Entrevista com Antony Carrera

12-09-2026

Conversamos com um artista brasileiro que traz na música uma história feita de paixão, dedicação e muitas experiências. Antony Carrera é cantor, compositor, músico e produtor, com mais de 200 composições e mais de 70 temas lançados.

Natural de São Caetano do Sul, em São Paulo, Antony Carrera tem também uma ligação muito especial a Portugal: é neto de portugueses e assume que o nosso país está no seu sangue. Agora, essa ligação ganha uma nova dimensão com o desenvolvimento da sua carreira em Portugal e a entrada para a editora País Real.

"Feito Cana", lançado a 31 de julho simultaneamente no Brasil e em Portugal, marca uma nova etapa no percurso do artista. Um tema dançante, divertido e inspirado numa história real, que promete pôr toda a gente a cantar.

Antony Carrera falou-nos desta nova fase, das suas raízes portuguesas, das experiências que marcaram o seu percurso, das parcerias musicais e também dos sonhos que ainda quer concretizar.

É uma conversa sobre música, sonhos, Portugal e, acima de tudo, sobre nunca desistir.

Vamos então conhecer melhor Antony Carrera.


Quem é Antony Carrera quando sai do palco e deixa o microfone de lado?

Antes de mais, gostaria de agradecer o convite e esta oportunidade de falar um pouco sobre a minha nova fase na carreira. Estou muito feliz com o lançamento de "Feito Cana", entre outras músicas que vamos lançar ainda. "Feito Cana" chegou no dia 31 de julho, simultaneamente no Brasil e em Portugal.

Antony Carrera é um homem muito feliz, a fazer música e a compor. A música é um vírus na minha vida, um vírus de amor, de melodias, que fazem parte do meu coração e da minha história.

Sou uma pessoa muito tranquila e estou sempre a querer fazer o bem a todos. Não sei se, por vezes, isso é um acerto ou um erro, mas prefiro fazer o certo do que o errado.

São Paulo é a sua cidade, mas tem ascendência portuguesa. Que ligação mantém hoje com Portugal e o que significa para si estar a desenvolver a sua carreira por cá?

Sou de São Caetano do Sul, em São Paulo, no ABC Paulista. É a minha cidade, é onde estão as minhas raízes e onde começou toda esta aventura.

Mas existe uma ligação muito especial com Portugal. Sou neto de portugueses. Eles faleceram cedo e não tive oportunidade de viver essa ligação como gostaria. Talvez por isso tenha uma vontade tão grande de estar convosco em Portugal.

Amo a cultura, amo as pessoas e amo as raízes portuguesas. Tenho uma viagem marcada para este ano e estou muito feliz. Em breve vamos encontrar-nos.

Vir a Portugal através do meu trabalho é, sem dúvida, a concretização de um sonho. Portugal está no meu sangue.

Já passou por bandas, espetáculos internacionais e produções de eventos. O que é que essas experiências lhe ensinaram sobre estar em palco?

Em relação às bandas e a tudo o que já fiz no mundo da música, passei por vários projetos de repertório internacional, bandas e musicais. Fiz muitos espetáculos aqui no Brasil e também cheguei a atuar no Uruguai e na Argentina.

Cada projeto trouxe uma aprendizagem diferente. Acho que é precisamente essa mistura de experiências que me trouxe até aqui.

Canta, compõe, toca vários instrumentos e ainda produz. Há alguma destas facetas que lhe dê um prazer especial?

O prazer, para mim, está na música em si. Não importa o idioma. Já gravei em espanhol, em inglês e em português.

Costumo brincar e dizer: "Hoje não vou colocar voz porque a música ainda não entrou em mim. Quando entrar, vou colocar voz."

Cada canção que canto recebe a minha entrega total. E, obviamente, cantar as minhas próprias músicas, que eu mesmo componho, enche-me o coração de muita alegria.

Em 2019, decidiu avançar para uma carreira a solo. Foi uma decisão fácil ou houve aquele medo de começar praticamente tudo de novo?

