Entrevista com Sara Megre

29-05-2026

Aos 23 anos, Sara Megre já começa a afirmar-se como uma das vozes emergentes mais promissoras da nova pop nacional. Depois do EP Ligações, lançado em 2023, a artista apresenta agora "Incenso", um single que marca uma nova fase artística mais ousada, mais dançável e assumidamente pop.
Nesta conversa, Sara fala sobre crescimento, liberdade emocional, dança, referências musicais e os próximos passos de uma carreira que está apenas a começar, mas que já revela identidade própria.


"Nasci a acreditar que tudo podia ser possível na música"

Tens apenas 23 anos, mas já tens um percurso muito consistente. Quando sentiste pela primeira vez que a música podia mesmo ser o teu caminho?

Acho que começou tão cedo que cresci já a acreditar que tudo podia ser possível no mundo da música. Cantava desde pequenina nos jantares de família e lembro-me de pensar: "Ok, eu quero ser cantora." Sempre senti isso de forma muito natural.

"Tenho carinho pela Sara de 2023"

O EP Ligações marcou o início oficial da tua discografia. Ainda te revês nessa Sara?

Sim, completamente. Apesar de hoje ser uma pessoa diferente e estar numa fase diferente da vida, aquele projeto continua a refletir as minhas referências e experiências. Tenho muito carinho pela Sara de 2023 e pelo Ligações, porque foi um projeto muito importante por ter sido o primeiro.

O que mudou desde os primeiros singles até "Incenso"?

Sobretudo houve crescimento — musical e pessoal. Hoje sinto-me mais livre, mais fora da caixa. "Incenso" representa uma fase mais pop, mais dançável e mais descontraída. Acho que essa evolução se nota muito na sonoridade que tenho escolhido.

"As redes sociais são uma ponte excelente"

O teu crescimento tem sido muito acompanhado nas redes sociais. Como geres essa proximidade com o público?

Adoro estar em contacto com as pessoas. Hoje em dia, as redes sociais são a melhor ferramenta para isso. Permitem-me conhecer quem ouve a minha música e perceber de que forma as canções chegam às pessoas.

A música nunca é só para nós. Quando lançamos uma canção, queremos que alguém a ouça, a sinta e se identifique. Para mim, é importante desenvolver essa relação com o público.

"Percebi logo que estava a entrar numa nova fase"

"Incenso" parece marcar uma nova identidade artística. Sentiste isso durante o processo criativo?

Sem dúvida. Claro que ninguém entra em estúdio a pensar: "Hoje vou tornar-me uma artista pop." Mas quando comecei a criar estas músicas, percebi imediatamente que algo estava diferente.

"Incenso" foi a segunda música desta nova fase e acabou por ser a canção que me fez perceber: "Ok, é este o caminho."

Liberdade emocional e uma nova forma de viver

A música fala muito de liberdade emocional e de sentir antes de pensar. Isso reflete a forma como tens vivido esta fase da tua vida?

Sim. Apesar de "Incenso" não retratar exatamente algo que esteja a viver neste momento, identifico-me muito com essa ideia. Durante muito tempo fui demasiado racional e não me permitia sentir tanto as coisas.

Hoje tento viver de forma mais emocional. Claro que às vezes isso traz desafios, mas também faz parte daquilo que somos enquanto artistas.

"Esta sonoridade surgiu de forma natural"

Musicalmente, "Incenso" aproxima-se mais do Pop Dance, mantendo influências R&B. Foi uma escolha consciente?

Começou de forma muito natural. Entrei em estúdio e comecei a criar músicas mais animadas, talvez porque também me encontrava numa fase mais leve da vida.

Quando percebi que aquela sonoridade fazia sentido para mim, aí sim, tornou-se uma escolha consciente para os próximos lançamentos.

"Tive de voltar a dançar"

Este é também o teu primeiro videoclip coreográfico. Como foi trabalhar o corpo e a performance dessa forma?

Foi incrível. Eu tenho formação em dança desde os oito anos, mas durante muito tempo foquei-me mais na música e na voz.

Quando começaram a surgir estas músicas mais dançáveis, pensei: "Porque não voltar a incluir a dança?" Retomei as aulas este ano e, quando nasceu "Incenso", soube imediatamente que tinha de dançar no videoclip.

Trabalhámos com bailarinas, coreografia e ensaios, mas tudo fluiu muito naturalmente. Gostei mesmo muito do resultado.

"Lançar música exige sempre coragem"

Sentiste que este lançamento exigiu mais coragem da tua parte?

Sem dúvida. Lançar música é sempre um ato muito pessoal. Estamos a mostrar uma parte de nós.

Além disso, já não lançava música há quase um ano e esta nova estética mais pop, mais performativa, mais ligada à dança, representava um desafio diferente. Mas tenho gostado muito da resposta das pessoas.

Entre as Doce e a nova pop internacional

Referes influências internacionais, mas também nomes clássicos portugueses como as Doce. Como juntas esses dois universos?

