Entrevista com João Castilho

Com o lançamento de "Quem Sou Eu?", João Castilho dá o primeiro passo oficial na sua carreira discográfica. Um tema íntimo, emocional e profundamente ligado à sua história pessoal, que marca o início de um caminho feito de verdade, introspeção e identidade artística. À conversa connosco, o jovem cantor e compositor fala sobre o processo criativo, as influências, a experiência no The Voice Portugal e os sonhos que começam agora a ganhar forma.
"Quem Sou Eu?" é o teu single de estreia. Que momento
representa este lançamento na tua vida?
Este primeiro passo representa algo que já esperava há muito tempo. Sinto que
não poderia haver melhor canção para marcar este início. É um tema que me diz
muito, que escrevi numa fase em que precisei de perceber o que queria para mim
e quem queria ser no mundo.
Disseste que a canção nasceu de forma espontânea em
estúdio. Como aconteceu esse momento?
Apesar de ter surgido de forma espontânea em estúdio, eu já trazia uma ideia de
casa que é onde nascem a maior parte das minhas canções. Tudo começou com uma
frase: "já não pertenço aqui". Foi essa ideia que deu origem a tudo. Reflete um
momento em que deixei de me rever no lugar onde estava e comecei a perceber
melhor quem sou e quem quero ser.
Trabalhaste com o produtor João Só. Como surgiu essa
colaboração?
Foi um privilégio enorme. Já tínhamos trabalhado juntos anteriormente, mas foi
neste segundo tema que senti um clique muito especial. Percebi que estava a
encontrar a minha identidade sonora, algo que procurava há anos. Trabalhar com
o João ajudou-me a dar forma à canção e a levá-la para outro nível.
A sonoridade do tema é bastante emocional e
vulnerável. Foi intencional?
Sim e não. As minhas canções já nascem com essa carga emocional. Às vezes até
em excesso nas primeiras demos. Depois, com o trabalho de produção, é possível
equilibrar e deixar a canção respirar mais, torná-la mais fluida e natural.
"Quem Sou Eu?" fala muito de identidade e
transformação. Até que ponto reflete a tua história?
Reflete totalmente. Tudo o que escrevi é verdadeiro. Dou muito valor a essa
honestidade na escrita. Esta canção representa uma fase específica da minha
vida e a necessidade de compreender aquilo que estava a viver.
Cresceste rodeado de música e de uma tradição
filarmónica. Que impacto teve isso em ti?
Crescer numa família ligada à música trouxe-me uma responsabilidade extra.
Fez-me querer trabalhar mais, evoluir e encontrar o meu próprio caminho. Não
para superar os outros, mas para me superar a mim mesmo.
Começaste a compor em 2021. O que te levou a dar esse
passo?
Foi uma necessidade. Estava numa fase difícil e encontrei na música um refúgio.
Sentia-me bem a escrever, a expressar-me. Comecei mais ligado ao rap e ao hip
hop, mas com o tempo fui percebendo que me identificava mais com o pop e o pop
rock. Foi um processo natural de descoberta.
Participaste no The Voice Portugal em 2024. Que
impacto teve essa experiência?
Foi uma aprendizagem enorme, sobretudo a nível pessoal. Recebi críticas
construtivas que me ajudaram a crescer muito. Entrei com muita vontade de aprender
e saí de lá mais preparado, não só como artista, mas também como pessoa.
Como defines a tua identidade artística neste momento?
Diria que passa muito pela emoção e pela mensagem. Gosto de escrever sobre a
vida, sobre reflexão e autoconhecimento. Quero que as pessoas se identifiquem
com aquilo que ouvem.
Este single é um ponto de partida. O que podemos
esperar a seguir?
Mais canções, sempre com essa força na mensagem. Quero continuar a partilhar a
forma como vejo a vida e criar ligações com quem me ouve.
Podemos esperar um EP ou álbum?
Sim, acredito que sim. Sinto que as músicas que tenho estão a construir algo
maior. Para já, vou dando pequenos passos, mas um projeto maior está certamente
a caminho.
Que palco ou objetivo seria um sonho nesta fase?
Mais do que grandes palcos, procuro a ligação com as pessoas. Um concerto onde
haja partilha verdadeira já seria um sonho. Mas claro, gostava muito de atuar
na Feira de São Mateus, foi lá que tudo começou para mim, quando vi um concerto
que me marcou muito.
Para terminar: se hoje tivesses de responder à
pergunta "quem sou eu?", o que dirias?
Diria que sou alguém que já percebeu o que lhe faz bem e o que não faz. Alguém
que valoriza muito a família e que cresceu com experiências difíceis, incluindo
uma perda importante. Isso ajudou-me a perceber melhor quem sou. Hoje, procuro
ser melhor todos os dias. Nem sempre é fácil, mas é esse o caminho.
João Castilho estreia-se assim com um tema que convida à introspeção e à descoberta pessoal. "Quem Sou Eu?" já está disponível nas plataformas digitais e marca o início de um percurso promissor na nova música portuguesa.
