O cartaz está fechado. Sente finalmente o alívio da
missão cumprida ou agora é que começa a verdadeira corrida final?
Ainda não
temos essa sensação de dever cumprido. O cartaz está fechado há já vários
meses, embora só tenha sido divulgado ao grande público mais tarde, por
questões estratégicas e para criar expectativa. Essa fase ficou ultrapassada há
algum tempo. Agora estamos totalmente focados na organização do evento e em
garantir que tudo corre da melhor forma.
Quando começaram a desenhar esta edição, qual era a principal
ideia? O que queriam que o público sentisse ao entrar no recinto?
Este ano
alterámos um pouco a linha artística das edições anteriores. Entendemos que era
importante apresentar espetáculos menos acessíveis ao público português,
trazendo artistas que normalmente não atuam com frequência no nosso país.
Optámos por
nomes brasileiros muito acarinhados pelo público e o resultado tem sido
excelente. A procura é bastante superior à dos anos anteriores e alguns dias
estão praticamente esgotados. É muito gratificante perceber que o público
confirmou aquilo que acreditávamos ser o caminho certo para o festival.
O festival continua a apostar na diversidade musical.
É essa a identidade do Mar Me Quer?
Sem dúvida.
O Mar Me Quer sempre foi um evento pensado para as famílias, mas este ano
decidimos apostar num cartaz assumidamente mais jovem. Sentimos que existe
pouca oferta no Algarve para quem procura divertir-se numa noite de verão.
Ao mesmo
tempo, temos artistas como Maiara & Maraisa, cuja música é
absolutamente transversal, tanto junto do público português como brasileiro.
Nesse mesmo dia teremos também Chico da Tina e Sertabeijo, o que
permite reunir diferentes gerações no mesmo recinto.
Houve algum artista particularmente difícil de
confirmar?
As Maiara
& Maraisa foram, sem dúvida, a maior conquista desta edição. É uma
dupla muito difícil de contratar, até porque já tinham compromissos assumidos
no Brasil.
Conseguimos,
no entanto, integrar Portimão numa digressão organizada especificamente para
esta altura. Sabemos que havia muita gente à espera deste concerto e isso
reflete-se claramente na enorme procura por bilhetes. Foi uma verdadeira
vitória para nós.
O Chico da Tina apresenta atualmente um espetáculo
diferente daquele a que habituou o público. A escolha prende-se também com a
vontade de garantir que a festa nunca para?
Sim. O Chico
da Tina está numa excelente fase da carreira. É um artista muito acarinhado
pelo público, garante animação e faz todo o sentido integrá-lo nesta edição.
Além disso,
teremos também o Sertabeijo, trazendo ainda mais música brasileira. Queremos
proporcionar uma experiência memorável e, este ano, até coincidimos com o
eclipse do Sol, que poderá ser observado a partir do recinto. É um momento
muito especial que convidamos todos a viver connosco.
O Noize Tribe estará presente durante os três dias do
festival. O objetivo é manter sempre o ambiente em alta?
Precisamente.
Queremos aproveitar aquele fantástico pôr do sol sobre o rio Arade e criar um
ambiente de festa desde o final da tarde até ao encerramento de cada noite.
A resposta
do público tem sido excelente e acreditamos que essa energia faz parte da
identidade do festival.
A localização junto ao rio Arade é uma das grandes
marcas do Mar Me Quer?
Não tenho qualquer
dúvida. Quem entra no recinto ao final da tarde encontra um cenário
verdadeiramente único. A luz do pôr do sol sobre o rio Arade cria uma atmosfera
muito especial.
É uma das
grandes mais-valias do festival e convidamos todos aqueles que ainda não conhecem
o Mar Me Quer a viver essa experiência.
O público pode esperar algumas surpresas para além dos
concertos?
Sim, pode.
Mas, sendo surpresas, não posso revelar muito mais.
O Mar Me Quer já é muito mais do que um festival de
música?
Sem dúvida.
Hoje é um ponto de encontro entre amigos e famílias. Há pessoas que combinam
reencontrar-se todos os anos no festival e isso deixa-nos muito felizes.
Temos
conseguido manter um excelente ambiente, sem incidentes, e essa convivência
saudável é algo que valorizamos muito.
A ligação à música brasileira continuará a ser uma
imagem de marca do festival?
Não estamos
presos a um conceito artístico específico. Tudo depende das oportunidades que
surgem e das digressões dos artistas.
Este ano a
aposta recaiu sobre grandes nomes brasileiros, mas no futuro poderemos ter
artistas latinos, anglo-saxónicos ou de qualquer outra origem. Não
estabelecemos limitações desse ponto de vista.
Portugal tem muitos festivais de verão. O que
distingue o Mar Me Quer?
A
localização é extraordinária e acreditamos que o Mar Me Quer se está a afirmar
como o grande festival de verão do Algarve durante o mês de agosto.
É essa a
visão que temos para o evento e queremos consolidá-lo cada vez mais nesse
lugar.
Organizar um festival parece glamoroso, mas imagino
que existam muitos desafios. Qual é o maior?
O maior
desafio é encontrar o equilíbrio.
Temos de
apresentar um cartaz suficientemente apelativo, mantendo simultaneamente preços
acessíveis para o público.
Nos últimos
anos assistimos a um aumento muito significativo dos cachets dos artistas, dos
custos logísticos, dos equipamentos, dos transportes e do alojamento. Conseguir
equilibrar a experiência que queremos proporcionar com a sustentabilidade
financeira é, provavelmente, o maior desafio.
Já conseguem perceber qual é o dia que está a gerar
maior procura?
Curiosamente,
os três dias apresentam níveis de procura muito semelhantes, o que nos deixa
bastante satisfeitos.
Ainda assim,
aconselhamos quem pretende assistir ao festival a adquirir os bilhetes com
antecedência, porque o recinto tem capacidade limitada.
Terminada esta edição, conseguem descansar ou já
começam a pensar em 2027?
Não há muito
tempo para descansar.
Assim que
termina uma edição começamos imediatamente a preparar a seguinte. As digressões
internacionais são organizadas com muita antecedência e nós já estamos, neste
momento, em contactos para o cartaz do próximo ano.
Para terminar, se pudesse assistir apenas a um
concerto como simples espectador, qual escolheria?
É
praticamente impossível responder.
Tenho muita
curiosidade em assistir a todos os concertos. Temos também a presença do Kiko
Is Hot, uma figura muito popular nas redes sociais junto do público mais
jovem.
Por isso,
sinceramente, não consigo escolher apenas um. Vou assistir a todos.