.
A própria participação nos programas, perceber como tudo funcionava… Tudo tinha um encanto incrível.
Já passaram mais de duas décadas desde o teu primeiro álbum. Quando olhas para trás, o que mais te orgulha neste percurso?
Orgulho-me de ter feito sempre tudo de uma forma muito apaixonada e muito dedicada. Continuo a trabalhar num sonho que ainda hoje tenho.
Mas também com uma particularidade: fui sempre muito honesta e trabalhei sempre com muita responsabilidade.
Nunca me deslumbrei. Sabia que era um meio muito competitivo, mas foi sempre tudo feito com uma dedicação enorme. Havia alguma inocência e muita ingenuidade no início, mas sempre de uma forma muito honesta. E acho que é disso que mais me orgulho.
Houve uma pausa na tua carreira. Sentiste que esse tempo era importante para regressares ainda mais forte?
Sim. A pausa foi derivada de problemas pessoais e de uma fase muito difícil que atravessei, que me fez crescer à pressa, de uma forma muito violenta, mas que me tornou na mulher que sou hoje.
Depois do meu regresso, senti que tinha perdido ali um bocadinho o comboio, como se costuma dizer. Senti que teria de estar… Era como se estivesse a recomeçar do zero novamente, porque tinha estado muito tempo afastada.
Mas voltei muito mais forte, muito mais consciente e com uma vontade enorme de vencer. E o que é certo é que mantenho ainda hoje esta característica de ser resiliente.
Nunca vi as coisas como garantidas e é uma característica da qual também sinto muito orgulho.
O teu novo single, "Eu Adoro Assim", transmite muita alegria e boa disposição. Era esta a energia que querias passar para o público?
Sim, sem dúvida. Era mesmo esta a energia que eu queria passar, esta mensagem.
"Eu Adoro Assim" fala da leveza do amor e da importância dos pequenos gestos: de um bilhete a dizer "amo-te", de um beijinho logo de manhã ou, por exemplo, de sermos acordados com um pequeno-almoço na cama.
São aqueles pequenos detalhes que fazem com que uma relação se torne grande. E, às vezes, é nos pequenos detalhes que percebemos que as coisas podem funcionar.
No single anterior, "Quero-te Beijar", falávamos muito da paixão e do desejo, que também são importantíssimos numa relação. Neste novo single, "Eu Adoro Assim", falamos daqueles pequenos gestos que considero muito importantes.
O Paquito teve uma ideia incrível ao fazer esta música e, também porque já o conheço há muitos anos, encaixou na perfeição. A própria sonoridade é muito divertida, convida a dançar e tem tudo a ver comigo nesta fase da minha vida. Acho que encaixou que nem uma luva.
Como nasceu esta música? O que te conquistou nela quando a ouviste pela primeira vez?
Fomos construindo esta música pouco a pouco. Como já referi, o Paquito conhece-me há muito tempo e sabe perfeitamente que gosto muito de cantar o amor e de, por vezes, focar alguns detalhes. Foi exatamente isso que ele fez.
Agarrou nesta ideia, trabalhou-a e, depois, no que diz respeito à composição, às escolhas dos instrumentos e ao estilo musical, eu também disse que queria algo muito divertido. Queria passar uma energia e uma alegria que fizessem com que as pessoas sentissem que esta música é leve.
E foi assim que nasceu "Eu Adoro Assim". Fiquei muito feliz com o resultado.
Também tive oportunidade de continuar a trabalhar com uma equipa que já trabalha comigo há algum tempo, a Fluidpix, com quem faço os videoclipes. Apostámos também numa componente mais cómica e divertida, precisamente para transmitir essa leveza.
Acho que conseguimos, porque o resultado ficou incrível.
O refrão fica no ouvido logo à primeira. Já apanhaste alguém a cantar a música sem saber que estavas por perto?
Já, por acaso, já. Muitas vezes. E vou cometer aqui uma inconfidência que se calhar não devia…
Quando esta música saiu, ouvi-a muitas vezes. Antes de ser lançada, ouvi-a imenso em casa, até para ensaiar. As minhas filhas foram quase torturadas com esta música, porque já estavam muito cansadas de a ouvir!
