Entrevista com Fernando Ribeiro - Moonspell

O vocalista dos Moonspell fala sobre o regresso ao Algarve, o novo álbum From Hell With Love, os 30 anos de Irreligious, a força dos concertos ao vivo e uma carreira construída entre o passado, o presente e o futuro. A banda atua esta sexta-feira, 4 de setembro, no Festival F, em Faro.
Fernando, começamos já por Faro. Dia 4 de setembro, os Moonspell estão de regresso ao Festival F. O que é que podemos esperar desta passagem pelo Algarve?
Ir ao Algarve é sempre muito especial para os Moonspell, porque temos uma história incrível com esta região. Foi no Algarve que fomos primeiro recebidos enquanto banda, nos longínquos anos 90. Fizemos um périplo por São Bartolomeu de Messines, Lagos, Aljezur, etc. Tocávamos muito no Algarve e não esquecemos que temos essa dívida de gratidão para com os fãs algarvios.
O que podem esperar? Toda a força, toda a identidade e toda a característica dos Moonspell.
Somos sempre uma banda muito diferenciada nos cartazes, porque somos uma banda de heavy metal. Este ano existem outras duas bandas do nosso espectro sonoro, os Bizarra Locomotiva e os Inhuman, que aproveito já para convidar toda a gente a ir aos concertos deles. Para nós, é uma alegria que o heavy metal e a música mais extrema estejam representados num festival tão bonito e tão eclético.
Temos um álbum novo e estamos cheios de pica para o tocar, como é óbvio. Temos andado a tocar neste verão por toda a Europa, portanto vai ser um concerto à Moonspell. A isso junta-se o facto de ser no Largo da Sé, que é um sítio incrível e onde nem todos os dias conseguimos tocar em locais tão emblemáticos.
Os Moonspell têm um público muito fiel. Quando sobem ao palco, ainda sentem aquele friozinho na barriga ou já é uma coisa completamente natural?
O palco nunca pode ser dado como garantido, tal como o público. Acho que o público fiel conquista-se praticamente de forma diária.
Nós temos de tomar conta da carreira dos Moonspell, das redes sociais, temos essa independência e, portanto, temos um contacto muito quotidiano com o nosso público. Todas as sensibilidades nos ouvem: uns gostam mais de um disco, outros gostam mais do passado, outros do presente. Temos de fazer essa gestão.
E essa gestão, ou esse encontro, tem no palco o seu sítio privilegiado.
Quando começámos, em 1992, e depois, quando fomos tocar internacionalmente pela primeira vez, três anos mais tarde, aprendemos que, mesmo na era digital, das redes sociais e da inteligência artificial, não há promoção como tocar ao vivo e estar ali sem filtros, sem ecrãs. Se bem que as pessoas hoje em dia abusam um bocadinho dos telemóveis nos concertos...
Por isso, nada pode ser dado como garantido. Quando vamos para o palco, para além daquele frio no estômago, temos uma missão a cumprir: fazer com que aquelas pessoas saiam de lá com memórias novas e com energia redobrada para enfrentar as suas vidas, que são duras e problemáticas. Passamos todos por isso, músicos ou não.
Aquele momento do palco é um momento sagrado, uma comunhão entre nós e os nossos fãs. É sempre uma narrativa e uma história nova que procuramos criar, memórias novas no nosso público. E, quando temos um disco novo, é também a primeira vez que as pessoas ouvem algumas músicas, o que ajuda nessa criação de novas memórias.
O Far From God chegou este ano e tem sido muito bem recebido. Quando lançam um disco novo, conseguem desligar-se das expectativas ou fica sempre aquela ansiedade de saber o que é que as pessoas vão achar?
A expectativa existe sempre. O músico que disser que não, que faz música apenas para o seu umbigo e para si próprio, para se expressar, ou é um grande convencido ou está a mentir. Está a criar uma narrativa falsa.
Nós fazemos música para as pessoas. A música parte de nós, fazemos uma proposta e as pessoas podem aceitá-la ou não. De vez em quando não é imediato; às vezes demoram uns anos. Já tivemos discos desses. Mas há toda uma grande dinâmica que se estabelece.
