''Conta-me Uma Canção'' voltou ao Teatro Maria Matos com Benjamim e Tozé Brito

O ciclo "Conta-me Uma Canção" regressou no passado dia 9 de Fevereiro ao Teatro Maria Matos, para a segunda noite da edição de 2026, desta vez com a dupla Benjamim + Tozé Brito. Mais uma vez, o público confirmou o sucesso e a singularidade deste formato intimista, onde canções e histórias caminham lado a lado.
O concerto abriu com "Olá, Então Como Vais", de Tozé Brito, deixando desde logo evidente a cumplicidade entre os dois artistas. Essa relação próxima atravessou todo o espectáculo, marcada por momentos de admiração mútua, humor e amizade, sempre partilhados de forma transparente com a plateia.
Seguiram-se "Os Teus Passos", de Benjamim, e "Vinte Anos", do Quarteto 1111, temas que representaram os primeiros grandes sucessos de cada um. No caso de Benjamim, a canção tornou-se banda sonora de um casal de uma novela; para Tozé Brito, valeu-lhe um convite para gravar nos estúdios Decca, em Londres, além do dinheiro necessário para comprar o seu primeiro carro.
A conversa evoluiu para as canções de Tozé Brito que marcaram a infância de Benjamim, como os temas de Dartacão ou da Abelha Maia, reforçando a ideia de que a canção vive muito para além do tempo em que é escrita. Seguiu-se "O Sangue", cuja génese remonta à rodagem do videoclipe de "Os Teus Passos", filmado em Alvito, no Alentejo, local para onde Benjamim se mudou após regressar de Inglaterra. A vila alentejana foi presença constante ao longo da noite, sendo ali que Luís Nunes compôs, gravou e produziu vários temas e álbuns da sua carreira, incluindo o tributo a Tozé Brito aquando dos seus 70 anos.
Com "Não Hesitava Um Segundo", surgiram histórias sobre o processo criativo de Tozé Brito e a forma como se inspira em frases ouvidas na rua ou no cinema. O tema, guardado durante anos "numa gaveta", acabaria por ser gravado por Ana Moura, depois de a fadista o ouvir e pedir para o incluir num dos seus álbuns.
A meio do concerto, o som de duas guitarras deu lugar ao piano, com Benjamim a interpretar a solo "Vias de Extinção", tema lançado durante a pandemia, beneficiando da atenção de um país confinado para uma canção com mais de seis minutos. Ainda ao piano ouviram-se "Sábado À Tarde" e "Madrugada", que marcou o início da parceria entre Benjamim e Barnaby Keen no álbum 1986.
Um dos momentos habituais do formato voltou a surgir: as canções que gostariam de ter escrito. Tozé Brito escolheu "The Long And Winding Road", dos Beatles, enquanto Benjamim optou por "True Love Will Find You in the End", de Daniel Johnston.
Numa viragem mais animada, os artistas interpretaram "Bem Bom", escrita por Tozé Brito para as Doce e apresentada originalmente no Festival da Canção de 1982, curiosamente realizado também no Teatro Maria Matos. Houve ainda espaço para um desvio no alinhamento e uma passagem por "É Demais", tema que acompanhou repetidamente Benjamim em alto volume durante a produção do álbum Tozé Brito (de) Novo.
A recta final trouxe algumas das canções mais conhecidas de Benjamim, "Dança Com os Tubarões" e "Terra Firme", com Tozé Brito a pegar no baixo que descansava em palco para acompanhar a primeira. O concerto terminou com "Amanhã de Manhã", novamente a duas guitarras, num momento particularmente emotivo, com os artistas a descerem do palco e a percorrerem os corredores da sala, enquanto o público, de pé, cantava em uníssono.
O "Conta-me Uma Canção" despede-se na próxima terça-feira, 17 de Fevereiro, com a dupla Samuel Úria + Rui Reininho, numa noite cujos bilhetes esgotaram em poucas horas. A canção está viva e recomenda-se, tal como se recomenda uma longa vida a estes concertos especiais que juntam música, palavras e histórias inesquecíveis.
©O Colectivo | Fotos: Joana Linda
