"Nasci a acreditar que tudo podia ser possível na
música"
Tens apenas
23 anos, mas já tens um percurso muito consistente. Quando sentiste pela
primeira vez que a música podia mesmo ser o teu caminho?
Acho que
começou tão cedo que cresci já a acreditar que tudo podia ser possível no mundo
da música. Cantava desde pequenina nos jantares de família e lembro-me de
pensar: "Ok, eu quero ser cantora." Sempre senti isso de forma muito natural.
"Tenho carinho pela Sara de 2023"
O EP Ligações
marcou o início oficial da tua discografia. Ainda te revês nessa Sara?
Sim,
completamente. Apesar de hoje ser uma pessoa diferente e estar numa fase
diferente da vida, aquele projeto continua a refletir as minhas referências e
experiências. Tenho muito carinho pela Sara de 2023 e pelo Ligações,
porque foi um projeto muito importante por ter sido o primeiro.
O que mudou
desde os primeiros singles até "Incenso"?
Sobretudo
houve crescimento — musical e pessoal. Hoje sinto-me mais livre, mais fora da
caixa. "Incenso" representa uma fase mais pop, mais dançável e mais
descontraída. Acho que essa evolução se nota muito na sonoridade que tenho
escolhido.
"As redes sociais são uma ponte excelente"
O teu
crescimento tem sido muito acompanhado nas redes sociais. Como geres essa
proximidade com o público?
Adoro estar
em contacto com as pessoas. Hoje em dia, as redes sociais são a melhor
ferramenta para isso. Permitem-me conhecer quem ouve a minha música e perceber
de que forma as canções chegam às pessoas.
A música
nunca é só para nós. Quando lançamos uma canção, queremos que alguém a ouça, a
sinta e se identifique. Para mim, é importante desenvolver essa relação com o
público.
"Percebi logo que estava a entrar numa nova fase"
"Incenso"
parece marcar uma nova identidade artística. Sentiste isso durante o processo
criativo?
Sem dúvida.
Claro que ninguém entra em estúdio a pensar: "Hoje vou tornar-me uma artista
pop." Mas quando comecei a criar estas músicas, percebi imediatamente que algo
estava diferente.
"Incenso"
foi a segunda música desta nova fase e acabou por ser a canção que me fez
perceber: "Ok, é este o caminho."
Liberdade emocional e uma nova forma de viver
A música
fala muito de liberdade emocional e de sentir antes de pensar. Isso reflete a
forma como tens vivido esta fase da tua vida?
Sim. Apesar
de "Incenso" não retratar exatamente algo que esteja a viver neste momento,
identifico-me muito com essa ideia. Durante muito tempo fui demasiado racional
e não me permitia sentir tanto as coisas.
Hoje tento
viver de forma mais emocional. Claro que às vezes isso traz desafios, mas
também faz parte daquilo que somos enquanto artistas.
"Esta sonoridade surgiu de forma natural"
Musicalmente,
"Incenso" aproxima-se mais do Pop Dance, mantendo influências R&B. Foi uma
escolha consciente?
Começou de
forma muito natural. Entrei em estúdio e comecei a criar músicas mais animadas,
talvez porque também me encontrava numa fase mais leve da vida.
Quando
percebi que aquela sonoridade fazia sentido para mim, aí sim, tornou-se uma
escolha consciente para os próximos lançamentos.
"Tive de voltar a dançar"
Este é
também o teu primeiro videoclip coreográfico. Como foi trabalhar o corpo e a
performance dessa forma?
Foi
incrível. Eu tenho formação em dança desde os oito anos, mas durante muito
tempo foquei-me mais na música e na voz.
Quando
começaram a surgir estas músicas mais dançáveis, pensei: "Porque não voltar a
incluir a dança?" Retomei as aulas este ano e, quando nasceu "Incenso", soube
imediatamente que tinha de dançar no videoclip.
Trabalhámos
com bailarinas, coreografia e ensaios, mas tudo fluiu muito naturalmente.
Gostei mesmo muito do resultado.
"Lançar música exige sempre coragem"
Sentiste que
este lançamento exigiu mais coragem da tua parte?
Sem dúvida.