Nós, enquanto parte criativa da equação, temos uma imensa responsabilidade de fazer coisas que também nos agradem. Que nos agradem no sentido de acharmos que estão consistentes e suficientemente representativas para serem lançadas ao grande público.
Depois, deixamos um bocado de ser donos da nossa música. Quando entra na comunicação, quando chega ao recetor, esse recetor tem as suas próprias antenas, os seus próprios modos de estar na vida, a sua própria filosofia.
Felizmente, os Moonspell conseguem encontrar um grande número de pessoas que gostam das coisas de que nós gostamos, que ouvem a música que nós ouvimos, que pertencem ao mesmo movimento do heavy metal a que nós pertencemos. É também para essas pessoas que trabalhamos.
Há sempre uma expectativa, mas ela não entra na sala de ensaios nem no estúdio, porque nós não a conhecemos. Não nos podemos deixar intimidar por ela.
Os álbuns também não são só dos Moonspell. A nossa música é comunitária, é para ser partilhada, para ser gostada. Insisto muito na criação de memórias, porque é isso que a música nos dá.
Acima de tudo, contamos histórias através das músicas para que as pessoas também possam contar as suas próprias histórias. E muitas histórias são bonitas e vêm ter connosco: "Casei-me ao som deste tema", "tive um problema", "arranjei uma namorada ou um namorado ao som desta música", "conheci a pessoa da minha vida num concerto dos Moonspell". Acho que essa é realmente a função da música: essa aproximação.
E, para haver essa aproximação, tem de haver química. O álbum tem sido muito bem recebido, quer pelo público, quer pela crítica especializada. É descrito como obscuro, romântico, dramático e pesado, quase uma descrição dos próprios Moonspell. Foi difícil escolher o caminho deste disco?
Foi um bocado, para ser sincero. Vivemos aqui uma espécie de crise existencial desde o último disco, em 2020, e por isso levámos cinco anos a fazer este álbum.
Para já, porque queríamos um disco simples. E a simplicidade, às vezes, passa pela falta de camadas numa música em que existem tantas camadas, tantos efeitos e tantas coisas.
Hoje em dia parece que temos de ter um filtro em tudo o que fazemos: na música, nas fotografias, nas conversas, nas opiniões. Nós queríamos estar um bocado fora disso. Queríamos ir à nossa autenticidade, àquilo que nos define.
Os Moonspell nunca se afirmaram como uma banda comercial. Nunca existiu uma banda feita para passar na rádio ou para chegar às massas. Sempre fomos uma banda com uma narrativa própria, para contar as nossas histórias, que são dramáticas, trágicas, histórias de amor, de morte, de religião, etc.
Conseguimos ainda assim entreter as pessoas com esses assuntos.
Foi um grande percurso até este disco, mas foi um percurso a que respondemos através da música, de crises de confiança, de muitos erros e também de muitas coisas boas que foram aparecendo. A música tem um bocado de tudo. A música é um bocado uma vida, não é?
Nós nem sempre estamos do lado certo da vida, da verdade ou das opiniões. A música também tem essa dinâmica. Acho que é por isso que as pessoas se identificam: veem que é um disco autêntico, que vem do âmago dos Moonspell e que nós o representamos dessa maneira.
Far From God tem uma identidade muito própria.
Há alguma música do álbum que tenha ganho um significado especial para ti depois de a começarem a tocar ao vivo?
Várias. Já tocámos metade do álbum.
A grande influência deste disco são os próprios Moonspell. Penso que, depois de mais de 30 anos a fazer discos, já conseguimos ser influenciados por nós próprios.
Temos bandas que nos influenciam, bandas novas e bandas antigas, como é óbvio. Ninguém nasce sem influências musicais, sem bandas que queremos imitar ou sem bandas que queremos, de alguma forma, também homenagear através da nossa música.
Acho que há uma música que vamos tocar no Festival F, The Great Wolf in the Sky, que acabámos por dedicar a um amigo e fã, o Pedro Silva, que infelizmente faleceu antes de poder escutar esta música.
Pedimos autorização à família dele, à mulher e à filha, para lhe dedicar o tema, para demonstrar que a música também serve, de alguma forma, de consolo.
É uma música muito emocional de tocar ao vivo e é, até agora, uma das preferidas dos nossos fãs neste álbum.