O medo existe sempre. Vai existir em tudo.

Existe a ansiedade de querer fazer algo novo e experimentar coisas diferentes. Mas a minha carreira a solo, como Antony Carrera, foi um desafio que enfrentámos na altura, aqui em São Paulo.

Eu vinha de um espetáculo internacional, "Carpenters Experience", com o qual percorremos o Brasil inteiro e chegámos também ao Uruguai e à Argentina.

Foi uma experiência muito importante na minha vida. Mas a carreira a solo foi a cereja no topo do bolo. Foi aquele momento em que pensei: "Vou investir em mim, nos meus sonhos e naquilo em que realmente acredito."

Foi uma verdadeira mudança na minha vida.

Já tem mais de 200 músicas compostas. De onde vêm tantas histórias? É mais fácil escrever quando está feliz ou quando está de coração partido?

Tenho mais de 200 composições e mais de 70 lançamentos. E continuo a escrever.

Enquanto tivermos histórias para contar, sejam elas felizes ou tristes, temos motivos para criar.

Costumo dizer que preciso de "lenha" para poder criar. Às vezes, até a minha assessora aqui no Brasil, Alexandra, brinca comigo e pergunta: "Posso dar-te uma lenha?" E conta-me alguma coisa que pode transformar-se numa música.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com "Feito Cana", que nasceu da história de um amigo meu que vive precisamente aquela situação retratada na canção.

Escrevo independentemente da situação. Se estou feliz ou triste, estou sempre a escrever.

Foi considerado Artista Revelação do Ano em 2020 e teve quatro nomeações para o Grammy Latino. O que é que esse reconhecimento mudou e o que é que não mudou?

O reconhecimento através do Grammy Latino, de prémios e de outras distinções é muito importante na vida de um artista.

Mudou muitas coisas na minha vida, sobretudo a forma como as pessoas passaram a olhar para o meu trabalho e a sentir as minhas composições. Dá-nos outra dimensão e outro respeito.

O Grammy foi um sonho.

Desde 2020 que sou nomeado e, se Deus quiser, um dia vou ganhar.

Vamos falar de "Feito Cana", o seu novo single. Só o título já desperta curiosidade. Como nasceu esta expressão?

"Feito Cana" conta uma história de um amor mal resolvido, mas sem dramas.

Sou um dos compositores do tema e queria fazer uma coisa muito alegre, diferente, dançante e divertida. É uma música para festas, bailes e espetáculos, daquelas que a malta ouve e começa logo a cantar.

Estou muito feliz porque foi exatamente isso que começou a acontecer com a canção.

"Feito Cana" é um divisor de águas na minha carreira.

A música fala de uma relação daquele género "amo, odeio, vou-me embora, mas afinal fico". Há alguma história real por detrás da canção?

Sim. Como disse, é a história de um grande amigo que tenho aqui em São Paulo.

Ele ligava-me e dizia: "Antony, não vais acreditar. Ela pede-me para ficar, pede-me para ir embora. Gosta do meu cheiro, às vezes não gosta. Gosta do meu jeito e outras vezes não gosta. Diz-me um monte de coisas, eu termino a relação e depois ela liga e diz: 'Amor, eu gostava de namorar contigo hoje.'"

É uma relação em que ele nunca sabe muito bem o que está a acontecer. É quase uma novela mexicana, como dizemos aqui no Brasil.

O refrão é daqueles que fica rapidamente na cabeça. Quando percebeu que tinha ali um refrão "chiclete", pensou logo: "Isto vai pegar"?

A música começou pelo refrão. Comecei a tocar no piano, costumo compor dessa forma e a ideia surgiu logo.

O refrão apareceu imediatamente. Depois comecei a desenvolver toda a letra, imaginando a história deste meu amigo.

No dia seguinte, voltei a trabalhar na música e redesenhei-a por completo. O resultado ficou incrível.

Quero aproveitar para agradecer ao maestro Flávio Serrinha, que percebeu exatamente aquilo que eu imaginava. Tivemos uma sintonia muito boa. Ele tem uma enorme competência e uma qualidade musical fantástica.

