Entrevista com Poli Nika

06-11-2026

A cantora e compositora Poli Nika apresenta Polyhuman, o seu primeiro álbum, um trabalho que explora as emoções, as contradições e a complexidade da experiência humana. Entre influências indie-pop, soul e jazz, a artista constrói um universo musical e visual muito próprio, onde a sensibilidade, a criatividade e a autenticidade assumem um papel central. Em entrevista, fala sobre o processo de criação do disco, as histórias por detrás das canções e a vontade de levar estas composições para o palco.


Quem é a Poli Nika para quem ainda não te conhece?

Olá! Sou a Poli Nika, sou cantautora e faço música indie-pop delicada, com influências de soul e jazz. A minha música tem muito amor, um bocadinho de ironia, muitas perguntas e muita curiosidade.

O que significa para ti lançar o teu primeiro álbum?

Significa muita coisa. Antes de mais, sinto um enorme orgulho neste álbum. Foi mais de um ano de trabalho, durante o qual aprendi imenso. Significa também poder concretizar as minhas ideias criativas e ver como uma pequena melodia ou uma demo gravada ao piano pode crescer e transformar-se numa canção e, mais tarde, num álbum.

Uma das coisas mais bonitas foi perceber que, graças a este projeto, tive a oportunidade de trabalhar com tantos músicos, artistas e pessoas incríveis. Criámos um universo à volta destas canções, através da música, das imagens e dos videoclipes. Não construí este mundo sozinha.

Como surgiu o título Polyhuman?

O nome Polyhuman surgiu de forma muito espontânea, durante uma sessão de brainstorming. Mas percebi rapidamente que era exatamente o nome que procurava. Para mim, «poly» representa quem sou, enquanto «human» (humano) representa aquilo que ainda estou a tentar compreender.

Percebi que, de alguma forma, todas as canções falavam sobre a mesma questão: o que significa ser humano? Existe também um jogo de palavras, porque «poly» vem do grego e significa «muitos». E ser humano é precisamente isso: ser muitas coisas ao mesmo tempo.

Podemos sentir confiança e dúvidas, ternura e ciúmes, mudar de opinião, contradizer-nos e experimentar inúmeras emoções. Acho que é isso que este álbum representa.

Porque te interessa tanto explorar as contradições do ser humano?

Acho que não é apenas uma questão de interesse. São contradições que encontro diariamente na minha vida. Por vezes, sinto emoções muito fortes que nem sempre consigo compreender. Quando sinto alguma coisa de forma particularmente intensa, acabo por transformar esses sentimentos em música e letras.

Não é sempre uma escolha consciente. É o meu processo natural de transformar a energia dessas contradições em criatividade.

Como nasceu a mistura de sonoridades que encontramos neste álbum?

Começaria por falar das minhas influências. Enquanto escrevia as canções, ouvi muita música diferente. Na minha playlist estavam artistas como Lizzy McAlpine, Lianne La Havas, Matilda Mann, Olivia Dean e Tom Misch. Também ouço muito jazz.

Acredito que todas estas influências acabaram por entrar no álbum e contribuir para a sua sonoridade. No entanto, até nos reunirmos todos em estúdio, ainda não sabia exatamente como as canções iriam soar. Foi um processo muito bonito de descoberta, durante as gravações, em conjunto com os músicos e o produtor.

Porque decidiram gravar todos juntos, ao vivo, em Berlim?

Na verdade, começámos por gravar as primeiras músicas à distância. Eu estava em Lisboa e o produtor encontrava-se em Berlim. No entanto, para mim, existe uma magia especial em estar na mesma sala com os músicos e o produtor.

Quando percebi que, mesmo à distância, já tínhamos criado uma ligação musical muito boa, decidi viajar até Berlim para gravarmos as restantes canções todos juntos. Foi uma das melhores decisões que tomei durante este processo.

O que te levou a questionar a ideia de «Amor para Sempre»?

É uma questão curiosa, porque, quando era mais nova, acreditava no amor para sempre, tal como nos filmes e nos livros.

Mas, depois de viver as minhas próprias experiências, comecei a questionar-me: como podemos prometer amar alguém para sempre se não sabemos o que vamos querer amanhã, daqui a um ano ou daqui a dez anos?

Comecei também a pensar porque colocamos tanta pressão sobre algo tão delicado como o amor, associando-o à ideia de um «para sempre».

Para mim, amar significa escolher a mesma pessoa todos os dias. E isso é muito mais forte do que simplesmente dizer que vamos amar para sempre. Significa que hoje sei que quero estar contigo e que amanhã posso voltar a escolher-te.

Houve alguma canção que te tenha revelado algo sobre ti própria?

Sim, a canção Shaking Off. Quando comecei a escrevê-la, estava a pensar na forma como as pessoas estão constantemente a colocar rótulos umas nas outras e nas coisas.

Inicialmente, a letra dirigia-se diretamente aos outros, questionando porque sentiam necessidade de colocar rótulos e se não seria possível simplesmente existir sem eles.

Mas, entretanto, percebi uma coisa: eu também faço isso muitas vezes. Foi um pouco desconfortável ter de admitir.

Decidi, então, mudar a letra e começar a falar de mim própria. Em vez de apontar o dedo aos outros, comecei a questionar-me sobre a minha própria necessidade de colocar rótulos. Senti que, dessa forma, a canção se tornou muito mais honesta.

Como surgiu a ideia do bolo de morango, que acabou por se tornar uma imagem tão característica deste projeto?

Estava a ter muita dificuldade em encontrar uma ideia para a capa do álbum e dos singles. Um dia, durante uma conversa de troca de ideias com uma amiga, mencionei o bolo de morango. Nem sei bem porquê! Gosto de cozinhar e, de alguma forma, surgiu aquela ideia.

De repente, pensámos: e se fizéssemos um vídeo meu a preparar um bolo de morango na cozinha? Poderíamos depois utilizar diferentes momentos da preparação para as capas dos singles e reservar o bolo já terminado para a capa do álbum.

Foi exatamente isso que fizemos. Entretanto, o bolo começou a aparecer nos concertos, no estúdio e junto dos músicos. Hoje, já faz parte do universo de Polyhuman.

O que sentes quando alguém te diz que és um raio de sol?

Fico muito feliz! Para mim, um raio de sol representa luz e calor. Fico particularmente contente por saber que eu e a minha música conseguimos transmitir essa luz e esse calor às pessoas.

Como vai ser levar estas canções para o palco?

Estou muito, muito entusiasmada! O concerto de apresentação do álbum está marcado para o dia 11 de dezembro, no BOTA, em Lisboa.

Nos concertos, costumamos criar versões diferentes das canções que gravámos em estúdio. Adoro essa possibilidade, porque é mais uma oportunidade de experimentar e criar algo novo.

Para terminar, que convite deixas aos leitores para descobrirem Polyhuman?

Gostava de vos convidar a ouvir Polyhuman com curiosidade e de coração aberto. Espero que gostem da música e aproveito também para vos convidar a estarem presentes no meu concerto em Lisboa.

**Muito obrigada pelo convite!


Com Polyhuman, Poli Nika apresenta muito mais do que o seu primeiro álbum: revela um universo de emoções, dúvidas, contradições e descobertas, onde a música se transforma numa forma de compreender o que significa ser humano. Entre sonoridades indie-pop, soul e jazz, a artista convida-nos a ouvir sem preconceitos e de coração aberto. Um trabalho delicado, autêntico e cheio de personalidade, que ganha agora uma nova dimensão com a chegada ao palco.

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