Entrevista com Alcoolémia

Os Alcoolémia estão a comemorar 25 anos e lançaram recentemente o primeiro álbum ao vivo "25 Anos de Rock", o álbum foi gravado no concerto esgotado que a banda deu no Auditório do Seixal em Fevereiro de 2018, num espetáculo com convidados especiais.

Aqui fica a entrevista ao Som Direto:

Manelito, quais as grandes recordações que guardas do inicio da vossa carreira?

Bem as grandes recordações são boas, para além de boas era tudo novidade, era sempre uma energia muito boa que tínhamos em relação a tudo o que estava acontecer de positivo, que acabou por vir naturalmente em crescendo, o ganhar concursos de música moderna, o gravar uma maquete em 1992 com 3 temas, o irmos á procura de sítios para tocar, o gravarmos outra maquete onde aparecia um tema chamado Não sei se mereço, em final de 1993, ouvirmos temas nossos em Rádios, uma Rádio que apostou e meteu em air-play o Não sei se mereço, graças a isso sermos solicitados para mais espetáculos, uma editora interessar-se em nós, o primeiro agente com que trabalhámos que tinha na bagagem ter trabalhado com Xutos e Pontapés, e os UHF, gravar o 1º álbum em finais de 1994, passar de uma simples banda de garagem a uma banda conhecida a nível nacional através da revista super jovem, com o 1º single "Para quê sonhar", em Maio de 1995, o gravar o primeiro videoclipe do Não sei se mereço em Junho, em Julho desse ano sai o álbum "Não sei se mereço", o nervosismo de irmos dar entrevistas em Rádios, ansiedade do primeiro programa de tv em que participámos, ainda na Feira Popular, a surpresa de a banda entrar no Top de vendas, a seguir o percorrer Portugal de Norte a Sul, em 1996 recebemos o disco de prata por venda de mais 10.000 discos, já em 1997 o termos recebido uma medalha de prata de mérito cultural, entregue pela nossa Câmara Municipal do Seixal, em 1997 sai o 2º álbum Não há tretas, e assim num curto espaço de 5 anos de vida de banda foi assim algo mágico, algo que não se esquece.

Rapidamente como descreverias estes 25 anos de Alcoolémia?

Foram 25 anos de altos e baixos, sucessos e insucessos, temos 7 álbuns gravados, quase à volta de 1000 espetáculos dados, problemas com editoras, o mais grave termos de trocar de músicos, e o pesadelo de ter de trocar de vocalista em finais de 2008, obrigou-nos a quase como recomeçar do zero, as pessoas ouviam a nova voz, mas não identificavam que era os Alcoolémia, mas penso que passados mais de 10 anos o pior já passou e por vezes somos submetidos à prova para vermos se somos suficientemente fortes para ultrapassar as dificuldades ou desistimos, que teria sido o mais fácil, mas nós estamos cá, aprender com os erros e a tentar fazer mais e melhor do que já fizemos, nós sabemos das dificuldades e agradecemos sempre as coisas boas que nos acontecem e a quem se envolve connosco.

Nesta altura estão a passar uma fase muito positiva e muito importante da vossa carreira, os últimos tempos têm sido de muito trabalho?

Sim, estamos a colher alguns frutos de voltar a ter alguma regularidade em lançarmos discos, o Palma da mão em 2014, o XXV anos com convidados em 2017, e agora o 25 anos ao vivo em 2019, também pesaram positivamente para isso, entretanto já houve alteração de agência, de editora, e o mais importante para isso tudo que é estarmos unidos com os mesmos 5 elementos desde final de 2014, que nos tem permitido trabalhar com mais assiduidade e afinco e conscientes dos desafios que temos pela frente e bem aconselhados por parte do nosso manager quanto a decisões a tomar para se alcançar determinados objetivos.

Este novo álbum ao vivo assim como o anterior de estúdio marcam os nossos 25 anos e neles estão reunidos uma série de convidados, são músicos e amigos que marcaram a vida dos Alcoolémia?

