Entrevista com AUREA

22-10-2026

A cantora regressa com "Back Into Love" e prepara um novo álbum para a primavera de 2027. Numa conversa sobre maturidade, liberdade criativa e a relação com o público, revela uma artista mais segura das suas escolhas, mas que continua a sentir o nervoso miudinho antes de cada novo desafio.

Depois de cerca de três anos sem editar música nova, Áurea está de regresso com "Back Into Love", um single que abre caminho para uma nova etapa da sua carreira. A cantora prepara um álbum, previsto para a primavera de 2027, com vontade de explorar novas possibilidades sem perder a essência que a aproxima do público. Nesta entrevista, fala sobre o processo criativo, a utilização da inteligência artificial no videoclipe, as lições que foi acumulando desde 2010 e a importância de continuar a fazer canções capazes de tocar a vida de quem as ouve.


Como te sentes nesta nova fase da tua carreira?

Acima de tudo, sinto-me muito feliz e agradecida por tudo aquilo que as pessoas me têm dado ao longo destes anos. Têm sido muito generosas comigo, por isso não podia sentir-me de outra forma. Estou muito orgulhosa do novo disco que estou a preparar, que deverá sair na primavera de 2027. Ainda estou a ir ao estúdio e quero aproveitar esta fase em que as músicas ainda são minhas. Costumo dizer que é a parte mais egoísta do processo: estamos a compor e a trabalhar com os produtores. Quando as canções são editadas e o álbum chega ao público, voam para as mãos das pessoas e passam a ser delas. Estou a aproveitar muito esta etapa final, porque estou quase a concluir o alinhamento e tem-me dado imenso gosto trabalhar neste disco. Entretanto, "Back Into Love" já está cá fora desde 10 de setembro.

Que reações tens recebido a "Back Into Love"?

Têm sido maravilhosas, até melhores do que podia esperar. Estive cerca de três anos sem lançar um novo single, embora tenha continuado a dar concertos e a fazer outros trabalhos. As pessoas perguntavam-me muitas vezes quando chegaria música nova. Esta pausa na edição foi muito importante: deu-me tempo para me voltar a situar enquanto cantora e artista, pensar no que queria fazer, com quem queria trabalhar e nas mensagens que queria transmitir. Foi essencial para descobrir esta nova fase. As pessoas têm sido muito generosas com "Back Into Love", como têm sido ao longo destes anos, e tenho ficado muito feliz com as reações.

O que sentes que mudou na Áurea de hoje?

Sou o resultado de tudo aquilo que vivi e fiz ao longo destes anos. Não sou muito boa a fazer contas à carreira; vou deixando o tempo passar. Sinto-me mais madura, tanto como mulher como enquanto artista, e tenho hoje muitas certezas sobre aquilo que quero fazer. Houve alturas em que não tinha essa clareza, mas agora sei melhor o que quero cantar, com quem quero trabalhar e o que faz sentido para mim no presente. Não gosto muito de pensar no futuro distante. Prefiro concentrar-me naquilo que estou a fazer agora, e sinto-me muito feliz assim.

Mesmo com tantos anos de carreira, ainda sentes o nervoso miudinho quando lanças uma música nova?

Sempre. Acho que nunca vou perder esse nervoso. Nos primeiros anos era muito mais difícil controlá-lo e acabava por deixar toda a gente à minha volta nervosa também. Tremia, ficava mesmo ansiosa. Hoje continuo a sentir esse frio na barriga, mas tento controlá-lo para não contagiar a equipa. Acontece antes de subir ao palco, de cantar num programa de televisão ou até de dar uma entrevista. O coração acelera sempre um bocadinho. Acho que faz parte.

Acreditas que aprendemos a amar de maneira diferente com o tempo?

