Entrevista com João Castilho

03-11-2026

Entre a vulnerabilidade de "Sei Que Dói", a experiência do The Voice Portugal e a expectativa de subir ao palco do Coliseu de Lisboa, João Castilho atravessa uma fase de crescimento artístico e pessoal. Com uma nova etapa no horizonte e um álbum em preparação, o cantor fala-nos sobre os desafios do percurso, as colaborações que marcaram o seu caminho e a vontade de mostrar cada vez mais a sua identidade musical.

O novo single, "Sei Que Dói", revela um lado mais íntimo e vulnerável do artista. Uma canção que nasceu de sentimentos de insegurança, dúvidas e da sensação de, por vezes, dar tudo sem sentir que é suficiente. Nesta conversa, João Castilho partilha também o significado de trabalhar com João Só e Miguel Araújo, recorda a experiência no The Voice Portugal e antecipa um dos momentos mais importantes da sua carreira: a atuação no Coliseu de Lisboa, a 11 de dezembro, na primeira parte do concerto de João Só e Tiago Nogueira.


Comecemos pela novidade, "Sei Que Dói". É uma música que fala de inseguranças e da sensação de darmos tudo e, mesmo assim, sentirmos que nunca é suficiente. É uma experiência que também faz parte da tua vida?

Olá, Ricardo! Sim, este single é, em parte, autobiográfico. Revela algumas incertezas e inseguranças próprias da minha fase de vida e da minha idade. Estou numa etapa em que procuro encontrar o meu caminho e lutar por um sonho. Há dias em que sinto que, por muito que faça, nunca é suficiente. Acho que essa foi a principal mensagem que quis transmitir e acredito que muitas pessoas se poderão identificar com ela, precisamente por também sentirem o mesmo.

Nesta canção colocas-te na pele de alguém que dá tudo e, ainda assim, sente que não é suficiente. Foi fácil expor esse lado mais vulnerável?

Tenho alguma facilidade em expor o meu lado mais vulnerável. Sempre senti que é através da vulnerabilidade que podemos criar uma ligação mais profunda com outra pessoa e, a partir daí, estabelecer laços mais fortes, tanto a nível pessoal como profissional.

Foi algo muito natural e fácil para mim, porque acredito que todos sentimos estas emoções, estas incertezas e até algumas certezas. Identifico-me muito com essa forma de comunicar e sinto que tenho uma grande facilidade em expressar e transmitir esse tipo de mensagens.

Na apresentação da música falas da voz a falhar, das pernas a tremer e de uma postura que revela falta de confiança. São sensações que conheces bem, sobretudo quando estás perante um desafio importante?

São sensações que já conheci melhor. Houve uma fase em que estiveram presentes diariamente na minha vida. Atualmente, procuro melhorar um pouco todos os dias. Fui trabalhando esses aspetos, limando algumas inseguranças, e sinto que consegui ultrapassar essa fase.

Ainda assim, é uma etapa que valorizo muito e que guardo dentro de mim, porque a vivi e fez parte do meu percurso. Essas sensações e emoções ficaram comigo e fazem parte daquilo que sou. Por isso, foi fácil transportá-las para o papel.

"Sei Que Dói" foi escrita em parceria com João Só e tem música de Miguel Araújo. Como surgiu esta colaboração?

Foi uma colaboração muito espontânea, daquelas que ainda hoje me fazem pensar e sentir uma enorme gratidão por ter acontecido.

Tudo começou depois de uma das minhas canções em estúdio. O João Só apresentou-me esta oportunidade, que surgiu através de Miguel Araújo: interpretar uma canção da sua autoria, com a minha voz, e trabalhar a letra em parceria com João Só.

Abracei imediatamente essa oportunidade, mas também com muita responsabilidade. Sempre encarei a música com uma seriedade saudável, sem deixar de lado a diversão, mas com muito respeito por quem faz as coisas bem e por quem ocupa um lugar importante na indústria, como é o caso de Miguel Araújo.

