Entrevista com EME

21-05-2026

Com o lançamento de Rise, EME apresenta-se ao mundo da música com uma identidade emocional, cinematográfica e profundamente pessoal. O single de estreia nasce de uma fase difícil da sua vida, transformada em canção através de uma escrita vulnerável e intensa. Nesta conversa, a artista fala sobre o início do projeto, as inspirações musicais, o trabalho em estúdio com Nuno Gonçalves e os planos para o futuro.


Antes de mais, quem é a EME e como nasceu este projeto musical?

Este projeto nasceu da minha vontade de fazer música a solo. Já tinha participado noutros projetos e senti finalmente a coragem de avançar com algo verdadeiramente meu. O nome EME vem precisamente de "M" de Mariana, e achei que não havia nada mais simples e genuíno do que isso.

Surge muito dessa necessidade de criar algo pessoal, de passar uma mensagem através da música. Sempre foi um caminho que quis seguir.

Rise é o teu single de estreia. Porque escolheste esta música para te apresentares ao público?

Sinto que esta música surgiu quase como um ato involuntário, mas necessário. Foi um desabafo de uma fase menos boa da minha vida. Precisava de expulsar aquelas emoções e seguir em frente.

O próprio título, Rise, fala disso: erguer-me. A letra aborda lutas internas, marcas da infância e a força necessária para recomeçar. De certa forma, é uma introdução ao que aí vem.

O título transmite uma ideia de superação. É esse o principal significado da canção?

Sim, sem dúvida. Não apenas uma superação pessoal, mas também uma tentativa de inspirar quem ouve a encontrar força para ultrapassar momentos difíceis.

Apesar de a letra estar muito centrada no "eu", gostava que as pessoas sentissem que não estão sozinhas e que há sempre forma de seguir em frente. Quero que a música funcione como um espaço seguro e inspirador.

Disseste que a música foi escrita "entre lágrimas e emoção crua". Foi difícil transformar esse momento em arte?

Na verdade, não. Foi algo muito natural. Primeiro surge-me quase sempre a letra e depois a melodia, mas sinto que ambas nascem juntas.

A melodia acaba por ilustrar exatamente aquilo que a mensagem quer transmitir. Não foi um processo complicado, foi genuíno.

O que esperas que as pessoas sintam quando ouvirem Rise pela primeira vez?

Gostava que sentissem força e confiança. Quem me conhece acaba por ouvir a música de forma mais emocional e isso nota-se no feedback que tenho recebido de amigos e familiares.

Mas acima de tudo quero que as pessoas sintam apoio. Que percebam que podem ser elas próprias, sem vergonha, e que a música as pode acompanhar nesse crescimento pessoal.

A produção tem uma dimensão muito cinematográfica. Era essa a sonoridade que imaginavas?

Sim. Talvez não desde o primeiro momento, mas à medida que a música foi ganhando forma comecei a perceber que queria esse ambiente cinematográfico, quase como uma banda sonora.

Queria que as pessoas se deixassem envolver não apenas pela voz, mas também por tudo o que acontece à volta: os violinos, a bateria, toda a atmosfera criada na produção.

Como foi trabalhar com o Nuno Gonçalves na produção e gravação?

Foi um processo muito fluido e bastante próximo. Nunca tinha trabalhado assim, cara a cara, com alguém em estúdio, e ele fez-me sentir muito confortável desde o início.

Esta música demorou quase um ano a ficar concluída, precisamente por ser a primeira. Também estávamos a perceber como funcionávamos em conjunto.

O Nuno acabou por ter um papel muito importante: fez guitarras, baixo, teclados, produziu e acompanhou todo o processo vocal. O Gabriel Ildefonso participou na bateria. Foi um trabalho muito especial e continuo a trabalhar com eles nos próximos temas.

Que artistas ou influências musicais marcaram este teu som?

Sempre tive uma base muito ligada ao rock, mas nos últimos anos tenho ouvido muito mais pop e tentado absorver referências diferentes.

Uma das artistas que mais me inspira atualmente é a RAYE, precisamente pela forma livre como experimenta estilos e emoções. Continuo também muito ligada ao universo do rock e à componente orquestral, que quero continuar a explorar nas músicas futuras.

O videoclipe de Rise já está disponível. Que história querias contar através das imagens?

Queria transmitir a ideia de viagem. O carro simboliza esse percurso, essa transição para uma nova fase.

É um vídeo bastante direto, sem uma narrativa muito complexa, mas sinto que passa exatamente aquilo que queria: vulnerabilidade, emoção e presença. Os planos mais próximos ajudam a transmitir essa fragilidade e intensidade.

Como foi trabalhar com o realizador David Sobral?

Foi muito bom. Já trabalhámos juntos várias vezes e ele é um amigo próximo. Além disso, é extremamente profissional e tem sempre ideias incríveis.

O processo foi divertido porque inicialmente o vídeo ia incluir um cavalo, mas acabou por não acontecer. Gravámos durante dois ou três dias, filmando tudo por partes até construirmos o resultado final. Foi uma experiência muito positiva.

Este single é apenas o começo. O que podemos esperar da EME nos próximos meses?

Já estou a trabalhar em novas músicas e também numa versão acústica de Rise, que deverá sair em breve.

Os próximos temas terão sonoridades um pouco diferentes, mas sinto que Rise funciona como uma despedida de uma fase antiga e o início de uma nova versão de mim mesma.

Pretendes levar estas músicas para palco em breve?

Sim, esse é claramente o objetivo. Ainda é tudo um trabalho em progresso, mas quero muito tocar ao vivo.

A ideia passa por lançar mais singles, eventualmente editar um EP e depois apresentar tudo ao público em palco.

Qual é o teu maior sonho enquanto artista?

O meu maior sonho é conseguir tocar as pessoas de forma positiva através da música. Quero que aquilo que escrevo inspire alguém a seguir em frente ou a ultrapassar uma fase difícil.

Claro que também sonho tocar em grandes palcos e alcançar sucesso, mas o mais importante para mim é criar impacto emocional e inspirar pessoas.

Se tivesses de descrever Rise em apenas três palavras, quais seriam?

Renascimento, força e necessidade.

Qual foi a primeira pessoa a ouvir a música terminada?

Provavelmente a minha irmã. Antes disso já tinha mostrado algumas maquetes e ideias a amigos próximos e familiares, mas ela foi das primeiras pessoas a ouvir a versão final.

Para terminar: que música tens ouvido em loop ultimamente?

Tenho ouvido muito o novo álbum da RAYE. Se tivesse de escolher uma música, diria "Nightingale". É um tema muito emocional e identifico-me bastante com essa intensidade.


Com Rise, EME dá o primeiro passo de um percurso artístico marcado pela honestidade emocional, pela força das palavras e por uma identidade sonora cada vez mais definida. Entre influências que cruzam o rock, o pop e a componente cinematográfica, a artista promete continuar a transformar experiências pessoais em canções capazes de criar ligação com quem a ouve. Este é apenas o início de uma viagem que se quer intensa, vulnerável e inspiradora.

Foto: Direitos Reservados

O cantor e compositor português Daniel Galvão está de volta com "Lima Limão", o novo single já disponível em todas as plataformas digitais. Inspirado por sonoridades de Funk, Jazz, MPB e Gospel afro-americano, o tema apresenta uma fusão sofisticada entre groove, sensualidade e experimentação sonora.

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