Deixo também o meu agradecimento ao Paquito Rebelo e a toda a equipa da País Real. A música ficou incrível.

Esta música marca também uma nova fase, com a entrada para a editora País Real. O que representa para si esta nova etapa da sua vida musical?

A ligação que tenho com Portugal fez com que o universo conspirasse a favor desta nova parceria, tanto na minha vida profissional como pessoal.

Tive uma conversa muito franca com o Paquito Rebelo, que é, acima de tudo, um grande génio da música.

A País Real tem uma equipa muito profissional e, sobretudo, muito comprometida com os artistas.

O Paquito está sempre presente, acompanha, orienta, dá ideias, ensina e está realmente envolvido em todo o processo. Para mim, isso faz toda a diferença.

Estou muito satisfeito com esta fase com a País Real e muito confiante naquilo que estamos a construir juntos.

Sendo brasileiro com raízes portuguesas, sente que existe uma espécie de reencontro com as suas origens através da música?

Sempre. Tive uma grata surpresa na minha vida, por volta de 2005, quando tive a oportunidade de viver durante dois anos muito ligado à comunidade portuguesa aqui no Brasil, fazendo concertos e espetáculos.

Foi nessa altura que percebi realmente que tenho Portugal no sangue, através da minha família.

Sou muito grato por ter vivido essa experiência, porque foi ali que pude encontrar um pouco da minha história, da minha essência, e perceber que os meus bisavós vieram de um país tão querido e tão bonito.

Teve a oportunidade de cantar "No Existe Limites" com a mexicana Berenice Girón. Como nasceu essa parceria?

A amizade com a Berenice Girón foi uma grata surpresa. Quero aproveitar para lhe mandar um beijo especial.

Eu já era fã dela e acabámos por criar uma amizade durante a pandemia, através da Internet e do Instagram.

Começámos a conversar sobre música. Nessa altura, o mundo inteiro estava parado.

Falei-lhe da minha admiração por Armando Manzanero, que foi produtor de Luis Miguel e de tantos outros artistas. Ele também tinha trabalhado com a Berenice Girón, mas infelizmente acabou por falecer de Covid durante a pandemia.

Foi então que ela me disse que havia uma música dele que gostaria muito de gravar: "No Existe Limite".

Eu respondi imediatamente: "Eu adoro essa música. Podemos gravá-la juntos?"

Ela disse que sim e perguntou se eu queria fazer o arranjo. E foi aí que tudo ganhou forma.

É uma música que toca profundamente o meu coração e a minha alma. Cantar esta canção com ela foi espetacular.

Continua a fazer muito sucesso no México e é uma das músicas mais ouvidas da minha lista em várias plataformas de streaming.

Estou muito feliz com esta parceria.

Entre tantas colaborações, há duas que se destacam: Jane & Giovanni e o saudoso Marciano. O que significou para si cantar ao lado de artistas tão importantes?

Começando pelo Marciano: ele é uma lenda da música, não apenas brasileira, mas mundial.

Para mim, foi uma escola incrível cantar com ele.

Infelizmente, faleceu no início de 2019. Mas ter tido a oportunidade de cantar aquela música com ele foi algo surreal.

Estamos a falar de um artista que vendeu mais de 50 milhões de discos no Brasil. Não é algo que aconteça com qualquer artista.

O respeito que tenho por tudo aquilo que ele representa é enorme.

Quanto à Jane & Giovanni, são meus amigos e pessoas incríveis. Tive o prazer de cantar com eles uma música minha, "Como a Primeira Vez", e também uma música deles, "Nem Dormindo Consigo Te Esquecer".

Essa música está a fazer muito sucesso no Brasil e, em breve, chegará também a Portugal.

Se pudesse escolher hoje um dueto com um artista português e um brasileiro, quem escolheria?

São muitos os artistas portugueses que adoro.

No Brasil, seria um sonho cantar com Roberto Carlos, que é o Rei do Brasil.