Este ano há ainda uma viagem muito especial ao passado: os 30 anos de Irreligious. Quando olhas para esse álbum, pensas "meu Deus, já passaram 30 anos"?
Claro que sim. Mas o conceito de tempo para os músicos é um bocado estranho.
Às vezes parece que existe aqui o desgaste de 30 anos, são três décadas, é uma vida inteira, mas outras vezes parece que foi ontem. É muito difícil para um músico conseguir estabelecer um meio-termo entre estes dois tempos.
Irreligious é um álbum de que nos orgulhamos muito, todos nós. Teve um toque especial porque foi um álbum certo, na altura certa.
As pessoas, principalmente na Alemanha, estavam à espera de um disco destes, que misturasse e fizesse uma fusão bastante simples entre o metal e o gótico.
Ainda hoje tocamos muitas músicas de Irreligious. Nunca deixámos de tocar Opium, Awake, Full Moon Madness, etc.
Mas acho que também estar numa banda é compreender que a banda se faz de três tempos: o passado, porque ele está lá; o presente; e o futuro.
Não devemos descansar à sombra do passado. Devemos celebrá-lo e usá-lo como base para aquilo que vamos fazer no futuro, como acontece com estas celebrações. Mas também não nos queremos deixar prender pela nostalgia.
Por isso, quando fazemos os 30 anos de Irreligious, fazemos uma celebração ao passado, mas também ao nosso presente, que é o novo álbum.
Seria bastante fácil para nós termos feito uma digressão de 30 anos de Irreligious em 2026. Tivemos ofertas para isso, mas não o quisemos fazer, porque não queríamos que esta efeméride tapasse o brilho do nosso novo disco.
Ainda não nos tornámos esse tipo de banda. Se calhar, no futuro iremos tornar-nos, mas para já queremos continuar a avançar.
Vocês têm músicas que atravessaram gerações. Já vos aconteceu alguém muito jovem dizer que descobriu os Moonspell através dos pais?
Através dos pais e através dos avós. Conseguimos ter pelo menos três gerações a ouvir a nossa música.
O heavy metal sempre foi assim. É uma música que não está muito no mainstream, apesar de ter uma vitalidade brutal. É sempre muito difícil chegar às massas.
Eu costumo dizer que o rock'n'roll e o heavy metal em Portugal não têm o estatuto do hip-hop, porque não houve interesse em descobrir mais sobre a cultura que está por trás deste movimento musical.
Portugal é muito de modas e nunca quis fazer uma análise séria de todo o grande rock que se fez em Portugal, de todo o grande heavy metal que se fez em Portugal. Os Moonspell e outras bandas sempre lutaram um bocado contra esse fator.
O que vale é que a vantagem desta espécie de, não diria desprezo, mas desinteresse é que o público fica muito mais forte, fortalece-se muito mais e, como tal, continua a fazer essa passagem de geração em geração.
Eu ouvi heavy metal, o meu irmão mais novo ouve heavy metal. O Pedro Paixão, o nosso teclista, tem muita família no Algarve e é sempre ótimo para ele tocar praticamente em casa. O irmão dele, mais velho, ouvia heavy metal, ele começou a ouvir heavy metal e toca numa banda de heavy metal.
Portanto, isso ainda acontece. Quem quiser ver, é vir a um concerto ou a um festival de heavy metal e perceber que estão lá pessoas dos 8 aos 80, como o Tintim.
Falando de concertos, os Moonspell têm uma componente visual muito forte. Quanto trabalho existe por trás daquele universo que o público vê em palco?
É um trabalho invisível, mas bastante aturado.
Nós fazemos um plano quando temos um palco novo, quando temos um design novo. Trabalhamos com os nossos técnicos de vídeo, de pirotecnia, de luzes e de som. Trabalhamos como equipa.
A ideia, tal como a música, tem de partir de nós, porque temos todos esses elementos, estivemos a passar por isso durante anos e depois fazemos essa passagem à nossa equipa.
São muitas reuniões, muitos testes, armazéns, muitos e-mails, muitos telefonemas, organizar isto, organizar aquilo, verificar a disponibilidade de itens e adaptar tudo a cada concerto.
É uma trabalheira, mas encaro os concertos musicais como uma espécie de pequeno teatro.
