Mais de 30 anos depois do sucesso de Quero-te-de-Volta,
como olha hoje para essa fase tão marcante da sua carreira?
Olho para
essa fase com muito amor e cada vez mais respeito por aquilo que faço. Cantar é
algo que sempre amei e esta profissão exige persistência, coragem e muita
crença no nosso trabalho. Houve momentos em que pensei desistir, mas a vida
tem-me dado sinais para continuar.
Sinto um
enorme reconhecimento do público, das rádios, da televisão e de todas as
pessoas que acreditam no meu percurso. Ao longo dos anos aprendi muito, cresci
muito e continuo a aprender todos os dias. As alegrias, as quedas e os desafios
fizeram parte deste caminho e, olhando para trás, posso dizer que valeu a pena.
O público continua a associar a Bruna a esse êxito dos
anos 90?
Sim, embora
as gerações mudem e os anos passem. Muitas vezes basta cantar o refrão de Quero-te-de-Volta
para as pessoas imediatamente se lembrarem. É muito bonito perceber que não são
apenas as pessoas da minha geração que conhecem a música; há também crianças
que a cantam.
Fisicamente,
algumas pessoas podem não me reconhecer de imediato, mas a música ficou na
memória coletiva. E isso deixa-me muito feliz.
O projeto Bruna & Liliana marcou uma geração. Que
recordações guarda dessa época?
Guardo
recordações maravilhosas. Tinha apenas 19 anos e nunca imaginei que pudesse
viver da música. Foi tudo muito rápido: viagens constantes, espetáculos,
entrevistas e um disco que alcançou o galardão de ouro.
Foi uma
verdadeira escola. Cresci muito a nível profissional e pessoal. Na altura não
existiam redes sociais e havia uma magia muito especial na relação com os fãs.
Recebíamos cartas, respondíamos a todas e criávamos uma ligação muito próxima.
Era uma realidade diferente, mas muito bonita.
Em 2013 decidiu recuperar Quero-te-de-Volta.
Sentiu que havia uma nova geração a descobrir a música?
Sem dúvida.
Senti que era o momento certo para mostrar quem eu era enquanto artista. Embora
já tivesse lançado trabalhos a solo, quis dar uma nova vida a um tema que
considero intemporal.
Foi um
risco, porque tinha receio da reação do público, mas acabou por ser uma
experiência muito positiva. A música foi muito bem recebida, tanto pelas
pessoas que já a conheciam como pelas novas gerações. Foi também um momento
importante porque me abriu novas portas e deu maior visibilidade ao meu
trabalho.
Ao longo dos anos tem explorado sonoridades mais
latinas e dançáveis. Sempre foi uma influência natural?
Sim. Sempre
fui uma pessoa muito ligada à dança e isso faz parte da minha identidade
artística. Desde o início da minha carreira a solo que procuro unir música,
interpretação e movimento.
Gosto de
fazer parte do espetáculo de forma completa. Para mim, um concerto é mais do
que cantar; é criar energia, emoção e magia. A música latina encaixa
naturalmente naquilo que sou enquanto artista.
Muitas das suas músicas falam de amor e emoções.
Continua a acreditar que esse é o tema que mais toca as pessoas?
Acredito que
sim. O amor é uma palavra poderosa e nunca deve ser banalizada. Vivemos numa
época em que precisamos de mais empatia, mais compreensão e mais afeto.
Quando
interpreto uma canção, procuro transmitir força, esperança e superação. Quero
que as pessoas percebam que são mais fortes do que imaginam e que conseguem
ultrapassar os momentos difíceis.
O Amor Nunca Morre teve uma excelente receção. O que
sentiu ao perceber que o público continua tão ligado às suas canções?
Foi muito
emocionante. Já não lançava uma balada tão marcante há bastante tempo e sabia
que era uma aposta arriscada.
A música
nasceu inspirada numa história real e contou com um videoclipe muito especial,
pensado para que também pudesse ser compreendido por pessoas surdas. Recebemos
mensagens muito bonitas, incluindo a de uma pessoa surda que nos agradeceu esse
cuidado.