Senti uma espécie de peso saudável, uma motivação positiva para me esforçar ainda mais e trabalhar um pouco mais, de forma a fazer jus àquilo que considero um verdadeiro prémio: ter uma canção de Miguel Araújo.

Quando soubeste que ias interpretar uma música com a assinatura de Miguel Araújo, disseste que recebeste essa oportunidade como um prémio. O que sentiste quando a ouviste pela primeira vez?

Fiquei muito entusiasmado assim que recebi a canção. Era muito melódica e senti que poderia representar uma nova oportunidade para me encontrar e descobrir partes de mim que ainda não conhecia.

E foi exatamente isso que aconteceu. Estava numa fase em que queria explorar mais coisas, experimentar novas sonoridades e desafiar-me também a nível vocal.

A canção surgiu no momento certo, com uma dinâmica muito mais acelerada, alegre e rítmica do que as demos que costumo fazer, que também aprecio e de que gosto muito. Trouxe-me uma nova versatilidade.

O refrão é daqueles que ficam facilmente na cabeça. Quando estás a trabalhar numa música, pensas logo naquilo que poderá ficar no ouvido das pessoas ou deixas tudo acontecer naturalmente?

Gostava de pensar um pouco mais nessa primeira opção, em perceber logo se a música vai ficar na cabeça das pessoas ou não, mas sinto que faço precisamente o contrário.

Dou muito espaço àquilo que sinto necessidade de dizer. Deixo fluir a intuição e a intenção que tenho para cada canção. Tanto na composição como quando toco piano ou guitarra, deixo-me levar muito pela emoção e mergulho durante bastante tempo nesse ambiente.

Não é, de todo, uma prioridade pensar se o refrão vai ser muito apelativo ou fácil de cantar. Simplesmente, acontece.

Em 2024 participaste no The Voice Portugal. Olhando para trás, o que mudou em ti desde essa experiência?

Diria que mudou tudo, sobretudo a nível interno, mais do que externamente.

Comecei a reparar em vários aspetos de mim que foram evoluindo. Prezo muito o crescimento contínuo, tanto enquanto pessoa como enquanto profissional, e sinto que melhorei em vários aspetos: na confiança, na capacidade de perceber o caminho que quero seguir e em reconhecer melhor a minha própria essência.

Aprendi também a desligar-me um pouco da competição e a perceber que tenho de encarar a música e a forma como interpreto as canções com mais confiança e sinceridade para comigo próprio.

Desde que comecei a fazê-lo, só tenho sentido que estou a ganhar. Antes, vivia um pouco naquela necessidade de validação, à procura de perceber aquilo de que as pessoas gostavam que eu fizesse. Hoje, sinto que encontrei um equilíbrio muito bom: faço a minha parte, mas continuo também a escutar e a valorizar a recetividade das pessoas.

Já tiveste oportunidade de partilhar o palco com nomes como José Cid e João Só. Há alguma experiência desses encontros que guardes de forma especial?

Guardo todas. Tenho uma grande capacidade de fazer exercícios de gratidão e de reconhecer tudo aquilo que essas pessoas e grandes nomes da música me deram, sempre de uma forma muito positiva, através de palavras, conselhos e atitudes.

Houve conversas e momentos aparentemente naturais que despertaram algo dentro de mim, uma espécie de luz ou indicação de um caminho que só mais tarde consegui compreender. Recordo, por exemplo, algumas conversas com José Cid, com o Survival e com João Só.

Acredito que tudo isso fez parte do meu percurso e contribuiu de uma forma muito positiva para aquilo que sou hoje.

Vamos falar de um dos grandes momentos que se aproximam: no dia 11 de dezembro vais subir ao palco do Coliseu de Lisboa. O que te passou pela cabeça quando recebeste este convite?

A primeira coisa que pensei foi que teria de fazer jus àquela grande sala. O Coliseu é um espaço enorme e sinto que tenho de o respeitar muito, entregando o melhor de mim.