Que boa pergunta! Acho que o tempo é essencial para crescermos e nos tornarmos mais maduros. A forma como eu amava aos 16 anos, se lhe podemos chamar amor, era provavelmente a forma que conhecia nessa altura. Não é a mesma maneira de amar que tenho agora, aos 39. As coisas mudam e vamos aprendendo cada vez mais. Ainda assim, o amor é tão incontrolável e surpreendente que nunca conseguimos saber tudo, por mais experiência que tenhamos.

Quem trabalhou contigo neste single e quem está a acompanhar-te no novo álbum?

Neste tema, tive o Stigo como produtor, que também está a trabalhar noutra música do álbum. Trabalhei com o Gonçalo Malafaia, um escritor e compositor maravilhoso, e com o Rick Wolf, que também participou na letra de "Back Into Love". No restante disco, estou a trabalhar com outras pessoas, entre elas Filipe Survival, Daus, Maninho e Fred Ferreira. Tenho uma equipa de luxo a trabalhar comigo neste novo álbum.

Quando entras em estúdio, chegas com uma ideia definida ou gostas de deixar que a música te surpreenda?

Posso levar algumas ideias-base, porque gosto de ter uma linha orientadora e de sentir que o trabalho tem alguma organização. Mas, quando chegamos ao estúdio, não quero limitar o trabalho dos compositores e produtores, nem fechá-los dentro de uma caixa. Gosto que tenham liberdade para experimentar e criar. A arte também é isso: dar espaço à criatividade. Gosto de os deixar voar durante a sessão e descobrir onde é que a música nos leva.

Que sonoridades ainda gostavas de explorar?

Nunca fui uma artista que ficasse presa a um único género. Desde pequena que ouvi muita música diferente, porque os meus pais punham discos muito variados em casa. Somos todos resultado daquilo que ouvimos ao longo da vida, e eu também gosto de cantar um bocadinho de tudo. Encontrei na pop a minha praia, sobretudo na pop a solo, embora o jazz também tenha influenciado algumas canções. Não quero ficar fechada numa caixa: quando sentir vontade de explorar outro género e achar que o consigo fazer, vou experimentar. Nunca fiz, por exemplo, bossa nova, e gosto muito. Talvez um dia experimente, nem que seja apenas por brincadeira, sem ter de fazer um álbum inteiro. O limite é a criatividade e a vontade de continuar a descobrir coisas.

Como encontraste o caminho musical que querias seguir?

Quando comecei a cantar, não tinha grande experiência musical e surgiu uma produtora interessada em gravar um disco comigo. Eu ainda não fazia ideia do tipo de álbum que queria fazer. O Rui Ribeiro, que já era meu amigo e foi responsável por tudo isto acontecer na minha vida, propôs-me gravar músicas de vários géneros. Assim poderíamos perceber aquilo de que eu gostava mais e com que sonoridades me identificava. Foi o que fizemos. Tenho uma maquete guardada numa gaveta, com canções que nunca chegaram a ser editadas. A "Busy" foi a última música que ouvi dessa maquete e foi aí que lhe disse: «É isto que quero fazer. Descobri aquilo de que gosto de cantar.» Foi uma forma muito inteligente de me ajudarem a encontrar o meu caminho.

O videoclipe de "Back Into Love" mistura imagens reais com inteligência artificial. Como nasceu essa ideia?

A história foi criada por mim e pela minha equipa. Depois falámos com o realizador, Gonçalo Carvoeiras, que já tinha trabalhado com inteligência artificial. Queríamos cenários muito diferentes, lugares sem necessariamente ligação entre si e até alguns ambientes mais surreais. Percebemos que a inteligência artificial podia ser uma ferramenta extraordinária para criar esse universo visual, porque nos permitia ultrapassar limitações de espaço e de tempo. É uma ferramenta presente no nosso dia a dia e, quando é usada da forma certa, pode ser muito útil. Tivemos uma equipa de maquilhagem, cabelo e styling, e as roupas eram reais. Também gravámos imagens reais para preservar a minha dimensão humana. O restante universo visual foi criado com inteligência artificial, num trabalho do Gonçalo de que gostei muito.