Sim, no primeiro caso, escolhemos artistas que conhecíamos bem, e que cujas características se enquadravam nos temas que tínhamos escolhido para fazer parte do disco, pessoas com ADN de rock e de preferência da margem sul exceto o Nuno Norte que agora está a viver em Aveiro, tanto consagrados como jovens promessas, sei que não é muito normal fazer-se isto, mas nós sentimo-nos bem e quisemos marcar pela diferença. Para o álbum ao vivo, foi mesmo selecionar os que tinham algo de influência na nossa carreira e cruzado connosco na nossa vida, e ai chegámos aos que participaram, o António Manuel Ribeiro (UHF), e António Corte-Real (UHF/União das Tribos), Carlos Tavares (Grupo de Baile), Orlando Cohen (Censurados/Porta Voz), e ainda o Nuno Norte.

Mais que um álbum ao vivo, pelo seu conteúdo podemos dizer que é também uma homenagem à nossa música e ao rock português?

De certa forma também é, temos a nossa versão rock da Chiclete dos Táxi, o Cavalos de corrida dos UHF, a nossa versão rock do fado "Nem às paredes confesso", a nossa versão rock do "Patchouly" do Grupo de Baile, e ainda o "Remar Remar" dos Xutos e Pontapés, que adicionámos para homenagear o grande Zé Pedro entretanto falecido, o resto dos temas são os nossos clássicos a base do alinhamento que andávamos a fazer na Tour dos 25 anos em 2017, e que achámos por bem registá-lo num álbum ao vivo, era um álbum que nos faltava na nossa carreira e que teve o apoio da C.M. Seixal, que foi de extrema importância para a sua concretização.

Achas que hoje as novas bandas têm menos dificuldades do que aquelas que vocês tiveram há 25 anos?

São duas realidades distintas, à 25 anos não havia tanta quantidade de bandas, nem com tanta qualidade, mas havia editoras no nosso inicio de carreira que estavam atentas às novidades, e faziam uma triagem, editavam as bandas que achavam com potencial e qualidade e tinham dinheiro para investir, em produção, videoclipes, promoção, e nós músicos ganhávamos uma percentagem nas vendas dos álbuns, as pessoas compravam os teus discos, geralmente o que estava na moda a ser promovido nos media, era excelente, se tivesses êxito passavas para outro patamar, passavas a trabalhar com agentes que vendiam os teus espetáculos um pouco por todo o País, agora é muito diferente, também dantes não existia tanta divulgação, nem plataformas digitais onde podes promover a tua banda, sem precisares de mais ninguém, prolifera os estúdios caseiros, os músicos com 4 ou mais bandas, o mercado está saturado de bandas, é difícil passar para outro patamar, o do profissional, que apenas vive da música, o senão que vejo é que nem tem a ver com dificuldades de exposição mas na parte financeira, agora as bandas de originais tem que investir tudo do seu bolso, exceto alguns casos da moda, ou alguns que se evidenciaram em concursos televisivos, ou são do Hip Hop, e R&B, ou outros com os papás ricos a investirem e a gerir a carreira deles, todos os outros mesmo que tenham à venda as suas músicas nas plataformas digitais, os lucros são residuais, ganhando dinheiro a sério apenas nos espetáculos ao vivo, por esse fator é que que tens hoje em dia bons músicos preferirem fazer tributos e bandas de covers, e tem um trabalho da 9 às 17/18 a música é um hobbie que mete mais uns euros em casa ao final do mês.

O que ainda vos falta fazer?

É uma boa pergunta sem dúvida, temos ainda alguns projetos para fazer, ainda nos falta gravar um dvd de um espetáculo grande, bem que gostávamos de fazer parte de alguns cartazes de Festivais de grande dimensão em Portugal, algumas Festas topo, que ainda não conseguimos marcar presença, o tocar fora de Portugal, que ainda não tivemos o prazer de o fazer, portanto acho que nos falta ainda muitos desafios para concretizar, haja saúde para podermos sonhar e quem sabe o conseguirmos realizar, senão também já temos uma carreira com muito boas recordações para contar um dia aos nossos netos....

É uma boa questão...

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