Entrevista com Maya Blandy

24-07-2026

Com o lançamento de "I Don't Need", Maya Blandy confirma a maturidade artística que já vinha a revelar desde o álbum Stardust. Entre influências que vão do soul ao jazz e à pop contemporânea, a cantora luso-australiana encontrou finalmente um som que sente verdadeiramente seu. Nesta conversa, fala-nos sobre independência emocional, identidade cultural, inspiração e dos próximos passos de uma carreira que continua a crescer dentro e fora de Portugal.


O teu novo single chama-se "I Don't Need". Afinal, do que é que já não precisas na tua vida?

Acho que esta música representa um verdadeiro momento de amor-próprio. Fala sobre recuperar a confiança em nós próprios e na nossa independência emocional. É uma lembrança muito forte de que, em determinada altura da vida, todos precisamos de perceber que não necessitamos da validação constante dos outros para sermos felizes. É uma canção sobre confiança, força e liberdade.

Foi inspirada por alguma experiência pessoal?

Sim, como praticamente todas as músicas que escrevo. Neste caso, reúne vários momentos da minha vida em que precisei de me lembrar de confiar mais em mim própria, de deixar de procurar aprovação externa e de afastar pessoas que apenas consumiam a minha energia. Ao mesmo tempo, quis que fosse uma música capaz de transmitir essa força a quem a ouve.

O tema mistura soul, jazz e pop de uma forma muito elegante. Sentes que encontraste finalmente o som que melhor te representa?

Sem dúvida.

Passei muito tempo à procura da direção certa porque sou uma pessoa bastante eclética. Cresci rodeada por várias culturas e influências musicais e, hoje, sinto que consegui reuni-las de uma forma que faz sentido para mim. Finalmente encontrei uma identidade artística onde tudo encaixa naturalmente.

Nasceste na Austrália, cresceste na Madeira e divides atualmente a tua vida entre Portugal e Inglaterra. De que forma essa mistura de culturas influencia a tua música?

Durante muitos anos senti que nunca pertencia totalmente a lado nenhum. Em Portugal era vista como inglesa; em Inglaterra, como portuguesa.

Hoje já não penso nisso dessa forma. Aceitei que sou o resultado de todas essas experiências e culturas. Essa identidade acaba por refletir-se naturalmente na minha música. Não é algo que procure forçar; simplesmente faz parte de quem sou.

Entre as tuas referências estão Sade, Dua Lipa e Bruno Mars. Se pudesses subir ao palco com um deles amanhã, quem escolhias?

É uma pergunta difícil.

Talvez escolhesse a Sade. Tenho uma enorme admiração pela forma como construiu a sua carreira. Sempre foi extremamente fiel à sua visão artística, nunca lançou música só porque era esperado e sempre trabalhou com as mesmas pessoas. Acho admirável essa integridade.

Mas também acredito que um concerto com o Bruno Mars seria uma experiência absolutamente inesquecível e muito divertida.

Participaste recentemente no novo álbum de Bruno Pernadas. Como foi trabalhar com um dos músicos mais criativos da cena portuguesa?

Foi uma experiência fantástica.

O Bruno é um excelente músico e uma pessoa por quem tenho um enorme respeito. Sabe exatamente aquilo que quer artisticamente e não vive à procura de validação exterior. Hoje em dia isso é raro. Num mundo cheio de opiniões e distrações, é inspirador encontrar alguém tão seguro da sua visão criativa.

O teu primeiro álbum, "Stardust", levou-te à BBC, à MTV Portugal e até às playlists da Emirates. Alguma vez imaginaste chegar tão longe?

Sim, acredito que sim.

Sei o quanto trabalho e a dedicação que coloco em tudo o que faço. Sempre acreditei que, sendo honesta comigo própria e com a minha música, ela chegaria onde tivesse de chegar.

Fico muito feliz com tudo o que aconteceu até agora, mas, ao mesmo tempo, sinto que é consequência natural do trabalho e da verdade que colocamos nos nossos projetos.

Já abriste concertos de artistas como Milky Chance e Amália Hoje. Existe algum palco ou festival com que ainda sonhes?

Gostava muito de voltar a abrir um concerto dos NAPA, mas numa dimensão ainda maior.

Já tive essa oportunidade anteriormente e foi muito especial, porque somos todos madeirenses e existe uma amizade muito bonita entre nós. Seria emocionante acompanhar novamente o percurso deles e voltar a partilhar um palco dessa forma.

Quando compões, as canções nascem de uma só vez ou vão crescendo aos poucos?

As letras costumam surgir muito rapidamente. Normalmente escrevo tudo no mesmo dia, porque quando encontro aquilo que quero dizer, as palavras simplesmente aparecem.

Depois há todo o trabalho musical. As melodias, os arranjos e a produção acabam por evoluir ao longo de várias sessões, normalmente durante três ou quatro dias.

Para quem ainda não conhece a tua música, como a descreverias em apenas três palavras?

Única.

Aventura.

Musicalidade.

Cada música representa uma viagem emocional diferente e, ao mesmo tempo, existe sempre uma preocupação técnica muito grande na forma como tudo é construído.

Vives entre Portugal e o Reino Unido. Onde te sentes mais inspirada para criar?

Nos dois países, mas por razões completamente diferentes.

Portugal dá-me vida, família, amigos, experiências e momentos que acabam por alimentar a criatividade.

Depois regresso ao Reino Unido, onde tenho mais tranquilidade para transformar todas essas vivências em música. Sinto que existe um equilíbrio perfeito entre os dois.

Em palco és diferente da Maya do dia a dia?

Na verdade, sou exatamente a mesma pessoa.

Continuo a ser espontânea, divertida e gosto de aproveitar cada momento. Em palco apenas amplifico essa energia.

O que podem os fãs esperar nos próximos meses? Há mais música a caminho?

Sem dúvida.

Mais do que convidar as pessoas a ouvirem as minhas músicas, quero convidá-las a fazerem parte da minha viagem enquanto artista e enquanto pessoa.

O meu trabalho é muito honesto e quero continuar a construir esse universo, convidando quem me acompanha a crescer comigo nesta caminhada.


Com uma identidade artística cada vez mais consolidada e um percurso marcado pela autenticidade, Maya Blandy continua a afirmar-se como uma das vozes mais promissoras da nova geração da música portuguesa. Entre Portugal e o Reino Unido, a cantora prepara agora novos lançamentos e convida o público a acompanhar uma jornada feita de emoção, honestidade e liberdade criativa, onde cada canção representa mais um capítulo da sua história.

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