O programa
da Rádio Alvor FM voltou a reunir o público no Teatro Municipal de Portimão,
numa sessão marcada pela música portuguesa, pelas conversas descontraídas e
pela partilha de experiências de Rogério Charraz. Com quase uma década de
existência, o Choque Frontal ao Vivo continua a afirmar-se como um espaço de
encontro entre artistas e público no Algarve.
O TEMPO –
Teatro Municipal de Portimão recebeu, no dia 15 de outubro, mais uma edição do Choque
Frontal ao Vivo, o programa da Rádio Alvor FM que aproxima os artistas do
público através de atuações musicais e conversas intimistas. Desta vez, o
convidado foi o músico e compositor Rogério Charraz, que conduziu a plateia por
diferentes momentos do seu percurso artístico e pessoal.
Com
realização, produção e apresentação de Júlio Ferreira e Ricardo Coelho, o
programa voltou a apostar numa fórmula que tem conquistado o público: a música
como ponto de partida para conversas genuínas, histórias de vida e reflexões
sobre o percurso de quem faz da criação artística a sua profissão.
Rogério Charraz: uma carreira feita de paixão,
liberdade e autenticidade
Ao longo da
conversa, Rogério Charraz falou sobre a forma como encara a carreira,
revelando-se um artista mais concentrado nos projetos futuros do que na análise
do caminho já percorrido.
Apesar de
reconhecer que existem músicos com maior notoriedade, o convidado afirmou
sentir-se particularmente feliz com aquilo que faz, valorizando a liberdade de
criar a música em que acredita, sem abdicar da sua identidade artística.
A família, a
paternidade e a ligação a Portugal assumiram também um lugar central na
conversa. Orgulhoso de ser pai e de viver num país que conhece através das
inúmeras viagens e atuações, o músico destacou a importância da liberdade, da
igualdade e do contacto direto com as pessoas.
O percurso
até à música profissional nem sempre foi linear. Rogério Charraz recordou as
dúvidas e os receios que acompanharam os primeiros anos da carreira, numa
altura em que conciliava a música com outros empregos. A preocupação dos pais
com a estabilidade profissional também marcou esse período. Acabaria, porém,
por reconhecer que a música era o caminho que verdadeiramente queria seguir.
A conversa
permitiu ainda recordar os primeiros passos com os Boémia, banda que formou
durante a juventude, e a descoberta gradual da sua capacidade para assumir o
papel de vocalista.
«O Coreto» deu o mote para a música e as histórias
A componente
musical teve um lugar de destaque nesta edição, com especial atenção ao projeto
O Coreto, desenvolvido por Rogério Charraz em parceria com o letrista Zé
Fialho Gouveia.
O artista
explicou a particularidade dos seus trabalhos conceptuais, construídos em torno
de temas e narrativas que se desenvolvem ao longo das canções. Em O Coreto,
cada música funciona como um capítulo de uma história, num universo que
recupera ambientes, personagens e vivências associados à vida nas aldeias
portuguesas.
Entre as
canções abordadas esteve «Abaladiça», inspirada no hábito de prolongar os
momentos de convívio à mesa, numa tasca de aldeia. A narrativa acompanha uma
personagem que decide abandonar o ritmo acelerado da cidade e procurar uma vida
mais tranquila no interior.
Já «Um Dia
no Coreto» transporta o ouvinte para um encontro amoroso durante uma romaria,
num cenário de verão em que um gelado e um beijo de limão se transformam em
recordações inesquecíveis.
Entre os temas interpretados
por Rogério Charraz esteve também «Quando Nós Formos Velhinhos», uma das
canções mais emblemáticas do músico, originalmente lançada em outubro de 2020 e
integrada no álbum conceptual O
Coreto, editado em 2021. A canção retrata uma história de amor
duradoura, marcada pela cumplicidade e pela nostalgia, e ficou particularmente
conhecida pelo videoclip gravado no Teatro da Trindade, em Lisboa, com a
participação de dois nomes incontornáveis do teatro português: Eunice Muñoz e
Ruy de Carvalho. Em outubro de 2026, o tema ganhou uma nova versão,
interpretada por Rogério Charraz em dueto com a cantora espanhola María
Berasarte, dando uma nova dimensão a uma canção que continua a emocionar
diferentes gerações.
