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Entrevista com André Sardet, diretor artístico do Festival Mar Me Quer

André Sardet, diretor artístico do Festival Mar Me Quer, faz um balanço da preparação da edição de 2026, explica a aposta num cartaz mais jovem e revela porque acredita que este será o ano da afirmação do evento. Entre desafios, grandes nomes da música brasileira e a paisagem única da Zona Ribeirinha de Portimão, o responsável garante que o festival continua a crescer e já pensa na próxima edição.
O cartaz está fechado. Sente finalmente o alívio da missão cumprida ou agora é que começa a verdadeira corrida final?
Ainda não temos essa sensação de dever cumprido. O cartaz está fechado há já vários meses, embora só tenha sido divulgado ao grande público mais tarde, por questões estratégicas e para criar expectativa. Essa fase ficou ultrapassada há algum tempo. Agora estamos totalmente focados na organização do evento e em garantir que tudo corre da melhor forma.
Quando começaram a desenhar esta edição, qual era a principal ideia? O que queriam que o público sentisse ao entrar no recinto?
Este ano alterámos um pouco a linha artística das edições anteriores. Entendemos que era importante apresentar espetáculos menos acessíveis ao público português, trazendo artistas que normalmente não atuam com frequência no nosso país.
Optámos por nomes brasileiros muito acarinhados pelo público e o resultado tem sido excelente. A procura é bastante superior à dos anos anteriores e alguns dias estão praticamente esgotados. É muito gratificante perceber que o público confirmou aquilo que acreditávamos ser o caminho certo para o festival.
O festival continua a apostar na diversidade musical. É essa a identidade do Mar Me Quer?
Sem dúvida. O Mar Me Quer sempre foi um evento pensado para as famílias, mas este ano decidimos apostar num cartaz assumidamente mais jovem. Sentimos que existe pouca oferta no Algarve para quem procura divertir-se numa noite de verão.
Ao mesmo tempo, temos artistas como Maiara & Maraisa, cuja música é absolutamente transversal, tanto junto do público português como brasileiro. Nesse mesmo dia teremos também Chico da Tina e Sertabeijo, o que permite reunir diferentes gerações no mesmo recinto.
Houve algum artista particularmente difícil de confirmar?
As Maiara & Maraisa foram, sem dúvida, a maior conquista desta edição. É uma dupla muito difícil de contratar, até porque já tinham compromissos assumidos no Brasil.
Conseguimos, no entanto, integrar Portimão numa digressão organizada especificamente para esta altura. Sabemos que havia muita gente à espera deste concerto e isso reflete-se claramente na enorme procura por bilhetes. Foi uma verdadeira vitória para nós.
O Chico da Tina apresenta atualmente um espetáculo diferente daquele a que habituou o público. A escolha prende-se também com a vontade de garantir que a festa nunca para?
Sim. O Chico da Tina está numa excelente fase da carreira. É um artista muito acarinhado pelo público, garante animação e faz todo o sentido integrá-lo nesta edição.
Além disso, teremos também o Sertabeijo, trazendo ainda mais música brasileira. Queremos proporcionar uma experiência memorável e, este ano, até coincidimos com o eclipse do Sol, que poderá ser observado a partir do recinto. É um momento muito especial que convidamos todos a viver connosco.
O Noize Tribe estará presente durante os três dias do festival. O objetivo é manter sempre o ambiente em alta?
Precisamente. Queremos aproveitar aquele fantástico pôr do sol sobre o rio Arade e criar um ambiente de festa desde o final da tarde até ao encerramento de cada noite.
A resposta do público tem sido excelente e acreditamos que essa energia faz parte da identidade do festival.
A localização junto ao rio Arade é uma das grandes marcas do Mar Me Quer?
Não tenho qualquer dúvida. Quem entra no recinto ao final da tarde encontra um cenário verdadeiramente único. A luz do pôr do sol sobre o rio Arade cria uma atmosfera muito especial.
É uma das grandes mais-valias do festival e convidamos todos aqueles que ainda não conhecem o Mar Me Quer a viver essa experiência.
O público pode esperar algumas surpresas para além dos concertos?
Sim, pode. Mas, sendo surpresas, não posso revelar muito mais.
O Mar Me Quer já é muito mais do que um festival de música?
Sem dúvida. Hoje é um ponto de encontro entre amigos e famílias. Há pessoas que combinam reencontrar-se todos os anos no festival e isso deixa-nos muito felizes.
Temos conseguido manter um excelente ambiente, sem incidentes, e essa convivência saudável é algo que valorizamos muito.
A ligação à música brasileira continuará a ser uma imagem de marca do festival?
Não estamos presos a um conceito artístico específico. Tudo depende das oportunidades que surgem e das digressões dos artistas.
Este ano a aposta recaiu sobre grandes nomes brasileiros, mas no futuro poderemos ter artistas latinos, anglo-saxónicos ou de qualquer outra origem. Não estabelecemos limitações desse ponto de vista.
Portugal tem muitos festivais de verão. O que distingue o Mar Me Quer?
A localização é extraordinária e acreditamos que o Mar Me Quer se está a afirmar como o grande festival de verão do Algarve durante o mês de agosto.
É essa a visão que temos para o evento e queremos consolidá-lo cada vez mais nesse lugar.
Organizar um festival parece glamoroso, mas imagino que existam muitos desafios. Qual é o maior?
O maior desafio é encontrar o equilíbrio.
Temos de apresentar um cartaz suficientemente apelativo, mantendo simultaneamente preços acessíveis para o público.
Nos últimos anos assistimos a um aumento muito significativo dos cachets dos artistas, dos custos logísticos, dos equipamentos, dos transportes e do alojamento. Conseguir equilibrar a experiência que queremos proporcionar com a sustentabilidade financeira é, provavelmente, o maior desafio.
Já conseguem perceber qual é o dia que está a gerar maior procura?
Curiosamente, os três dias apresentam níveis de procura muito semelhantes, o que nos deixa bastante satisfeitos.
Ainda assim, aconselhamos quem pretende assistir ao festival a adquirir os bilhetes com antecedência, porque o recinto tem capacidade limitada.
Terminada esta edição, conseguem descansar ou já começam a pensar em 2027?
Não há muito tempo para descansar.
Assim que termina uma edição começamos imediatamente a preparar a seguinte. As digressões internacionais são organizadas com muita antecedência e nós já estamos, neste momento, em contactos para o cartaz do próximo ano.
Para terminar, se pudesse assistir apenas a um concerto como simples espectador, qual escolheria?
É praticamente impossível responder.
Tenho muita curiosidade em assistir a todos os concertos. Temos também a presença do Kiko Is Hot, uma figura muito popular nas redes sociais junto do público mais jovem.
Por isso, sinceramente, não consigo escolher apenas um. Vou assistir a todos.
O Festival Mar Me Quer realiza-se de 12 a 14 de agosto, na Zona Ribeirinha de Portimão, prometendo três dias de música, animação e um ambiente único junto ao rio Arade.
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