Lançar música é sempre um ato muito pessoal. Estamos a mostrar uma parte de
nós.
Além disso,
já não lançava música há quase um ano e esta nova estética mais pop, mais performativa,
mais ligada à dança, representava um desafio diferente. Mas tenho gostado muito
da resposta das pessoas.
Entre as Doce e a nova pop internacional
Referes
influências internacionais, mas também nomes clássicos portugueses como as
Doce. Como juntas esses dois universos?
As Doce
marcaram pela irreverência. Tinham letras ousadas, falavam de relações amorosas
sem medo e faziam-no com dança, atitude e espetáculo.
Identifico-me
com essa liberdade. Quero fazer música sem me preocupar tanto com o que os
outros dizem.
Depois há
também referências internacionais como Sabrina Carpenter, Tate McRae e Ariana
Grande, artistas que criam verdadeiros universos visuais e performativos à
volta da música.
"Quero que os meus concertos sejam um espetáculo"
Qual foi até
agora o concerto mais marcante da tua carreira?
Enquanto
artista a solo, diria o concerto no Musicbox Lisboa, sobretudo porque aconteceu
antes do espaço fechar.
Como
performer e back vocal, destaco também o festival Summer Opening, pela energia
incrível que senti.
A experiência como back vocal de Bispo
Foste back
vocal de Bispo em 2022. O que aprendeste dessa experiência?
Aprendi
imenso. Ganhei experiência de palco, percebi melhor como funciona a indústria e
tudo aquilo que acontece nos bastidores.
Montar um
concerto envolve muitas pessoas e essa experiência ajudou-me a crescer muito
enquanto artista e enquanto pessoa.
"Um concerto meu tem energia, dança e emoção"
Como
descreverias um concerto teu a alguém que nunca te viu ao vivo?
Quero que
seja uma experiência completa. Um concerto cheio de energia, mas também com
momentos mais intimistas.
Acima de tudo,
quero criar ligação com o público e entregar uma performance forte, porque é
uma área onde trabalho muito.
O processo criativo
Como
funciona normalmente o teu processo de composição?
Depende
muito dos dias. Ultimamente tenho gostado mais de compor em estúdio, começando
pela melodia e pelo instrumental.
No caso de
"Incenso", foi exatamente assim: começámos pelo instrumental e depois nasceu a
letra.
A parceria com Luís Brás Teixeira
Voltaste a
trabalhar com Luís Brás Teixeira neste tema. O que torna essa parceria tão
especial?
O Luís é meu
parceiro na música e também na vida. Conhecemo-nos através da música e
trabalhar com ele tornou-se algo muito natural.
Ele tem uma
enorme bagagem musical e ajuda-me muito a explorar a criatividade. Temos uma
ótima química em estúdio e isso sente-se nas músicas.
"Podem esperar muita música em 2026"
Disseste que
"Incenso" abre caminho para vários lançamentos em 2026. O que podemos esperar?
Muita
música. Letras mais irreverentes, temas mais fora da caixa e uma continuidade
desta narrativa iniciada com "Incenso".
Também quero
continuar a evoluir na parte performativa, tanto nos videoclips como nos
concertos.
"Há vontade de lançar um álbum"
Existe
vontade de lançar um álbum ou um EP em breve?
Há muita
vontade de fazer um álbum. Estamos a trabalhar nesse sentido, mas provavelmente
ficará para o próximo ano.
Até lá, vão
surgir muitos lançamentos e novidades.
Sonhos, colaborações e futuro
Há algum
artista português com quem gostasses de colaborar?
Gostava
muito de colaborar com Slow J ou Dillaz.
Comecei a
escrever em português depois de ouvir muito hip-hop nacional e adorava fazer
aquela colaboração clássica entre rapper e voz melódica.
Se tivesses
de resumir esta nova era numa palavra?
"Surpreendente."
Um artista
que adoravas ver ao vivo este ano?
Ariana
Grande. Ainda estou a tentar arranjar bilhete!
Uma palavra
para definir "Incenso"?
"Explosivo."
E antes de
subir ao palco, o que nunca pode faltar?
Uma boa
preparação vocal. Dá-me confiança e energia para enfrentar qualquer desafio em
palco.