Entrevista com Maria Mendonça

08-04-2026

Conversamos com uma artista que tem vindo a conquistar o seu espaço na música portuguesa com uma identidade muito própria. Maria Mendonça ficou conhecida do grande público no The Voice Portugal, mas desde então tem construído um percurso sólido, com temas que já passaram pelas rádios nacionais e até por bandas sonoras de televisão.

Depois de "Estrada", regressa agora com "Aurora", um novo single que antecipa o seu EP de estreia, uma canção que parte da inquietação e nos leva até à esperança, numa viagem da noite para a luz.

Cantora, compositora e também advogada, esteve connosco para nos falar deste novo capítulo.

"Aurora" soa como uma viagem da escuridão para a luz. Foi assim que a sentiste ao escrevê-la?

Sim, esta música procura transmitir precisamente essa ideia de uma noite sombria. Há um ditado que diz que a noite não é boa conselheira, e foi a partir daí que comecei a escrever. Eu própria sou uma pessoa que pensa muito à noite e quis explorar essa sensação como se a noite fosse quase uma inimiga. Depois surge o dia, que é sempre uma oportunidade para fazermos melhor do que no dia anterior. É, no fundo, uma espécie de prece à luz, ao recomeço.

Há uma esperança muito presente, quase como uma oração no refrão. Surgiu naturalmente ou foi intencional?

Acho que foi uma combinação das duas coisas. Tinha uma ideia muito concreta, mas depois fui incorporando elementos que simbolizam esse novo começo, flores, vinhas, andorinhas. Foi algo pensado, mas ao mesmo tempo bastante orgânico ao longo do processo criativo.

O que aprendeste ao escrever "Aurora"?

Diria que fiz as pazes com as coisas más, aquelas que nos deixam tristes ou nos abalam. A música trouxe-me essa consciência de que há sempre um novo dia, de que as fases difíceis não são eternas. É uma aprendizagem de confiança: perceber que tudo passa e que há sempre espaço para recomeçar.

Como foi trabalhar com Luís Pereira (Twins) neste tema?

Foi muito gratificante. Eu tinha a letra e a música, mas não tinha uma visão clara da produção. Trabalhar com o Twins e com os músicos: Beatriz Fonseca, Eduardo Faustino e Pedro Oliveira, foi essencial. Cada um trouxe o seu contributo criativo. Aprendi muito sobre confiar no processo e nas pessoas. Tenho a certeza de que a música não seria a mesma sem eles.

Nota-se uma fusão entre algo íntimo e uma produção pop cinematográfica. É esse o caminho que queres seguir?

Este tema faz parte de um EP muito experimental, chamado Período Experimental. O nome reflete exatamente a fase em que estou: uma procura de identidade artística, de perceber onde me revejo e o que quero dizer.

O teu processo criativo é estruturado ou espontâneo?

Sou bastante caótica (risos). Neste caso, estava a andar na rua quando surgiu a ideia e gravei logo no telemóvel. A partir daí, desenvolvi o poema. Mas nem sempre é assim, às vezes começo com acordes ao piano ou à guitarra e escrevo por cima.

Desde o "The Voice Portugal", sentes evolução na tua forma de fazer música?

Sim, sobretudo no rigor. Há uma maior preocupação com os temas que abordo e uma tentativa de ser mais versátil. Posso demorar mais tempo a terminar uma música, mas sinto que o resultado é mais sólido.

Para terminar: se tivesses de descrever "Aurora" numa palavra?

Prece.

Foto: Direitos Reservados

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