O artista português Chico da Tina acaba de lançar "SOU ARQUEÓLOGO", o mais recente single de antecipação do álbum SOU GRANDE NO AMOR. O tema reforça a identidade única do músico minhoto, que continua a cruzar sonoridades populares com o característico universo do luso-piseiro.
Entrevista com Bruna

Mais de três décadas depois do sucesso de Quero-te-de-Volta, Bruna continua a conquistar o público com a mesma paixão que a levou aos palcos nos anos 90. Entre recordações de uma carreira repleta de desafios, o impacto do Big Brother, os novos projetos musicais e a ligação inabalável aos fãs, a artista fala sobre o presente e o futuro numa conversa marcada pela emoção, gratidão e vontade de continuar a surpreender.
Mais de 30 anos depois do sucesso de Quero-te-de-Volta, como olha hoje para essa fase tão marcante da sua carreira?
Olho para essa fase com muito amor e cada vez mais respeito por aquilo que faço. Cantar é algo que sempre amei e esta profissão exige persistência, coragem e muita crença no nosso trabalho. Houve momentos em que pensei desistir, mas a vida tem-me dado sinais para continuar.
Sinto um enorme reconhecimento do público, das rádios, da televisão e de todas as pessoas que acreditam no meu percurso. Ao longo dos anos aprendi muito, cresci muito e continuo a aprender todos os dias. As alegrias, as quedas e os desafios fizeram parte deste caminho e, olhando para trás, posso dizer que valeu a pena.
O público continua a associar a Bruna a esse êxito dos anos 90?
Sim, embora as gerações mudem e os anos passem. Muitas vezes basta cantar o refrão de Quero-te-de-Volta para as pessoas imediatamente se lembrarem. É muito bonito perceber que não são apenas as pessoas da minha geração que conhecem a música; há também crianças que a cantam.
Fisicamente, algumas pessoas podem não me reconhecer de imediato, mas a música ficou na memória coletiva. E isso deixa-me muito feliz.
O projeto Bruna & Liliana marcou uma geração. Que recordações guarda dessa época?
Guardo recordações maravilhosas. Tinha apenas 19 anos e nunca imaginei que pudesse viver da música. Foi tudo muito rápido: viagens constantes, espetáculos, entrevistas e um disco que alcançou o galardão de ouro.
Foi uma verdadeira escola. Cresci muito a nível profissional e pessoal. Na altura não existiam redes sociais e havia uma magia muito especial na relação com os fãs. Recebíamos cartas, respondíamos a todas e criávamos uma ligação muito próxima. Era uma realidade diferente, mas muito bonita.
Em 2013 decidiu recuperar Quero-te-de-Volta. Sentiu que havia uma nova geração a descobrir a música?
Sem dúvida. Senti que era o momento certo para mostrar quem eu era enquanto artista. Embora já tivesse lançado trabalhos a solo, quis dar uma nova vida a um tema que considero intemporal.
Foi um risco, porque tinha receio da reação do público, mas acabou por ser uma experiência muito positiva. A música foi muito bem recebida, tanto pelas pessoas que já a conheciam como pelas novas gerações. Foi também um momento importante porque me abriu novas portas e deu maior visibilidade ao meu trabalho.
Ao longo dos anos tem explorado sonoridades mais latinas e dançáveis. Sempre foi uma influência natural?
Sim. Sempre fui uma pessoa muito ligada à dança e isso faz parte da minha identidade artística. Desde o início da minha carreira a solo que procuro unir música, interpretação e movimento.
Gosto de fazer parte do espetáculo de forma completa. Para mim, um concerto é mais do que cantar; é criar energia, emoção e magia. A música latina encaixa naturalmente naquilo que sou enquanto artista.
Muitas das suas músicas falam de amor e emoções. Continua a acreditar que esse é o tema que mais toca as pessoas?
Acredito que sim. O amor é uma palavra poderosa e nunca deve ser banalizada. Vivemos numa época em que precisamos de mais empatia, mais compreensão e mais afeto.
Quando interpreto uma canção, procuro transmitir força, esperança e superação. Quero que as pessoas percebam que são mais fortes do que imaginam e que conseguem ultrapassar os momentos difíceis.
O Amor Nunca Morre teve uma excelente receção. O que sentiu ao perceber que o público continua tão ligado às suas canções?
Foi muito emocionante. Já não lançava uma balada tão marcante há bastante tempo e sabia que era uma aposta arriscada.
A música nasceu inspirada numa história real e contou com um videoclipe muito especial, pensado para que também pudesse ser compreendido por pessoas surdas. Recebemos mensagens muito bonitas, incluindo a de uma pessoa surda que nos agradeceu esse cuidado.
