Entrevista com 4 Mens

Com duas décadas de percurso na música popular portuguesa, os 4 Mens continuam fiéis à sua identidade: boa disposição, proximidade com o público e espetáculos onde a música se cruza com o humor e o teatro. À conversa connosco, Artur Peixoto fala sobre o novo single "E Sede?", colaborações, prémios internacionais e a digressão de 2026.
Como nasceu a ideia para o tema "E Sede?"?
"É Sede" nasce muito daquilo que é o nosso espírito: alegria e boa disposição.
A música transmite exatamente isso, festa e descontração, aquela brincadeira
constante entre nós. Tudo começou de forma espontânea, numa situação do dia a
dia, quando alguém diz "e sede?" numa espécie de piada interna. A partir daí
surgiu o conceito e desenvolvemos o tema, que acabou por se tornar o nosso mais
recente single.
O que representa esta música no vosso
percurso?
É mais um passo na continuidade daquilo que temos feito ao longo destes 20
anos: música alegre, feita para dançar e para animar. O nosso objetivo é
simples, transmitir boas emoções e fazer com que as pessoas se divirtam.
Queremos que, ao ouvir uma música nossa, apeteça logo bater o pé.
O humor continua a ser central no vosso
trabalho?
Sem dúvida. Somos um projeto ligado à música popular portuguesa, mas também à
comédia e ao teatro. Fazemos um espetáculo encenado, uma verdadeira comédia
musical. Mesmo quando não recorremos ao duplo sentido, procuramos sempre manter
essa leveza e boa disposição que nos caracteriza.
Esse registo surge naturalmente ou é
pensado?
Surge de forma completamente natural. Vem das nossas conversas, da convivência
entre nós. Muitas vezes são ideias que aparecem no momento e que depois
desenvolvemos.
Como equilibram a música com a vertente
teatral e cómica?
Tentamos encontrar um equilíbrio que funcione, algo que provoque o riso, mas
que também tenha qualidade musical. Não queremos que uma componente se
sobreponha demasiado à outra. O nosso caminho passa por esse equilíbrio.
Sentem que o público português procura
cada vez mais este tipo de música?
Acredito que sim. Vemos cada vez mais artistas de outros géneros a
aproximarem-se da música popular, a fazer versões ou adaptações. Isso mostra
que o género está forte, tem qualidade e continua a conquistar público.
Neste single contam com a participação
de John Mendes, Dinis Costa e Alexis. Como surgiram estas colaborações?
São criadores digitais, comediantes muito populares e, acima de tudo, nossos
amigos. Sabíamos que tinham a energia certa para o projeto e convidámo-los.
Funcionou muito bem.
O que trouxe cada um deles ao tema?
Trouxeram autenticidade, simplicidade e muita boa disposição. Tal como nós, são
pessoas próximas do público e habituadas a trabalhar de forma direta. Houve uma
ligação natural.
Podemos esperar mais colaborações no
futuro?
Sim, sempre estivemos abertos a colaborações. Já trabalhámos com vários
artistas ao longo da nossa carreira, como Adriana Lua, com quem vencemos um
prémio internacional, Siga a Farra, Carlos Ribeiro ou Marta Azevedo. É algo que
faz parte do nosso percurso.
Ganhar por duas vezes os International
Portuguese Music Awards foi marcante?
Muito. É um reconhecimento enorme, até porque estamos a falar de um evento com
grande dimensão, realizado nos Estados Unidos. Em 2024 vencemos na categoria de
escolha do público com "Malhão Português", e em 2025 na categoria de versão
popular. Além disso, estivemos nomeados nos Prémios Play. Tudo isto representa
reconhecimento pelo trabalho desenvolvido ao longo de 20 anos.
Esse reconhecimento mudou a forma como
são vistos?
Não significativamente. Sempre fomos muito bem recebidos pelo público. Somos
pessoas próximas, de contacto direto, e isso cria uma ligação forte. Claro que
os prémios trazem mais visibilidade e prestígio, mas a base do carinho do
público já existia.
A tour de 2026 arranca no Coliseu do
Porto. O que podem revelar?
Será um espetáculo de celebração dos 20 anos de carreira. Vamos recuperar temas
antigos, revisitar momentos importantes e reunir amigos e público. Será uma
festa para quem nos acompanha e também para nós.
Como tem sido a preparação?
Intensa. Há muito trabalho na escolha do alinhamento, nos ensaios, na definição
de convidados. Com 20 anos de repertório, é difícil selecionar. Mas está tudo
bem encaminhado.
Os vossos concertos são conhecidos pela
interação com o público. Qual é o segredo?
A simplicidade e a proximidade. A música popular é do povo, vem das raízes, e
isso facilita a ligação. Tentamos sempre aproximar-nos das pessoas.
Há algum momento em palco que nunca
esquecerão?
Há muitos, mas há um em particular muito marcante. Um jovem, da nossa idade,
esteve em coma após um acidente. A família contou-nos que, ao colocarem uma
música nossa, ele acabou por reagir. Tivemos depois a oportunidade de o
conhecer. É impossível ficar indiferente a uma história assim, mexe muito
connosco.
Para terminar: o que podemos esperar dos próximos tempos?
Há planos para novo álbum?
Neste momento estamos muito focados na tour de 2026. Vamos estar também no
Algarve, em Salir (Loulé), a 14 de maio, na Festa da Espiga, será a nossa
primeira atuação na região, o que para nós é muito especial. Queremos convidar
toda a gente a estar presente e a conhecer o nosso espetáculo, que junta
música, teatro e comédia.
Com duas décadas de estrada, os 4 Mens continuam a provar que a música popular portuguesa está bem viva e recomenda-se. Entre novas canções, palcos cheios e histórias que ficam para a vida, o grupo mantém intacta a missão de fazer sorrir e dançar quem os ouve. Se "E Sede?" é o reflexo dessa energia, a tour de 2026 promete ser a celebração perfeita de um percurso feito de proximidade, autenticidade e, acima de tudo, boa disposição.
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