Além disso,
o tema alcançou posições de destaque nas tabelas musicais do YouTube em
Portugal, algo que nunca imaginei. Foi um dos momentos mais gratificantes da
minha carreira.
O novo single Quero Enlouquecer fala de um amor
vivido intensamente. O que a atraiu neste tema?
O que mais
me atraiu foi precisamente o facto de não ser uma história de sofrimento. É uma
canção sobre desejo, paixão, proximidade e intensidade emocional.
Musicalmente,
também representa uma pequena mudança naquilo que habitualmente faço. Gosto de
sair da minha zona de conforto e experimentar novas abordagens, mesmo sabendo
que isso envolve sempre algum risco.
Como surgiu a colaboração com Jorge do Carmo e Nikita?
Conheço
ambos há muitos anos. A Nikita já fazia parte da minha vida muito antes de
sermos artistas conhecidos e o Jorge é alguém com quem tenho uma ligação
profissional e pessoal muito forte.
São pessoas
que conhecem bem a minha forma de pensar, sentir e trabalhar. Tenho muita sorte
em poder contar com eles e espero continuar a criar música ao lado deles
durante muitos anos.
Depois de tantos anos de carreira, o palco ainda
provoca nervosismo?
Sempre. Acho
que nunca vai deixar de provocar.
Cada
espetáculo é diferente e a responsabilidade continua a ser enorme. Quero sempre
dar o meu melhor e proporcionar ao público um momento especial. As famosas
"borboletas no estômago" continuam lá e provavelmente continuarão para sempre.
Qual foi um dos momentos mais especiais da sua
carreira?
Tive vários,
mas destaco dois.
Um deles foi
quando tive a oportunidade de abrir o concerto do Leandro no Coliseu dos
Recreios. Recordo-me de pessoas se levantarem e virem entregar-me flores ao
palco. Foi algo que me emocionou profundamente.
O outro foi
a participação no Big Brother. Entrei sem expectativas e acabei por
viver uma experiência transformadora. A final do programa marcou-me muito e
ajudou-me a perceber que as pessoas me aceitavam exatamente como eu sou.
O carinho do público continua a surpreendê-la?
Muito. Às
vezes pergunto-me se mereço tanto carinho.
Sou apenas
uma pessoa como qualquer outra, com qualidades, defeitos, alegrias e
dificuldades. O reconhecimento que recebo vai muito além do que alguma vez
imaginei e isso aumenta ainda mais o meu sentido de responsabilidade.
Que música nunca falta na sua playlist?
Neste
momento, Tudo ou Nada é uma das músicas que mais ouço. Tem um
significado muito especial porque representa uma fase importante da minha vida
e continua a emocionar-me sempre que a escuto.
Fora da música, como gosta de aproveitar o tempo
livre?
Na verdade,
tenho muito pouco tempo livre. Além da música, trabalho na área da estética e
tenho o meu espaço, o Lady Marmalade Beauty.
Quando
consigo parar, gosto de estar com a minha família, com a minha filha, o meu
marido e os meus amigos. São esses momentos que me ajudam a recarregar energias.
Se pudesse definir esta nova fase da sua carreira numa
única palavra, qual seria?
Fénix.
Aliás, a
minha digressão deste ano chama-se precisamente Fénix Tour. Representa o
renascimento, a superação e a capacidade de voltar a erguer-me depois dos desafios.
O que podemos esperar da Bruna nos próximos meses?
Muitos
espetáculos, muita energia e muita proximidade com o público. Vou percorrer o
país de norte a sul e continuar a trabalhar em novas músicas.
Depois do
verão poderão surgir algumas novidades e surpresas que acredito que vão
surpreender quem me acompanha.
Que mensagem gostaria de deixar aos fãs de sempre e
também a quem a está agora a descobrir?
Quero
agradecer todo o carinho que tenho recebido. Aos fãs que me acompanham desde os
anos 90 e aos que chegaram mais recentemente, deixo uma palavra de gratidão.
Continuarei
a trabalhar para fazer melhor, para levar a minha música mais longe e para
representar Portugal da melhor forma possível. Obrigada por me aceitarem
exatamente como sou.
Entrevista editada
e adaptada para publicação em revista de música.