Além disso, o tema alcançou posições de destaque nas tabelas musicais do YouTube em Portugal, algo que nunca imaginei. Foi um dos momentos mais gratificantes da minha carreira.
O novo single Quero Enlouquecer fala de um amor vivido intensamente. O que a atraiu neste tema?
O que mais me atraiu foi precisamente o facto de não ser uma história de sofrimento. É uma canção sobre desejo, paixão, proximidade e intensidade emocional.
Musicalmente, também representa uma pequena mudança naquilo que habitualmente faço. Gosto de sair da minha zona de conforto e experimentar novas abordagens, mesmo sabendo que isso envolve sempre algum risco.
Como surgiu a colaboração com Jorge do Carmo e Nikita?
Conheço ambos há muitos anos. A Nikita já fazia parte da minha vida muito antes de sermos artistas conhecidos e o Jorge é alguém com quem tenho uma ligação profissional e pessoal muito forte.
São pessoas que conhecem bem a minha forma de pensar, sentir e trabalhar. Tenho muita sorte em poder contar com eles e espero continuar a criar música ao lado deles durante muitos anos.
Depois de tantos anos de carreira, o palco ainda provoca nervosismo?
Sempre. Acho que nunca vai deixar de provocar.
Cada espetáculo é diferente e a responsabilidade continua a ser enorme. Quero sempre dar o meu melhor e proporcionar ao público um momento especial. As famosas "borboletas no estômago" continuam lá e provavelmente continuarão para sempre.
Qual foi um dos momentos mais especiais da sua carreira?
Tive vários, mas destaco dois.
Um deles foi quando tive a oportunidade de abrir o concerto do Leandro no Coliseu dos Recreios. Recordo-me de pessoas se levantarem e virem entregar-me flores ao palco. Foi algo que me emocionou profundamente.
O outro foi a participação no Big Brother. Entrei sem expectativas e acabei por viver uma experiência transformadora. A final do programa marcou-me muito e ajudou-me a perceber que as pessoas me aceitavam exatamente como eu sou.
O carinho do público continua a surpreendê-la?
Muito. Às vezes pergunto-me se mereço tanto carinho.
Sou apenas uma pessoa como qualquer outra, com qualidades, defeitos, alegrias e dificuldades. O reconhecimento que recebo vai muito além do que alguma vez imaginei e isso aumenta ainda mais o meu sentido de responsabilidade.
Que música nunca falta na sua playlist?
Neste momento, Tudo ou Nada é uma das músicas que mais ouço. Tem um significado muito especial porque representa uma fase importante da minha vida e continua a emocionar-me sempre que a escuto.
Fora da música, como gosta de aproveitar o tempo livre?
Na verdade, tenho muito pouco tempo livre. Além da música, trabalho na área da estética e tenho o meu espaço, o Lady Marmalade Beauty.
Quando consigo parar, gosto de estar com a minha família, com a minha filha, o meu marido e os meus amigos. São esses momentos que me ajudam a recarregar energias.
Se pudesse definir esta nova fase da sua carreira numa única palavra, qual seria?
Fénix.
Aliás, a minha digressão deste ano chama-se precisamente Fénix Tour. Representa o renascimento, a superação e a capacidade de voltar a erguer-me depois dos desafios.
O que podemos esperar da Bruna nos próximos meses?
Muitos espetáculos, muita energia e muita proximidade com o público. Vou percorrer o país de norte a sul e continuar a trabalhar em novas músicas.
Depois do verão poderão surgir algumas novidades e surpresas que acredito que vão surpreender quem me acompanha.
Que mensagem gostaria de deixar aos fãs de sempre e também a quem a está agora a descobrir?
Quero agradecer todo o carinho que tenho recebido. Aos fãs que me acompanham desde os anos 90 e aos que chegaram mais recentemente, deixo uma palavra de gratidão.
Continuarei a trabalhar para fazer melhor, para levar a minha música mais longe e para representar Portugal da melhor forma possível. Obrigada por me aceitarem exatamente como sou.
Entrevista editada e adaptada para publicação em revista de música.
Entre memórias de um dos maiores êxitos da música portuguesa dos anos 90 e uma renovada vontade de continuar a surpreender, Bruna vive uma fase de afirmação e maturidade artística. Com a Fénix Tour a percorrer o país, novos temas a caminho e uma ligação cada vez mais forte ao público, a cantora mostra que o seu percurso está longe de ficar preso ao passado. Mais do que celebrar uma carreira construída com dedicação e perseverança, Bruna continua a escrever novos capítulos, mantendo intacta a paixão pela música e a gratidão por quem a acompanha há mais de três décadas.
Foto: Direitos Reservados
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