UHF em Dezembro no CCB

09-06-2013 20:49

Quando José Afonso nos deixou, no dia 23 de Fevereiro de 1987, o cantor dos UHF escreveu num impulso cúmplice de homenagem a canção que o grupo editaria no ano seguinte – “Nove Anos” era uma das pérolas do álbum “Noites Negras de Azul”.

A quarta estrofe do poema revela-nos a bissectriz de uma carreira feita de emoções e canções, rigor, energia e inquietude poética: ‘Senti o medo à beira do palco / Olhei a cor da provocação / Armei cantor esse pateta / A glória da vida é uma canção’. E assim é, a glória desta vida, no somatório de canções que definem a viagem de um grupo de músicos.

 

Ao longo dos últimos 25 anos, AMR, nascido no mesmo dia 2 de Agosto do cantautor, que fundou e assina a obra dos UHF, proclamou em entrevistas o porquê de ter escrito essa canção nesse dia: olhou para trás e anteviu o percurso que torna um homem comum num ser plástico que abarca o palco e o público, um segredo por todos diversamente interpretado mas só por alguns vivido. É isto que os UHF, a banda, melhor fazem há um ror de anos.

 

35 anos depois da primeira noite, talvez ovacionada e envergonhada, os UHF sobem ao palco maior do CCB para finalizarem a digressão ‘UHF 2013 – A Minha Geração’, no centro do Império de Pessoa. Com as canções de um disco novo, o sangue e a alma e a bagagem dos sucessos que tornaram esta vida possível. Mas este será um concerto especial numa quadra especial, quando as famílias se recolhem na tradição, cada um na sua crença, mas perto do calor no frio de Dezembro. É um concerto de Natal, onde os UHF criarão um momento próprio para juntar ao seu clássico “Podia Ser Natal” canções de outras paragens e um só destino – a alegria que nos une: A glória da vida é uma canção de vozes feita.

 

UHF CCB 2013 CONCERTO