Entre a energia
dançante de "Estás Com Quem?" e a dimensão pessoal do álbum Metamorfose,
Margarida Vasconcelos prepara-se para mostrar diferentes fases da sua história.
Artista independente, compositora e intérprete, quer explorar novas
sonoridades, contar histórias com as quais o público se identifique e, acima de
tudo, inspirar quem a ouve a dar o primeiro passo em direção aos seus sonhos.
"Estás Com
Quem?" nasceu com vontade de dançar. Como surgiu esta canção?
Antes de mais, muito obrigada pelo convite.
"Estás Com Quem?" nasceu da vontade de trazer uma música mais dançante ao álbum
e de acompanhar os últimos dias de verão e aqueles últimos pôr do sol. A canção
conta a história de um amor de verão, daqueles que todos já vivemos e que nos
fazem recordar uma fase especial da nossa vida. Queria trazer algo mais fresco
e estou muito feliz com o resultado.
O título
desperta curiosidade. É uma pergunta feita por ciúmes, saudade ou por uma
história que ficou por resolver?
Acho que é uma mistura de tudo: curiosidade,
saudade e aquela história que ficou por contar. É sobre um amor de verão que
deixa saudades e a curiosidade de perceber o que teria acontecido se a relação
tivesse avançado.
Sentiram desde
o início que a música tinha algo de especial. O que vos deu essa sensação?
Talvez tenha sido o refrão, que ficou logo na
cabeça quando começámos a produzir a música. Eu já tinha escrito a canção e a
melodia. Depois, quando juntámos os instrumentos à minha voz e o refrão entrou,
aconteceu algo muito especial: toda a gente ficou com a música na cabeça.
Sentimos que tinha qualquer coisa diferente. Agora, o público está a recebê-la
muito bem e isso deixa-me muito feliz.
Também ficas
com as tuas próprias canções na cabeça durante dias?
Claro que sim, e isso é um bom sinal! É
precisamente esse efeito que queremos que a música tenha nas pessoas: que fique
a tocar na cabeça e que, sem darem por isso, comecem a cantar. É esse o
objetivo de algumas das minhas canções, e "Estás Com Quem?" é uma delas.
Se escolhesses
a banda sonora do teu verão de 2026, que música ficaria em primeiro lugar?
Provavelmente "Saudade Bateu", a canção que
lancei antes de "Estás Com Quem?", mesmo no pico do verão. Gravei o videoclipe
com muitos amigos e fizemos uma festa enorme. Foi incrível e acompanhou-nos
durante todo o verão, também enquanto gravávamos conteúdos. "Estás Com Quem?"
seria uma ótima escolha para fechar a estação.
Como é a
Margarida quando não está em estúdio ou em palco?
Sou uma pessoa perfeitamente normal. Passo
muito tempo a escrever, a compor e a planear tudo o que uma carreira exige.
Como sou artista independente, há muito mais para fazer do que escrever, cantar
e gravar: também há questões práticas e burocracia para resolver. Ainda estou a
aprender a lidar com o mundo da música e com aquilo a que chamamos fama, mas
estou muito entusiasmada com o futuro.
A música exige
muito a nível profissional e emocional. Como recarregas baterias?
Estar com a minha família e com as pessoas de
quem gosto. Nunca consigo desligar-me totalmente do trabalho, porque a música
está sempre comigo. Recarrego baterias junto da minha família, do meu namorado
e dos meus amigos, que me apoiam imenso. Mas desligar completamente da música…
não consigo.
Quando escreves
sobre amor, partes das tuas experiências ou também inventas histórias?
É uma mistura das duas coisas. Costumo dizer
que um compositor também tem de ser um contador de histórias. As minhas
vivências ajudam-me a escrever, mas gosto de imaginar situações e de explorar sentimentos
que outras pessoas possam reconhecer. Ainda não sou mãe, por exemplo, mas
gostava muito de o ser um dia. Consigo imaginar a força desse amor e gostaria
de o transmitir numa canção, para que os pais se pudessem identificar. Algumas
emoções já passaram por mim; outras espero vir a conhecer, se Deus quiser.
O que te deixa
mais nervosa: lançar uma canção ou subir ao palco perante pessoas que ainda não
te conhecem?
Lançar uma música nova. Cada lançamento traz
uma emoção diferente e tenho sempre muitas expectativas, porque preparo tudo
com muito amor e carinho. O dia em que a canção sai é sempre um dia de
nervosismo. Em palco também fico nervosa, claro, mas, assim que subo, passa. Já
é algo mais natural.
O teu primeiro
álbum de estúdio chama-se Metamorfose. Porquê este título?
O título descreve aquilo que foram estes três
anos de composição e de trabalho no álbum. O disco está dividido em quatro
fases da metamorfose: a origem, o despertar, a rutura e, por fim, o momento de
abrir as asas e voar. Para além de musical, é um álbum conceptual. Cada pessoa
está numa fase diferente da vida e espero que encontre nas canções algo com que
se identifique. A minha própria carreira também tem sido uma metamorfose:
comecei dentro do casulo e fui passando por várias etapas até estar pronta para
abrir as asas.
O público vai
encontrar um álbum inteiramente pop ou também haverá espaço para outras
sonoridades?
A base é o pop, mas o álbum explora várias
sonoridades. Quero experimentar coisas diferentes e há temas que se aproximam
do pop latino, além de algumas influências de R&B. O disco conta a minha
história e estou muito orgulhosa do resultado. Espero que, independentemente
dos estilos de que cada pessoa gosta, haja pelo menos uma música de que goste.
Há alguma
canção de Metamorfose que tenha um significado especialmente forte para ti?
Todas são muito especiais, sobretudo algumas
das que já lancei e com as quais sei que o público criou uma ligação. Há também
uma canção nova, que será lançada com o álbum e que tem um significado muito
particular para mim. Ainda não posso revelar o nome, mas espero que toque o
coração das pessoas como imaginei.
O que gostarias
que o público descobrisse sobre ti ao ouvir o álbum?
Gostava que percebesse de onde venho e o que
quero fazer. O álbum também fala um pouco da minha carreira e do caminho que
tive de percorrer para chegar até aqui. Quero que as pessoas conheçam a
Margarida que era uma miúda normal, cheia de sonhos, e que decidiu dar o
primeiro passo. Espero que se sintam inspiradas, seja qual for o sonho que
tenham. O importante é começar a sair do casulo, iniciar a própria metamorfose
e voar para se tornar naquilo que sempre quiseram ser. Todos temos um sonho e
um propósito na vida. Acima de tudo, quero transmitir esta mensagem: todos nós merecemos
voar.
Com que artista
gostarias de fazer uma parceria?
Não recusaria uma parceria com ninguém. Gosto
muito de explorar possibilidades, sobretudo na música portuguesa. Adoro a
Bárbara Bandeira, a Carolina Deslandes e o Fernando Daniel, por exemplo. A
nível internacional, escolheria Justin Bieber, um artista que me marcou durante
a adolescência. Não podia deixar de ser fiel a essa memória.
Que sonho
profissional gostarias de concretizar nos próximos anos?
Tenho muitos sonhos e ainda agora comecei.
Gostava de encher os Coliseus, alcançar bons números nas plataformas digitais e
atuar nas grandes salas de Portugal. Quero tornar-me um nome reconhecido no pop
português. O que não falta é vontade de trabalhar e fé. O resto, o tempo dirá.