Entrevista com Marta Lima

25-09-2026

Natural de Lagos, Marta Lima regressou à sua cidade natal para apresentar, pela primeira vez ao vivo perante o público lacobrigense, alguns dos temas que farão parte do seu álbum de estreia, "Estrada de Girassóis". O concerto, realizado no dia 19 de setembro, no Centro Cultural de Lagos, contou ainda com a participação especial de Joana Alegre, numa noite particularmente simbólica para a cantora e autora.

Antes de subir ao palco, Marta Lima falou sobre o significado de regressar a casa, o percurso que deu origem ao novo disco, a amizade com Joana Alegre, os músicos que a acompanham e os próximos passos de uma carreira que, nas suas palavras, está apenas a começar.


Marta, o que representa para ti apresentar o teu primeiro álbum aqui na tua cidade, Lagos?

Representa voltar a casa, o que é sempre bom. Lagos foi sempre o ponto de partida nesta "Estrada de Girassóis", que é o meu caminho e a minha vida. Vai ser muito especial apresentar aqui, canções que fizeram parte do meu primeiro álbum.

Como nasceu esta "Estrada de Girassóis" e porquê este nome?

Nasceu há muito tempo. Como disse na primeira resposta, é toda a minha vida. É um trabalho autobiográfico, com canções que fui compondo ao longo do tempo e do meu percurso no jazz. O início da minha vida artística e da minha carreira foi marcado por canções que fui compondo ao longo dos anos.

E onde é que esta estrada nos leva?

A muito longe. Tenho muitos sonhos e sinto que isto é mesmo só o início de uma grande carreira que tenho pela frente.

Qual é a música que faz mais sentido para ti neste disco e qual é a tua preferida?

É uma pergunta complicada! De momento, penso que seja "A Peixe de Todas as Cores".

Quem é a Marta Lima que vamos descobrir neste novo disco?

É uma Marta Lima que arrisca, mas que também traz um pouco da inspiração das primeiras coisas que lançou. É uma mistura entre o trabalho que já apresentei até agora e outras canções em que arrisco um pouco mais e saio da minha zona de conforto.

A Joana Alegre vai estar contigo em palco. Como surgiu este encontro?

É uma história muito engraçada. Tudo começou quando lancei uma canção, "A Passos Marcados". Na altura, tinha lançado um videoclipe em que existia uma lã, um fio vermelho. Passada uma semana, a Joana lançou uma canção em que também aparecia esse elemento, a lã vermelha.

Ela nem sabia quem eu era, mas a pessoa que tinha realizado o videoclipe dela veio falar comigo e disse: "Olha, peço imensa desculpa, mas acabei de realizar um videoclipe e utilizámos a mesma ideia. Mas isto não foi um plágio!".

Como forma de me pedir desculpa e eu também não sabia de nada, a Joana enviou-me uma mensagem e convidou-me para estar presente na listening party do seu álbum "Luas". Foi aí que a conheci pela primeira vez. Ela pediu-me desculpa pessoalmente e, a partir daí, fomo-nos encontrando de forma quase casual. E, como se costuma dizer, essas coisas são sempre um sinal.

E foi daí que nasceu a música "Pontas Soltas"?

Sim. Houve um dia em que eu estava na RTP para apresentar uma canção e ela estava na rádio. Subiu, encontrou-me e disse: "Nós estamos a fazer uma canção juntas sobre estas pontas soltas, sobre este fio vermelho que nos anda a ligar."

E foi assim que surgiu "Pontas Soltas".

O que representa para ti este encontro em palco?

É muito importante. A Joana tem feito parte do meu percurso. Já esteve presente no lançamento do meu segundo EP, "Postal em Branco", no Musicbox, e também foi um momento muito intimista e importante.

É sempre extraordinário partilhar o palco com ela porque se tornou uma amiga muito especial. Não é apenas uma companheira ou colega de carreira: é mesmo uma amiga.

Queres falar-nos dos músicos que te acompanham neste trabalho e nesta nova digressão?

Claro. Tenho a maior sorte do mundo porque, basicamente, todos os músicos estão comigo desde o dia um.

Tenho a Maria Carvalho, na bateria; o Afonso Lima, na guitarra, que é o meu irmão e que me acompanha desde sempre, já tinha nascido e já me assistia; o Vasco Trindade, no baixo; e agora uma nova aquisição, o Samuel Pacheco, nas teclas e nas segundas vozes.

O que gostarias que o público de Lagos levasse consigo depois deste concerto?

Gostava que ficassem orgulhosos de que daqui sai talento. É muito importante apoiar quem é da terra e elevar o nome dos artistas.

É muito especial quando isso acontece, mas, para isso, tem de haver o passo de nos orgulharmos daquilo que sai daqui, da nossa terra.

Enquanto esse passo não for dado, também é complicado. Um artista, se quer elevar o nome da sua cidade, precisa de ter o povo todo atrás, com a bandeira hasteada: "Somos de Lagos e sai daqui muito talento."

Era isso que eu gostava que as pessoas levassem daqui: que pensassem que é um orgulho.

Depois de Lagos, quais são as próximas paragens?

Vou ter um concerto no Pinhal Novo, no dia 17 de outubro, e outro em Santarém, no dia 10 de outubro.

E, no próximo ano, quando lançar e editar o álbum, haverá certamente concertos em Lisboa e no Porto.

Ou seja, o álbum ainda não vai sair?

Não. Só sai em 2027. Mas quis começar aqui, mesmo sem ter lançado o álbum, porque este concerto é o meu presente para os meus.

Marta, muito obrigado por esta conversa. Ficamos então à espera do lançamento do álbum.

Muito obrigada. É um prazer enorme, sempre.


O concerto em Lagos marcou, assim, um momento particularmente especial no percurso de Marta Lima: o regresso à cidade onde tudo começou para apresentar, pela primeira vez perante o público da sua terra, algumas das canções que irão integrar "Estrada de Girassóis", o seu álbum de estreia, com edição prevista para 2027.

Entre memórias, amizades e novas canções, a artista mostrou-se determinada a continuar a crescer, a arriscar e a sair da sua zona de conforto. Ao lado de músicos que a acompanham desde o início do percurso e com Joana Alegre como convidada especial, Marta Lima viveu em Lagos um momento que assume como um verdadeiro presente para os seus.

Com novos concertos já no horizonte e a edição do álbum a aproximar-se, a "Estrada de Girassóis" de Marta Lima parece estar apenas a começar uma viagem construída com música, identidade, sonhos e, sobretudo, com o orgulho de levar consigo o nome de Lagos.

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