Choque Frontal ao Vivo levou Rogério Charraz a Portimão numa noite de histórias e música

18-10-2026

O programa da Rádio Alvor FM voltou a reunir o público no Teatro Municipal de Portimão, numa sessão marcada pela música portuguesa, pelas conversas descontraídas e pela partilha de experiências de Rogério Charraz. Com quase uma década de existência, o Choque Frontal ao Vivo continua a afirmar-se como um espaço de encontro entre artistas e público no Algarve.

O TEMPO – Teatro Municipal de Portimão recebeu, no dia 15 de outubro, mais uma edição do Choque Frontal ao Vivo, o programa da Rádio Alvor FM que aproxima os artistas do público através de atuações musicais e conversas intimistas. Desta vez, o convidado foi o músico e compositor Rogério Charraz, que conduziu a plateia por diferentes momentos do seu percurso artístico e pessoal.

Com realização, produção e apresentação de Júlio Ferreira e Ricardo Coelho, o programa voltou a apostar numa fórmula que tem conquistado o público: a música como ponto de partida para conversas genuínas, histórias de vida e reflexões sobre o percurso de quem faz da criação artística a sua profissão.

Rogério Charraz: uma carreira feita de paixão, liberdade e autenticidade

Ao longo da conversa, Rogério Charraz falou sobre a forma como encara a carreira, revelando-se um artista mais concentrado nos projetos futuros do que na análise do caminho já percorrido.

Apesar de reconhecer que existem músicos com maior notoriedade, o convidado afirmou sentir-se particularmente feliz com aquilo que faz, valorizando a liberdade de criar a música em que acredita, sem abdicar da sua identidade artística.

A família, a paternidade e a ligação a Portugal assumiram também um lugar central na conversa. Orgulhoso de ser pai e de viver num país que conhece através das inúmeras viagens e atuações, o músico destacou a importância da liberdade, da igualdade e do contacto direto com as pessoas.

O percurso até à música profissional nem sempre foi linear. Rogério Charraz recordou as dúvidas e os receios que acompanharam os primeiros anos da carreira, numa altura em que conciliava a música com outros empregos. A preocupação dos pais com a estabilidade profissional também marcou esse período. Acabaria, porém, por reconhecer que a música era o caminho que verdadeiramente queria seguir.

A conversa permitiu ainda recordar os primeiros passos com os Boémia, banda que formou durante a juventude, e a descoberta gradual da sua capacidade para assumir o papel de vocalista.

«O Coreto» deu o mote para a música e as histórias

A componente musical teve um lugar de destaque nesta edição, com especial atenção ao projeto O Coreto, desenvolvido por Rogério Charraz em parceria com o letrista Zé Fialho Gouveia.

O artista explicou a particularidade dos seus trabalhos conceptuais, construídos em torno de temas e narrativas que se desenvolvem ao longo das canções. Em O Coreto, cada música funciona como um capítulo de uma história, num universo que recupera ambientes, personagens e vivências associados à vida nas aldeias portuguesas.

Entre as canções abordadas esteve «Abaladiça», inspirada no hábito de prolongar os momentos de convívio à mesa, numa tasca de aldeia. A narrativa acompanha uma personagem que decide abandonar o ritmo acelerado da cidade e procurar uma vida mais tranquila no interior.

Já «Um Dia no Coreto» transporta o ouvinte para um encontro amoroso durante uma romaria, num cenário de verão em que um gelado e um beijo de limão se transformam em recordações inesquecíveis.

Entre os temas interpretados por Rogério Charraz esteve também «Quando Nós Formos Velhinhos», uma das canções mais emblemáticas do músico, originalmente lançada em outubro de 2020 e integrada no álbum conceptual O Coreto, editado em 2021. A canção retrata uma história de amor duradoura, marcada pela cumplicidade e pela nostalgia, e ficou particularmente conhecida pelo videoclip gravado no Teatro da Trindade, em Lisboa, com a participação de dois nomes incontornáveis do teatro português: Eunice Muñoz e Ruy de Carvalho. Em outubro de 2026, o tema ganhou uma nova versão, interpretada por Rogério Charraz em dueto com a cantora espanhola María Berasarte, dando uma nova dimensão a uma canção que continua a emocionar diferentes gerações.