Em destaque esteve
também Anónimos de Abril, um projeto musical de Rogério Charraz e José Fialho
Gouveia que homenageia homens e mulheres que resistiram à ditadura e
contribuíram para a conquista da Liberdade, mas cujas histórias permanecem
pouco conhecidas. Através de canções originais, com música de Rogério Charraz e
letras de José Fialho Gouveia, e das vozes de Joana Alegre e Rogério Charraz, o
projeto recupera memórias da resistência e da Revolução de Abril, valorizando o
papel destes protagonistas na História de Portugal.
Em momentos
particularmente participativos, Rogério Charraz convidou o público a
acompanhá-lo, mostrando que, no Choque Frontal ao Vivo, a plateia pode ultrapassar
o papel de espectadora e tornar-se parte integrante do espetáculo.
Os mestres, as influências e o valor da palavra
A entrevista
abriu também espaço para recordar alguns dos nomes que marcaram o percurso
musical do convidado. Fausto, José Mário Branco, Rui Veloso, Luís Represas e
Fernando Tordo foram algumas das referências evocadas, numa conversa sobre
aprendizagem, respeito entre músicos e a importância de encontrar uma voz
própria.
Rogério
Charraz recordou a influência que estes artistas tiveram na sua formação
autodidata, através da escuta atenta dos discos, da aprendizagem pela prática e
da descoberta das diferentes formas de trabalhar a música e a língua
portuguesa.
O compositor
destacou particularmente a importância de valorizar as letras, as melodias e as
harmonias, reconhecendo em Fernando Tordo uma referência na forma de
compreender e trabalhar a palavra cantada.
Também a
relação entre admiração e companheirismo profissional esteve em destaque. O
músico falou sobre a passagem de espectador e admirador de grandes nomes da
música portuguesa a colega de profissão, sublinhando a importância do respeito
mútuo e da construção de um percurso próprio, sem a intenção de imitar outros
artistas.
A conversa
revelou, assim, um lado pessoal e reflexivo de Rogério Charraz, que partilhou
experiências, memórias e aprendizagens acumuladas ao longo de vários anos
dedicados à música.
Uma noite que continuou depois da gravação
Terminada a
gravação, a noite esteve longe de acabar. Como já é habitual nas diferentes
edições do Choque Frontal ao Vivo, o encontro prolongou-se num momento
de convívio entre o artista, o público e a equipa do programa.
Não faltaram
abraços, beijinhos, autógrafos e selfies, num ambiente descontraído,
acompanhado por doces e vinhos do Algarve.
É nesta
proximidade que reside uma das características mais particulares do programa:
quem assiste não se limita a acompanhar uma gravação, mas participa numa
experiência que continua para além do palco e dos momentos musicais.
Com quase
uma década de existência, o Choque Frontal ao Vivo reúne cerca de 125
espectadores por sessão e tem vindo a consolidar o seu lugar na divulgação da
música portuguesa, contribuindo para a dinâmica cultural de Portimão e da
região algarvia.
A iniciativa
da Rádio Alvor FM mantém, assim, uma identidade própria, onde a música se cruza
com a conversa, a partilha e o contacto direto com os artistas.
Al Guitar Duo é o próximo convidado
A próxima
sessão do Choque Frontal ao Vivo já tem data marcada. No dia 17 de
novembro, o palco do TEMPO – Teatro Municipal de Portimão recebe o Al
Guitar Duo, dando continuidade a um projeto que, edição após edição,
aproxima artistas e público e celebra a diversidade da música portuguesa.
Mais do que
um programa de rádio gravado perante uma plateia, o Choque Frontal ao Vivo
continua a afirmar-se como um espaço de encontro, descoberta e valorização
cultural, onde cada convidado tem a oportunidade de partilhar a sua música e a
sua história num ambiente de verdadeira proximidade.