Em Portugal, para fazer uma verdadeira junção das duas culturas, escolheria, sem dúvida, Tony Carreira.

Há alguma música que nunca se canse de cantar?

Nunca me canso de cantar.

Neste momento, "Feito Cana" está muito presente, porque é um lançamento que está a tocar bastante aqui no Brasil.

Mas a minha primeira composição, "Como a Primeira Vez", é uma música que continuo sempre a cantar.

Qual é a canção que sabe de cor, mas preferia que ninguém soubesse que gosta dela?

"Como a Primeira Vez" é uma música pela qual sou completamente apaixonado.

Foi onde tudo começou e representa aquilo que eu estava a viver naquela época.

Era um amor puro, um amor para a vida toda.

É uma música que não sai da minha cabeça.

Qual é o seu maior defeito enquanto músico?

Ser demasiado perfeccionista.

Gosto de ter tudo certo. Sou uma pessoa e um artista muito pontual com tudo.

Por vezes fico até chateado comigo próprio, porque trabalho 24 horas por dia. Se for preciso, até trabalho 36 horas, como já aconteceu.

Sou muito perfeccionista porque acredito que o público merece o nosso respeito e a nossa entrega.

Esse defeito acaba por ser também a sua maior qualidade?

Com toda a certeza.

O respeito que tenho pelo público e pela entrega que faço é muito importante.

Sou um cantor romântico, mas quando subo ao palco mudo completamente de atitude.

Sou um romântico assumido e o amor está praticamente presente em todas as minhas canções.

Mas há uma diferença: uma coisa é o Antony compositor, outra é o Antony em palco.

Na música posso ser completamente romântico, mas no espetáculo quero ver a malta toda a dançar, a divertir-se e a aproveitar comigo.

Que conselho deixaria a quem está agora a começar uma carreira artística?

O maior conselho que posso dar a todas as pessoas e artistas que estão a começar, ou que já estão nesta caminhada, é: paciência.

A paciência é o segredo de tudo na vida.

Podemos desanimar e podemos deixar de acreditar, mas não podemos desistir dos nossos sonhos.

Foi isso que aprendi desde a primeira reunião que tive aqui em São Paulo com a Alexandra Esperatti, a minha assessora, que faz tudo por mim e a quem quero deixar um beijo muito especial.

Ela é uma pessoa muito importante na minha vida.

Por isso, o que digo a todos é: tenham paciência e não desistam.

Antony Carrera, muito obrigado por esta conversa, pelas histórias e, claro, pela música e pela boa disposição. Até uma próxima!

Muito obrigado.

Quero aproveitar para agradecer, de coração, a todos vocês.

Muito obrigado pelo carinho e por me darem este espaço para falar um pouco da minha nova música e da minha história.

Quero agradecer também, de coração, à editora País Real, ao Paquito Rebelo e a toda a equipa por acreditarem no meu trabalho e por estarem presentes nesta nova fase da minha vida.

"Feito Cana" já está aí!

Um grande abraço e até muito breve!


Uma conversa em que Antony Carrera revelou não só o artista, mas também o homem por detrás da música. Entre mais de 200 composições, dezenas de lançamentos e várias experiências no mundo dos espectáculos, o cantor brasileiro continua a apostar numa carreira feita de paixão, entrega e muito trabalho.

"Feito Cana" representa uma nova etapa neste percurso e reforça também a ligação especial de Antony a Portugal, país onde estão as suas raízes familiares e onde agora pretende continuar a construir o seu caminho artístico, em parceria com a editora País Real.

Com novos projetos pela frente, o artista deixa ainda uma mensagem que resume bem a sua forma de encarar a carreira e a vida: ter paciência, acreditar nos sonhos e, acima de tudo, nunca desistir.

Antony Carrera, que sonha também com futuras colaborações com artistas portugueses, promete continuar a levar a sua música além-fronteiras. E "Feito Cana" é apenas o começo desta nova fase.

Foto: Direitos Reservados

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