Houve uma altura em que pensei: "Pronto, vou parar um bocadinho de passar a música, coitadas."
E depois havia alturas em que dava comigo a ouvi-las cantar. Eu aproximava-me devagarinho e elas diziam: "Estás a ver? Isto não me sai da cabeça!"
E eu pensava: "Pronto, isso é um ótimo sinal."
E isto acontecia em casa. Depois, nos espetáculos, tenho assistido muitas vezes às pessoas a cantarem a música do início ao fim.
O refrão fica ali quase em loop e as pessoas cantam. E passam realmente a tal mensagem, porque cantam de uma forma alegre e muito participativa.
Isso é fruto de tudo aquilo que temos vindo a fazer. A ideia resultou e é sempre de ficar de coração cheio quando vemos que o público está ali a cantar da forma que sempre desejámos.
O teu estilo mistura pop, dance e influências latinas. É o género onde te sentes verdadeiramente em casa?
Sim, sem dúvida. Sinto-me mesmo muito bem dentro desse estilo, com essas fusões musicais.
Também gosto muito de cantar baladas, é um facto, mas sou muito mais de palco, de dança e de energia. Não consigo estar parada em palco.
Costumo dizer: "O palco é meu, eu vou corrê-lo de um lado ao outro!"
É realmente este estilo musical que faz com que me sinta livre e que me realize sempre que subo a um palco e estou ali a entregar tudo de mim ao público.
Participaste no programa Dilema, da TVI, em 2024. O que é que essa experiência mudou em ti enquanto pessoa?
Enquanto pessoa, tornou-me muito mais confiante e muito mais segura.
Não consigo explicar bem o porquê, porque foi algo que só senti quando saí. O facto de ter estado fechada dentro de uma casa durante seis semanas, sem acesso às pessoas que são mais importantes para mim, criou ali uma solidão.
Mas foi uma solidão que me fez crescer e amadurecer ainda mais. Fez-me adquirir ferramentas que são importantíssimas e indispensáveis para a nossa vida.
Assim que saí, senti essa mudança. Uma segurança muito maior, porque sempre fui muito insegura e tive sempre muito medo de errar.
O que é certo é que consegui sentir essa mudança em mim.
E profissionalmente, o que é que sentiste que mudou?
Senti que o público ficou a conhecer-me melhor. Apesar de já andar na música há muitos anos, há mais de duas décadas, senti que o público ainda não me conhecia verdadeiramente.
Depois da participação no Dilema, senti uma maior disponibilidade por parte do público, uma generosidade e uma curiosidade em querer saber como é o espetáculo da Xana Carvalho, em conhecer mais músicas e em descobrir o meu trabalho.
Foi isso que mudou: uma procura muito maior.
Foi realmente uma oportunidade importantíssima, tanto na minha vida pessoal como na profissional.
Disseste que o programa te tornou mais confiante. Achas que isso também se nota quando sobes ao palco?
Acho que sim.
Apesar de, nos primeiros anos, a inexperiência ainda se sentir, desde sempre que, quando subia ao palco, tudo o que eram inseguranças e medos ficava fora dele.
Podia estar muito insegura ou muito nervosa antes de subir ao palco e sentir tudo isso. Mas, assim que colocava o pé no palco, acontecia algo que sempre disse: parecia que me transformava.
Tornava-me confiante e segura de mim, porque aquele era o momento-chave. Era o momento em que iria dar tudo.
Nesse sentido, não houve uma grande mudança. A entrega continua igual, a confiança em cima do palco mantém-se, assim como a humildade e a gratidão.
Há algum tema teu que nunca pode faltar num concerto porque o público simplesmente não deixa?
Ah, existe! Existe "O Balanço, Mas Não Caio".
Tornou-se uma música obrigatória em todos os espetáculos, em todos os sítios onde vou cantar. É uma música que não pode mesmo faltar no alinhamento e, muitas vezes, tenho de a repetir porque o público assim o pede.