Em destaque esteve também Anónimos de Abril, um projeto musical de Rogério Charraz e José Fialho Gouveia que homenageia homens e mulheres que resistiram à ditadura e contribuíram para a conquista da Liberdade, mas cujas histórias permanecem pouco conhecidas. Através de canções originais, com música de Rogério Charraz e letras de José Fialho Gouveia, e das vozes de Joana Alegre e Rogério Charraz, o projeto recupera memórias da resistência e da Revolução de Abril, valorizando o papel destes protagonistas na História de Portugal.

Em momentos particularmente participativos, Rogério Charraz convidou o público a acompanhá-lo, mostrando que, no Choque Frontal ao Vivo, a plateia pode ultrapassar o papel de espectadora e tornar-se parte integrante do espetáculo.

Os mestres, as influências e o valor da palavra

A entrevista abriu também espaço para recordar alguns dos nomes que marcaram o percurso musical do convidado. Fausto, José Mário Branco, Rui Veloso, Luís Represas e Fernando Tordo foram algumas das referências evocadas, numa conversa sobre aprendizagem, respeito entre músicos e a importância de encontrar uma voz própria.

Rogério Charraz recordou a influência que estes artistas tiveram na sua formação autodidata, através da escuta atenta dos discos, da aprendizagem pela prática e da descoberta das diferentes formas de trabalhar a música e a língua portuguesa.

O compositor destacou particularmente a importância de valorizar as letras, as melodias e as harmonias, reconhecendo em Fernando Tordo uma referência na forma de compreender e trabalhar a palavra cantada.

Também a relação entre admiração e companheirismo profissional esteve em destaque. O músico falou sobre a passagem de espectador e admirador de grandes nomes da música portuguesa a colega de profissão, sublinhando a importância do respeito mútuo e da construção de um percurso próprio, sem a intenção de imitar outros artistas.

A conversa revelou, assim, um lado pessoal e reflexivo de Rogério Charraz, que partilhou experiências, memórias e aprendizagens acumuladas ao longo de vários anos dedicados à música.

Uma noite que continuou depois da gravação

Terminada a gravação, a noite esteve longe de acabar. Como já é habitual nas diferentes edições do Choque Frontal ao Vivo, o encontro prolongou-se num momento de convívio entre o artista, o público e a equipa do programa.

Não faltaram abraços, beijinhos, autógrafos e selfies, num ambiente descontraído, acompanhado por doces e vinhos do Algarve.

É nesta proximidade que reside uma das características mais particulares do programa: quem assiste não se limita a acompanhar uma gravação, mas participa numa experiência que continua para além do palco e dos momentos musicais.

Com quase uma década de existência, o Choque Frontal ao Vivo reúne cerca de 125 espectadores por sessão e tem vindo a consolidar o seu lugar na divulgação da música portuguesa, contribuindo para a dinâmica cultural de Portimão e da região algarvia.

A iniciativa da Rádio Alvor FM mantém, assim, uma identidade própria, onde a música se cruza com a conversa, a partilha e o contacto direto com os artistas.

Al Guitar Duo é o próximo convidado

A próxima sessão do Choque Frontal ao Vivo já tem data marcada. No dia 17 de novembro, o palco do TEMPO – Teatro Municipal de Portimão recebe o Al Guitar Duo, dando continuidade a um projeto que, edição após edição, aproxima artistas e público e celebra a diversidade da música portuguesa.

Mais do que um programa de rádio gravado perante uma plateia, o Choque Frontal ao Vivo continua a afirmar-se como um espaço de encontro, descoberta e valorização cultural, onde cada convidado tem a oportunidade de partilhar a sua música e a sua história num ambiente de verdadeira proximidade.

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