As Doce marcaram pela irreverência. Tinham letras ousadas, falavam de relações amorosas sem medo e faziam-no com dança, atitude e espetáculo.

Identifico-me com essa liberdade. Quero fazer música sem me preocupar tanto com o que os outros dizem.

Depois há também referências internacionais como Sabrina Carpenter, Tate McRae e Ariana Grande, artistas que criam verdadeiros universos visuais e performativos à volta da música.

"Quero que os meus concertos sejam um espetáculo"

Qual foi até agora o concerto mais marcante da tua carreira?

Enquanto artista a solo, diria o concerto no Musicbox Lisboa, sobretudo porque aconteceu antes do espaço fechar.

Como performer e back vocal, destaco também o festival Summer Opening, pela energia incrível que senti.

A experiência como back vocal de Bispo

Foste back vocal de Bispo em 2022. O que aprendeste dessa experiência?

Aprendi imenso. Ganhei experiência de palco, percebi melhor como funciona a indústria e tudo aquilo que acontece nos bastidores.

Montar um concerto envolve muitas pessoas e essa experiência ajudou-me a crescer muito enquanto artista e enquanto pessoa.

"Um concerto meu tem energia, dança e emoção"

Como descreverias um concerto teu a alguém que nunca te viu ao vivo?

Quero que seja uma experiência completa. Um concerto cheio de energia, mas também com momentos mais intimistas.

Acima de tudo, quero criar ligação com o público e entregar uma performance forte, porque é uma área onde trabalho muito.

O processo criativo

Como funciona normalmente o teu processo de composição?

Depende muito dos dias. Ultimamente tenho gostado mais de compor em estúdio, começando pela melodia e pelo instrumental.

No caso de "Incenso", foi exatamente assim: começámos pelo instrumental e depois nasceu a letra.

A parceria com Luís Brás Teixeira

Voltaste a trabalhar com Luís Brás Teixeira neste tema. O que torna essa parceria tão especial?

O Luís é meu parceiro na música e também na vida. Conhecemo-nos através da música e trabalhar com ele tornou-se algo muito natural.

Ele tem uma enorme bagagem musical e ajuda-me muito a explorar a criatividade. Temos uma ótima química em estúdio e isso sente-se nas músicas.

"Podem esperar muita música em 2026"

Disseste que "Incenso" abre caminho para vários lançamentos em 2026. O que podemos esperar?

Muita música. Letras mais irreverentes, temas mais fora da caixa e uma continuidade desta narrativa iniciada com "Incenso".

Também quero continuar a evoluir na parte performativa, tanto nos videoclips como nos concertos.

"Há vontade de lançar um álbum"

Existe vontade de lançar um álbum ou um EP em breve?

Há muita vontade de fazer um álbum. Estamos a trabalhar nesse sentido, mas provavelmente ficará para o próximo ano.

Até lá, vão surgir muitos lançamentos e novidades.

Sonhos, colaborações e futuro

Há algum artista português com quem gostasses de colaborar?

Gostava muito de colaborar com Slow J ou Dillaz.

Comecei a escrever em português depois de ouvir muito hip-hop nacional e adorava fazer aquela colaboração clássica entre rapper e voz melódica.

Se tivesses de resumir esta nova era numa palavra?

"Surpreendente."

Um artista que adoravas ver ao vivo este ano?

Ariana Grande. Ainda estou a tentar arranjar bilhete!

Uma palavra para definir "Incenso"?

"Explosivo."

E antes de subir ao palco, o que nunca pode faltar?

Uma boa preparação vocal. Dá-me confiança e energia para enfrentar qualquer desafio em palco.


Com apenas 23 anos, Sara Megre mostra que a nova geração da pop portuguesa está pronta para ocupar o seu espaço com identidade, atitude e visão artística. Entre a vulnerabilidade emocional, a energia da dança e uma sonoridade cada vez mais assumida, "Incenso" surge não apenas como um novo single, mas como a afirmação de uma artista que sabe exatamente para onde quer ir.

Mais irreverente, mais livre e mais performativa, Sara Megre prepara-se para um novo capítulo da sua carreira, ao que tudo indica, este é apenas o início.

Foto: Direitos Reservados

O novo single chega acompanhado de uma estética intimista e melancólica, reforçando a identidade emocional que tem marcado a carreira da artista. Na capa oficial, Olivia surge a segurar um fio vermelho que desenha o título da faixa — um detalhe simbólico que a própria cantora já tinha antecipado numa entrevista à Cosmopolitan.

A cantora e compositora Blaya acaba de lançar "Biri Bam Bam", o novo single já disponível nas plataformas digitais, editado pela Universal Music Group. O tema conta com a participação especial da icónica cantora de Jazz Maria João e mistura Dancehall com influências de Forró, numa fusão sonora marcada pela identidade multicultural da artista.

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