O que te ensinaram os álbuns "Áurea", "Soul Notes", "Restart", "Confessions" e "Moods"?

O primeiro disco foi extremamente importante, porque foi aquele que me deu a conhecer ao público e me aproximou das pessoas. Será sempre especial para mim. "Soul Notes" seguiu, de certa forma, a linha desse primeiro trabalho. "Restart" surgiu depois de uma fase complicada, em que passei por alguns contratempos na carreira; senti que precisava mesmo de recomeçar, daí o título. "Moods" e "Confessions" permitiram-me explorar outros territórios, para lá da soul e da pop que estavam mais presentes nos discos anteriores. Foram espaços para voar, de que eu sentia necessidade. Todos foram importantes no meu percurso e trouxeram-me até este novo trabalho.

O que tem a Áurea de hoje que a Áurea que começou em 2010 ainda estava a aprender?

Tenho mais bagagem, sem dúvida. Passei por muitas coisas ao longo destes anos: algumas boas, outras menos boas e outras difíceis. Aprendi muito sobre responsabilidade e capacidade de trabalho, e tornei-me mais madura graças a tudo aquilo que foi acontecendo. São lições que levamos connosco e que vão enchendo a nossa mochila. Neste caso, uma mochila pesada é bom sinal: significa que tivemos uma vida cheia de experiências. Sejam boas ou más, todas são importantes e ajudam a transformar-nos nas pessoas que somos.

O que gostarias que o novo álbum revelasse a quem te acompanha desde o início?

Espero que as pessoas consigam reconhecer a continuidade do meu percurso e, ao mesmo tempo, descubram um pouco mais sobre mim. Com cada disco, tento mostrar a Áurea verdadeira, não apenas a artista que sobe ao palco, dá concertos e faz o seu trabalho, mas também a pessoa que existe por detrás disso. Cada pessoa interpreta as canções à sua maneira, mas gostava que este álbum transmitisse um pouco mais da minha essência e daquilo que tenho cá dentro.

Quando desligas os microfones, o que gostas de fazer para recarregar baterias?

São coisas muito simples e tranquilas. Costumo dizer que sou um bichinho do mato desde pequena. Gosto de estar em casa, na minha bolha, no sofá, a ver filmes e séries ou a ouvir música. Estar com as pessoas que amo e ter os meus amigos por perto é aquilo que me faz feliz e me ajuda a recuperar energias.

O que ainda te entusiasma genuinamente, como se estivesses a começar agora?

Perceber que as pessoas ainda se reveem naquilo que faço. Quando lançamos uma canção, nunca sabemos como é que o público vai reagir, se vai gostar ou não. É muito especial quando alguém compreende aquilo que estamos a tentar dizer ou adapta uma música à sua própria vida. Para mim, há algo de mágico nisso. Saber que uma canção pode ajudar alguém a atravessar uma fase difícil ou um contratempo da vida é verdadeiramente mágico.

Se pudesses dar um conselho à Áurea que dava os primeiros passos em 2010, o que lhe dirias?

É fácil: «Segue o teu coração, miúda. Vai com tudo. Segue a tua intuição. Com as pessoas certas ao teu lado, vai dar tudo certo. Bora, dá-lhe força!»


Nesta nova etapa da carreira, Áurea mostra-se mais madura, segura das suas escolhas e fiel à sua essência. Com Back Into Love, a cantora abre caminho para um novo capítulo musical, marcado pela liberdade criativa, pela vontade de experimentar e pela ligação genuína ao público. Com um novo álbum previsto para a primavera de 2027, continua a acreditar no poder da música para emocionar, inspirar e acompanhar histórias de vida. E, apesar de toda a experiência acumulada desde 2010, mantém intacta a paixão pelo que faz e o entusiasmo de quem ainda tem muito para descobrir. Afinal, como a própria afirma, o segredo está em seguir o coração e confiar na intuição.

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