Acho que essa parte visual, se uma banda se arroga a contar histórias, não pode ir de calções para o palco e de chinelos, só se for essa a história que quer contar. Não é a nossa. Tenho todo o respeito por quem faz isso, mas os Moonspell têm uma carga mística e uma carga visual que temos de transportar e adaptar, não só ao território nacional, mas também lá fora.
Andamos sempre carregadíssimos de coisas. Mesmo quando vamos a um festival que dizemos que é um one-off, levamos tudo.
Ainda agora estivemos na Roménia a tocar como cabeças de cartaz. No aeroporto mandaram-nos uma carrinha e nós dissemos: "Tal como foi anunciado, isto foi um erro da organização. As nossas coisas não vão caber aqui, têm de mandar vir outra."
E ficam muito surpreendidos.
Nós investimos muito nisso, mas acho que é importante. Quem paga um bilhete quer ver as coisas no seu esplendor. Não quer ver uma coisa meio mal feita ou feita um bocado para despachar.
E há uma frase que achei curiosa: "O Porto, de facto, é o maior dos feitiços". O que é que o Porto tem que continua a puxar-vos dessa maneira?
Não é só o Porto, não fiquem com ciúmes! O feitiço instala-se sempre que os Moonspell estão numa cidade.
Isto foi uma frase feita porque nós vamos apresentar lá o nosso Halloween. Abrimos uma data extra e, realmente, o Porto tem uma importância muito grande neste álbum.
Gravámos o disco na cidade do Porto. Há muitos anos que não gravávamos em Portugal e, desta vez, estivemos lá praticamente a viver durante dois meses.
Assistimos a uma evolução incrível e bastante sustentada, ao contrário do que acontece noutras cidades. E vocês também têm esse problema no Algarve, em certos sítios.
O Porto conseguiu manter aquela autenticidade, manter o comércio regional, etc. Foi muito interessante. Tornou-se uma cidade até com umas raízes góticas e bastante dark.
Tenho ido lá muitas vezes, não só por causa do disco, mas também para visitar amigos e estar em algumas noites organizadas pelo Gothic Porto, que nos convida.
Nota-se que há ali um esforço para existir uma cultura de heavy metal, uma cultura de salas, uma cultura gótica. Isso é muito raro em Portugal e é mágico.
O Porto continua a ser uma cidade fascinante. Não é assim tão fácil tocar lá, porque são pessoas que têm conceitos bastante exigentes, mas que exercem um grande fascínio sobre os Moonspell.
A agenda dos Moonspell está completamente ao rubro: Europa, Turquia, Inglaterra e depois Estados Unidos e Canadá. Como é que se prepara uma banda para uma maratona destas?
Não pensar muito nisso, sinceramente. As coisas vão-se fazendo no dia a dia.
Há muitos preparativos burocráticos, ligações para os Estados Unidos, listas, material, etc. Fazemos essas coisas também em colaboração com a nossa equipa e com os nossos agentes.
Mas uma digressão é um momento bastante especial para uma banda. As bandas precisam de digressões. Nós adoramos Portugal, mas precisamos de sair de Portugal.
Cada vez que saímos de Portugal, tornamo-nos uma banda melhor, mais ativa e melhor a tocar.
O grande problema de bandas e artistas em Portugal, de vez em quando, é um bocadinho a falta de mundo. Nós temos esse mundo ao nosso dispor e, como tal, o que fazemos é uma sorte, um privilégio, mas também uma realidade.
Temos a obrigação de encher a nossa agenda e de trazer a experiência acumulada dos concertos lá fora. De vez em quando são bons, de vez em quando são mais duros, de vez em quando estamos em posições que não são de cabeça de cartaz, tal como fazemos habitualmente em Portugal.
Isso é um grande desafio e uma grande prova de fogo.
Enquanto a agenda estiver cheia, é muito bom sinal. Nós estamos sempre preparados. Isto é a nossa vida.
Não estamos preparados para fazer, se calhar, outras coisas. É um bocado como o sinal do Batman: aparece no céu e lá vão os Moonspell para onde quer que a nossa música e os nossos fãs nos chamem.
E em 2027 vai haver mais. Iremos anunciar, em breve, uma digressão europeia como cabeças de cartaz e um concerto de 35 anos dos Moonspell também em Portugal.