Tornou-se quase a minha bandeira. "O Balanço, Mas Não Caio" está sempre associada à cantora Xana Carvalho e estou muito orgulhosa por ter conseguido alcançar esse marco: ser associada a uma música que me diz tanto.
O que é que o público pode esperar dos teus concertos em 2026?
Podem esperar muita animação, uma entrega imensa e uma energia incrível em cima do palco, porque são espetáculos muito exigentes a nível físico. Eu não paro e as minhas bailarinas também não param. Entregam-se de uma forma incrível.
Existe ali uma troca de energia, porque nós não descansamos enquanto o público não estiver no ponto que queremos: realmente a divertir-se ao máximo.
Essa troca de energia é algo que se sente e que se vê. Eu posso estar a dar tudo de mim, mas, se o público não estiver a corresponder, não vou descansar até conseguir aquilo que me faça sentir que o trabalho está a ser bem feito.
Por isso, é muito exigente. A adrenalina está sempre no máximo e há uma entrega total.
Muita animação e muita alegria, acima de tudo.
Fora da música, como és, Xana Carvalho? O que gostas de fazer quando desligas dos palcos?
Gosto de fazer muita coisa, mas sou uma pessoa completamente normal. Sou uma mãe de família e tenho duas filhas maravilhosas.
Cuido da minha casa, cuido muito da vida das minhas filhas e do meu marido. Gosto muito de ler, de ir ao teatro e de sair com as minhas filhas e com o meu marido. Gostamos de ir para a praia.
Gostamos muito de viver os quatro. E prezo muito estes momentos porque, normalmente, estou muito tempo fora de casa e na estrada, com concertos. Por isso, sempre que tenho possibilidade, fico muito, muito mesmo, com eles.
Fazemos tudo aquilo que as miúdas querem, passeamos e divertimo-nos imenso.
Mas também prezamos muito aqueles momentos em casa: ver um filme, fazer um jantar especial ou pedir às filhas para cozinharem uma refeição especial, porque eu posso estar cansada.
Somos muito os quatro. Sou muito de família e muito de casa.
Se pudesses gravar um dueto com qualquer artista português, quem escolherias e porquê?
Essa pergunta é difícil de responder, mas tenho aqui algo, uma vontade muito interna que me diz muito.
Sempre admirei muito a Ana Malhoa. Desde sempre. Desde a minha infância. Temos quase a mesma idade e sempre olhei para ela com uma grande admiração.
Gostava muito de fazer um dueto com ela. Fazer uma música explosiva, que acho que nos iria encaixar muito bem.
Por isso, se calhar, a pessoa seria ela. A Ana Malhoa, sem dúvida.
Que ideia gostavas que o público levasse para casa depois de assistir a um espetáculo teu?
Que fossem para casa a dizer: "Grande espetáculo que nós vimos hoje!"
Praia ou
piscina?
Praia.
Lisboa ou
Algarve?
Lisboa.
Palco grande
ou concerto mais intimista?
Epá, não posso dizer os dois? Não tenho escolha, não é?
Como tenho normalmente pisado palcos grandes, não são aqueles com que sonho. O meu grande sonho é pisar um Coliseu.
Mas também gostava de experimentar um palco mais intimista, numa versão acústica. Isso seria desafiante.
Para terminar: uma palavra para definir a Xana Carvalho em 2026?
Gratidão.
Com mais de duas décadas de carreira, Xana Carvalho atravessa 2026 com uma energia renovada, mais confiança e a mesma paixão pela música que a acompanha desde os primeiros passos. Depois de um percurso marcado por desafios, uma pausa e um regresso determinado, a cantora sente-se hoje mais segura e consciente do caminho que quer continuar a construir.
"Eu Adoro Assim" traduz precisamente esse momento: uma canção leve, alegre e dançável, que celebra o amor através dos pequenos gestos e que tem conquistado o público também nos concertos. Entre a música, a família e os palcos, Xana mantém intacta a vontade de continuar a surpreender e a entregar-se por inteiro a quem a ouve.
E se há uma palavra que resume a mulher e a artista que encontramos em 2026, é aquela que a própria escolheu no final desta conversa: gratidão.
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