Quero conseguir transmitir ao público a minha forma de ver a música, a emoção, a entrega, as mensagens e, acima de tudo, aquilo que cada canção representa para mim.

Vais assegurar a primeira parte do concerto de João Só e Tiago Nogueira. Uma coisa é cantar para um público que já conhece as tuas músicas, outra é subir ao palco para conquistar pessoas que talvez nunca tenham ouvido falar de ti. Como estás a preparar este momento tão especial? Essa responsabilidade traz-te mais entusiasmo ou também aumenta o nervosismo?

Em primeiro lugar, surge sempre o nervosismo, não é? Acho que é saudável sentir algum nervosismo. No entanto, sinto que o empenho acaba por superar esse sentimento.

Como tenho vindo a referir, depois de perceber que prefiro seguir aquilo que é verdadeiro para mim, fazer aquilo que sei fazer, sem tentar ser mais nem menos do que sou, sinto que tenho tudo para estar verdadeiramente inteiro naquele momento.

Quero apresentar-me tal como sou, com a minha identidade e a minha verdade.

Depois de "Sei Que Dói", já tens novas músicas preparadas? Podemos esperar mais novidades nos próximos meses?

Sem dúvida! Os próximos meses serão incríveis e haverá muitas novidades.

Em 2027, acredito que vou conseguir dar um passo maior e mostrar muito mais de mim ao mundo e às pessoas. Isso deixa-me muito feliz, sobretudo depois de tantos anos de trabalho.

Há cerca de três anos que me tenho dedicado imenso a construir um projeto mais completo no mundo da música e sinto que finalmente vai ser possível concretizá-lo. É algo que me deixa muito realizado.

Podemos esperar uma evolução também a nível sonoro e vocal? E podemos contar com um álbum?

Acredito que as próximas canções terão uma sonoridade cada vez mais apurada e uma entrega vocal ainda maior. São, sem dúvida, músicas especiais.

E não posso deixar de falar no grande projeto que será o álbum. É algo que me entusiasma muito e que representa mais uma etapa importante do meu percurso.

Para terminar, se pudesses falar com o João Castilho que estava a começar, antes do The Voice, que conselho lhe darias?

É uma excelente pergunta. Deixa-me pensar um bocadinho.

Este caminho tem os seus altos e baixos, mas, acima de tudo, é muito importante manter uma boa relação com a nossa própria mente e sermos amigos de nós mesmos. A nossa mente tem uma enorme capacidade de nos tirar coisas, mas também de nos elevar.

Diria ao João Castilho que estava a começar para continuar firme, porque iria ver uma luz ao fundo do túnel em breve.

João, muito obrigado por esta conversa e por partilhares connosco um pouco daquilo que és e daquilo que procuras transmitir através da tua música. Muito sucesso nesta nova etapa e que este seja apenas mais um de muitos palcos importantes no teu caminho.

Obrigado eu, é um enorme privilégio poder participar numa entrevista como esta e partilhar um pouco da minha maneira de ver a música, da minha forma de pensar e daquilo que quero transmitir às pessoas.

Quero chegar às pessoas com o coração, com verdade e dando sempre o melhor de mim, todos os dias, em cada canção e em cada mensagem.

Fico mesmo muito contente por poder partilhar tudo isto contigo. São passos que me deixam muito realizado e que valorizo imenso.

Muito obrigado!


João Castilho vive uma fase de afirmação artística, marcada pela maturidade, pela descoberta da sua identidade musical e pela vontade de chegar cada vez mais longe. Entre a vulnerabilidade de "Sei Que Dói", as aprendizagens que trouxe do The Voice Portugal e o desafio de atuar no Coliseu de Lisboa, o cantor prepara-se para um novo capítulo da sua carreira. Com novas canções e um álbum no horizonte para 2027, João quer continuar a crescer sem perder aquilo que considera essencial: a verdade, a emoção e o coração em tudo o que faz. Porque, para ele, a música é, acima de tudo, uma forma genuína de chegar às pessoas.

Foto: Direitos Reservados

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