Portanto, as coisas estão bastante bem para os Moonspell.
Se tivesses de escolher uma única palavra para definir esta fase dos Moonspell, qual seria?
Sobrevivência.
Eu não gosto da palavra "resiliência", mas acho que "sobrevivência" é um bom estilo de preferência. É o que fazemos todos os dias.
O mundo da música é cruel. Nem sempre é aquilo que nós ou o público queremos. As coisas têm mudado muito.
Portanto, a palavra, sem dúvida, é sobrevivência.
Para quem nunca viu os Moonspell ao vivo, como é que convencerias essa pessoa a ir ao Festival F esta sexta-feira, 4 de setembro?
É sempre um mau sinal quando temos de convencer as pessoas.
Acho que o ser humano tem de ser curioso por natureza, tem de abrir a sua alma, a sua mente e o seu coração a experiências novas.
Eu também vou ver muitas coisas que, em princípio, não me interessam muito, mas depois venho de lá mais enriquecido.
Ir ver os Moonspell é ver uma banda que toca as suas músicas. Baterista, teclista, guitarristas, baixista, vocalista: é tudo tocado ao vivo e a cores.
É ver uma banda que tem um concerto bastante impactante, com bastantes decibéis, não vamos mentir. Nós não vamos ao Festival F tocar baladas.
Contrataram os Moonspell para serem os Moonspell e é isso que vamos ser.
Acho que é bonito de se ver, quanto mais não seja uma vez na vida.
Convido toda a gente a vir ao Largo da Sé. Começamos à uma da manhã, portanto é horário nobre para nós.
Tentamos sempre dar tudo ao público e, mesmo quem não gosta do estilo, compreende e respeita esse esforço.
Há alguma coisa que gostarias de dizer diretamente às pessoas que continuam convosco há tantos anos?
O que posso dizer?
Temos uma dívida de gratidão para com essas pessoas. Elas também dizem que têm uma dívida para connosco.
É difícil de entender, porque nós fazemos música e a música não serve para nada, serve para tudo. Costumo sempre dizer isto: a música não faz um pão, não constrói uma cidade, mas é a banda sonora dessas coisas todas.
A música é um fator muito importante de união nas nossas vidas.
E acho que, num mundo tão atomizado, com tanta divergência, com as redes sociais a tornarem-nos cada vez mais distantes uns dos outros, ao contrário da sua missão original, ter esta união com uma banda é uma coisa fantástica que só posso agradecer.
E se amanhã acordasses e tivesses um dia inteiro sem entrevistas, sem ensaios, sem viagens e sem Moonspell, o que é que o Fernando Ribeiro faria?
Lia bastante.
Tenho vários livros para acabar. Ler é o meu sítio sagrado, aquele happy place de que as pessoas costumam falar.
Uns fazem escalada, outros vão para o mar. Eu gosto de estar no sofá, no meu escritório, a ler, sem telefonemas, de preferência, e sem e-mails para responder.
Pode ser uma coisa um bocado chata, mas ler, para mim, é viajar.
Eu viajo muito e leio muito durante as viagens. É aquilo que me mantém focado, que me mantém inspirado.
Portanto, dedicava o dia completamente à leitura.
Fernando, muito obrigado.
Obrigado. Um abraço.
Fica então o encontro marcado para esta sexta-feira, dia 4 de setembro: os Moonspell no Festival F, em Faro. Muito obrigado.
Entre o peso do passado, a força do presente e a vontade de continuar a avançar, Fernando Ribeiro deixa uma palavra que resume bem a atual fase dos Moonspell: sobrevivência. Mas, nesta banda, sobreviver nunca significou ficar parado. Significa continuar a criar, a subir ao palco, a contar histórias e a construir memórias com quem os acompanha há décadas — e com quem os descobre agora.
Esta sexta-feira, 4 de setembro, o encontro faz-se no Largo da Sé, em Faro. Os Moonspell prometem levar ao Festival F a sua identidade, intensidade e força ao vivo, num concerto que, nas palavras de Fernando Ribeiro, será tudo menos uma noite de baladas. Afinal, depois de mais de três décadas de carreira, a história dos Moonspell continua a escrever-se em palco.
