Entrevista com Tanya

14-05-2026

Com uma carreira que atravessa três décadas, Tanya é um nome incontornável da música popular portuguesa. Do início em Vila Franca de Xira aos palcos de todo o país, passando pelo fenómeno da dupla Tayti e por uma recente redescoberta mediática após a participação no Big Brother Famosos, a cantora tem sabido reinventar-se sem nunca perder a ligação ao público. Agora, apresenta o novo single "Não Quero Ser Chiclete", um tema fresco e atual que reflete não só a sua versatilidade musical, mas também uma visão madura sobre as relações e a sociedade contemporânea. À conversa connosco, Tânia revisita o seu percurso, fala dos desafios e revela ainda um pouco do que está por vir.


Cresceste em Vila Franca de Xira. Que memórias guardas desse início e como é que a música entrou na tua vida?
Guardo essas memórias com muita nostalgia, até porque este ano celebro 30 anos de carreira, já é uma vida. Tudo começou numa festa da escola. Uma professora de Francês desafiou-me a subir a nota e incentivou-me a cantar uma música em francês. Correu tão bem que, pouco depois, já estava a cantar na Rádio Voz de Alenquer temas da Ágata e, em seguida, a fazer primeiras partes de concertos na zona.

A partir daí, tudo aconteceu muito depressa: gravei o meu primeiro CD, fiz uma pequena digressão e acabei por integrar a dupla Tayti, com a qual vivi momentos extraordinários. Olhando para trás, sinto que a minha carreira foi abençoada. Houve pessoas fundamentais, como o senhor Elisário, que acreditou em mim e me emprestou o dinheiro para gravar o primeiro trabalho, numa altura em que os meus pais não tinham possibilidades. Sem esse apoio, talvez tudo tivesse sido diferente.

A tua primeira atuação foi com La Vie en Rose, de Edith Piaf. Ainda hoje essa música tem um significado especial?
Sem dúvida. Apesar de não falar muito francês, sei a letra até hoje. Foi a primeira vez que subi a um palco, que peguei num microfone e que ouvi a minha voz amplificada, uma experiência marcante. Lembro-me como se fosse ontem.

Em 1996 lançaste o teu primeiro CD. O que sentes quando olhas para esse início?
Sinto que tive muita garra e coragem. Nunca tive vergonha de pedir ajuda, e isso foi essencial. Encontrei as pessoas certas, desde a Rádio Voz de Alenquer ao senhor Elisário, passando pela editora e profissionais como o Rui do Cabo e o Rui Machado. Foram eles que acreditaram em mim numa altura em que eu própria ainda não sabia se era "boa o suficiente". Esse reconhecimento deu-me força para continuar.

O projeto Tayti marcou uma geração. Sentes que o público ainda te associa a esse período?
No início, sim. Especialmente quando regressei à televisão, no Big Brother Famosos, muitas pessoas ainda faziam essa associação. Hoje já não tanto, o público acompanha mais a minha carreira atual. Ainda assim, gosto muito quando alguém se recorda dessa fase e me envia fotografias ou memórias.

A participação no Big Brother Famosos em 2022 trouxe-te uma nova visibilidade. Como viveste essa experiência?
Vivi-a de forma muito intensa. Foi uma fase exigente, com muitas viagens entre o Algarve e Lisboa, gravações, entrevistas e concertos. Dormia pouco, mas agarrei todas as oportunidades. Esse esforço valeu a pena: hoje tenho concertos de norte a sul do país e um público muito fiel. O programa deu-me uma visibilidade que eu não esperava recuperar, e sou muito grata por isso.

Sentiste uma mudança no teu público após o programa?
Sim, claramente. Mas não basta participar num programa, é preciso continuar a trabalhar. Sempre fui muito persistente e fui atrás dos meus objetivos com respeito pelos outros. Também contei com o apoio da editora País Real, que foi essencial para estruturar esta nova fase da minha carreira.

O novo single chama-se "Não Quero Ser Chiclete". Como nasceu esta canção?
Nasceu de uma parceria com os Jorge do Carmo e a Nikita, sugerida pelo Paquito. Eu já trabalhava com o David Navarro, mas quis explorar novos caminhos. O resultado foi uma música fresca, perfeita para o verão, que tem funcionado muito bem ao vivo. Foi uma aposta ganha.

A mensagem da música de não aceitar relações superficiais é inspirada em experiências pessoais?
Também. Já estive desse lado e ninguém gosta de ser "chiclete" na vida de alguém. Mas a mensagem vai além das relações amorosas, fala também das relações humanas no geral e até da forma como usamos as redes sociais. Hoje em dia, muitas relações são descartáveis, e isso é algo que quero questionar com esta música.

Musicalmente, há influências de Eurodance. Foi uma escolha intencional?
Sim. Já tinha falado com o Paquito sobre explorar esse estilo. Gosto de diversidade e, nos meus concertos, apresento vários géneros musicais. Acho importante que um artista seja versátil e consiga adaptar-se a diferentes sonoridades.

Este single parece ideal para uma playlist de treino. A tua ligação ao fitness influenciou o som?
Sem dúvida. Durante anos dei aulas de Body Pump, Body Combat e RPM, e essa energia está presente na música. Apesar de já não dar aulas, sinto muitas saudades.

O desporto ajuda na tua presença em palco?
Muito. Tenho muita energia em palco e o desporto ajuda-me a manter essa resistência. Embora esteja numa fase muito ocupada, tento manter uma rotina, porque faz toda a diferença.

Depois de "Não Quero Ser Chiclete", o que podemos esperar de ti ainda em 2026?
Há mais surpresas a caminho, mas ainda não posso revelar. Posso dizer que vão surgir novidades até ao final do ano.

Há planos para um novo álbum?
Sim, há essa vontade. Gostava de reunir num CD físico os temas que tenho lançado digitalmente. Ainda há muitos fãs que valorizam esse formato, nem que seja como recordação.


Três décadas depois do primeiro passo em palco, Tanya continua a provar que a longevidade na música faz-se de resiliência, adaptação e verdade. Entre memórias, novos sons e uma ligação cada vez mais próxima com o público, a cantora segue firme num percurso marcado pela veracidade. "Não Quero Ser Chiclete" é apenas mais um capítulo de uma história que está longe de terminar, a julgar pela energia e ambição, os próximos ainda prometem dar muito mais que falar.

Foto: Direitos Reservados

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