Entre memórias e canções, Sara Badalo apresentou ''Nem Tudo Sara'' em Olhão

A cantora algarvia apresentou, em estreia absoluta, um espetáculo multidisciplinar no Auditório Municipal de Olhão, numa criação que cruza música, teatro, imagem e património cultural.
O Auditório Municipal de Olhão recebeu, no passado dia 23 de outubro, «Nem Tudo Sara», o novo projeto artístico de Sara Badalo, apresentado em estreia absoluta após uma residência artística de cinco dias naquele espaço cultural.
Natural da Fuseta, no concelho de Olhão, a cantora, intérprete e professora de música regressou assim às suas raízes para dar vida a uma criação profundamente ligada à identidade, às histórias e às memórias da comunidade que a viu crescer.
Desenvolvido em parceria com Léo Vrillaud, «Nem Tudo Sara» apresenta-se como um projeto multidisciplinar que vai muito além de um concerto convencional, cruzando música, performance teatral, criação audiovisual e artes visuais. No centro desta criação está um trabalho de recolha de património cultural imaterial realizado na Fuseta, entre agosto e outubro, através de um processo de escuta e proximidade com a população local.
Entrevistas, histórias de vida, conversas, expressões populares, cantares, imagens, gravações e memórias de várias gerações foram reunidos num verdadeiro arquivo vivo, que serve agora de matéria-prima para uma linguagem artística contemporânea. Uma forma de preservar a memória coletiva, dando-lhe novas possibilidades de expressão através da música e das artes performativas.
Em palco, Sara Badalo conduz esta viagem artística, numa interpretação que dialoga com a performance teatral de Catarina Costa, a criação audiovisual da agência Calliope, o contrabaixo de Luís Henrique e o trabalho visual de Vasco Badalo.
O espetáculo contou ainda com a participação de um coro comunitário, constituído por Valter Mendes, Rosa Zica, Natividade Zica, Ana Filipa Carmo, Arminda Badalo, Ana Fernandes, Domingos Caetano, Sara Gonçalves, Teresa Aleixo, Ricky B, Melissa Policarpo, Fernando Leal, Cátia Ribeiro, Beatriz Marques, Catarina Palma e Fernando Baco. Uma participação que reforçou a ligação entre o projeto artístico e a própria comunidade, tornando os seus habitantes parte integrante desta criação.
A pergunta «E se as memórias de uma comunidade pudessem transformar-se em música, corpo e imagem?» está na origem de «Nem Tudo Sara». Uma proposta que procura estabelecer pontes entre tradição e experimentação, passado e presente, identidade local e criação contemporânea.
Com um percurso musical marcado pela versatilidade, Sara Badalo é uma artista com uma sólida formação. Aos 18 anos mudou-se para Lisboa, onde estudou na Escola Superior de Música de Lisboa, licenciando-se em Canto Jazz. Ao longo do seu percurso integrou e colaborou com diferentes projetos e formações, entre os quais The Happy Mess, Rádio Royale, The Spill, Sam Alone & the Gravediggers, FUSHI e STORM & the Sun.
É também uma das vozes que acompanha The Legendary Tigerman, projeto liderado por Paulo Furtado, integrando a banda de suporte em palco e em estúdio, onde assume funções na voz e nos sintetizadores. A participação no programa «The Voice Portugal», da RTP, contribuiu igualmente para dar a conhecer o seu talento a um público mais alargado.
«Nem Tudo Sara» representa agora um novo capítulo na carreira da artista algarvia e constitui a génese do seu primeiro álbum em nome próprio, com lançamento previsto para 2027.
Mais do que um trabalho discográfico, este projeto nasce de um território, das suas gentes e das histórias que merecem continuar a ser contadas. Em Olhão, Sara Badalo mostrou que a música também pode ser um lugar de encontro, de memória e de identidade.
Uma criação que revela a riqueza artística de uma das vozes algarvias a acompanhar de perto e que confirma que há muito mais para descobrir no universo de Sara Badalo.
Reportagem: Daniel Pina
